COMPRAR: Amazon
A Ilha de Sangue é uma continuação extremamente impactante, sombria, sangrenta, complexa e reflexiva
Saudações, Leitores!
A Ilha de Sangue (The Isle of Blood, 2011) é o terceiro volume da série O Monstrologista, escrita pelo norte-americano Rick Yancey, autor conhecido principalmente por suas obras de fantasia, ficção científica e terror. Entre seus livros mais conhecidos também estão A 5ª Onda, O Mar Infinito e A Última Estrela. Esta é uma releitura de um livro que li em 2013 e que, inclusive, já resenhei aqui no blog. E que maravilha é retomar uma história que amo! Essa releitura foi especialmente interessante porque percebi que não guardei tantos detalhes deste volume quanto imaginava. Resultado? Praticamente tudo pareceu novo, surpreendente e empolgante, como se eu estivesse conhecendo novamente uma história que já havia me conquistado anos atrás.
Apesar de já ter lido e resenhado os três primeiros volumes dessa série: O Monstrologista, A Maldição de Wendigo e A Ilha de Sangue, como ainda não tinha lido o quarto volume, resolvi fazer a releitura dos três primeiros volumes para enfim finalizar a série com A Decida Final.
Neste terceiro livro, acompanhamos novamente Will Henry e o dr. Pellinore Warthrop, mas dessa vez a relação entre os dois é colocada à prova de uma maneira ainda mais intensa. Warthrop recebe um estranho nidus, uma espécie de ninho produzido por uma criatura monstruosa, e imediatamente fica obcecado pela possibilidade de encontrar o Typhoeus Magnificum, considerado uma das maiores descobertas possíveis para um monstrologista. O problema é que, em sua busca, ele deixa Will para trás e parte com um novo assistente, Tomas Arkwright. Isso é um marco para Will por dois motivos:
Motivo 1: Will, pela primeira vez tem a possibilidade de experimentar uma vida mais próxima da normalidade, com uma família e longe das monstruosidades que marcaram sua infância, Motivo 2: Will deveria estar feliz, no entanto como ele só conhece a vida com Warthrop que cuidou dele após a morte de seus pais fica com um sentimento de que não consegue simplesmente abandonar o monstrologista, mesmo ele não cuidando muito bem de Will e agora ele consegue ver o quanto o cientista negligenciava sua vida.
Contudo, quando Arkwright retorna trazendo a notícia de que o doutor está morto, Will se recusa a acreditar e parte para Londres em busca de respostas. A investigação o leva até Socotra, a chamada Ilha de Sangue, onde a lenda diz que vive o Typhoeus Magnificum, uma criatura capaz de transformar o próprio cenário em um pesadelo de sangue, morte e horror, um ser bestial que ninguém consegue olhar sem sucumbir.
E é justamente nessa jornada que os personagens mais se transformam. Will deixa de ser apenas o menino que acompanha o mestre e começa a tomar decisões por conta própria, enfrentando situações que exigem dele muito mais do que coragem, algumas de suas decisões o transformará eternamente. Warthrop, por sua vez, revela cada vez mais as contradições que existem por trás de sua arrogância, inteligência e obsessão pela monstrologia. Sua busca pelo Typhoeus Magnificum ultrapassa a simples curiosidade científica e passa a questionar até onde alguém é capaz de ir para alcançar aquilo que considera seu grande propósito, começamos a ver uma faceta do monstrologista extremamente complexa e que nos assusta, porque já a percebemos ao longo dos volumes anteriores, mas aqui é jogado com toda a força em nossa cara e acabamos percebendo o cientista como alguém questionável ao extremo, talvez não voltaremos mais olhá-lo da mesma forma, talvez, nos volumes anteriores, poderíamos até vê-lo com um mocinho, mas aqui é inevitável: ele não é, nem por ações e nem por suas palavras. A relação entre mestre e aprendiz, que sempre foi um dos pontos mais interessantes da série, ganha aqui uma profundidade enorme, é quando o aprendiz passa a ver seu mestre da forma que ele é, sem todo o encantamento que ele visualizava quando era mais novo e menos experiente..
Provavelmente foi nesse ponto que o volume me fez pensar: o que realmente transforma alguém em um monstro? É aquilo que existe dentro de nós ou aquilo que escolhemos fazer? Afinal, ao longo da série, Rick Yancey brinca o tempo todo com essa fronteira entre o humano e o monstruoso. Há criaturas assustadoras, claro, mas também existem seres humanos capazes de atitudes tão cruéis quanto qualquer monstro. E, no fim das contas, talvez as perguntas mais incômodas sejam: quando perseguimos aquilo que desejamos a qualquer custo, em que momento deixamos de reconhecer quem éramos? Quando tiramos a venda dos nossos olhos diante de alguém que admiramos, porque éramos inocentes, o que encontraremos diante de nós?
O que mais gostei nesta releitura foi justamente perceber que A Ilha de Sangue não perdeu sua força. Pelo contrário! Como eu não lembrava de tantos acontecimentos, a experiência foi quase como ler o livro pela primeira vez. Fui surpreendida por situações que já deveria conhecer, fiquei novamente envolvida com Will e Warthrop e redescobri detalhes que estavam completamente apagados da minha memória. É maravilhoso quando uma releitura consegue fazer isso: não apenas trazer de volta uma história querida, mas permitir que a gente a enxergue com outros olhos. Além disso, acredito que um ponto assertivo foi fazer essas leituras próximas uma da outra, porque me permitiu ver melhor outros ângulos.
A Ilha de Sangue é um volume mais sombrio, sangrento e complexo, mas também muito importante para compreender o amadurecimento de Will Henry e as camadas de Pellinore Warthrop. Para mim, continuar essa releitura da série tem sido uma experiência deliciosa, principalmente porque percebo que, mesmo sabendo mais ou menos para onde a história caminha, ainda existe espaço para surpresa. E isso, para uma leitora que já conhecia a trama, foi maravilhoso.
Se você gosta de horror gótico, monstros, mistério e personagens moralmente complexos, definitivamente vale a pena conhecer toda a série O Monstrologista. Eu, particularmente, estou cada vez mais feliz por ter decidido voltar a essa história que tanto amo.
Espero que tenha gostado da resenha, obrigada por ler e até a próxima postagem!
| FICHA TÉCNICA |
| Título Original: The Isle of Blood Autor: Rick Yancey Tradutor: Ana Carolina Mesquita Gênero: Ficção. Terror. Suspense Editora: Farol Literário Ano: 2011-2013 | 598 págs. País de Origem: Estados Unidos Classificação: +15 Aviso de Conteúdo: Morte. Assassinato. Monstros. Extermínio. Luto. Criança órfã. Minha avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐♥️ (5/5) |

Postar um comentário
Muito obrigada pelo Comentário!!!!