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Saudações Leitores!
Já faz algum tempo que li O Vilarejo*, na verdade foi minha leitura de Halloween (quem me acompanha no Instagram sabe), mas somente hoje estou conseguindo postar a resenha (desculpem-me por isso), pois estou com alguns posts atrasados, mas pretendo ir atualizando o blog aos poucos... Fiquem com a resenha da minha leitura 'tenebrosa' de Halloween...

O Vilarejo, Raphael Montes, Rio de Janeiro: Suma de Letras (Objetiva), 2015, 93 pág.
Ilustrado por Marcelo Damm

O Vilarejo foi escrito pelo brasileiro Raphael Montes conhecido por seus romances policiais: Suicidas (2012) e Dias Perfeitos (2014).
Basicamente o livro O Vilarejo traz vários contos que se passam em um vilarejo, os contos independem um do outro e podem ser lidos em ordem diversa, mas é comum vários personagens participarem dos mesmos contos. No final, podemos compreender a história que se passa no vilarejo.
O livro traz contos que deveriam ser assustadores, e no sentido latto podemos considerar assustadores, acontece muita coisa ruim no vilarejo, algumas são bastante triste, outras assustadoras e outras revoltantes. Fica evidente logo no começo do livro que o autor se propõe a escrever sobre os "diabos" presentes no vilarejo e ao falar deles, e da população acabamos nos defrontando com os sete pecados capitais apresentados de forma cruel, sem rodeios.
Sem dúvida alguma, em O Vilarejo nos defrontamos com uma narrativa envolvente e misteriosa e apesar dos acontecimentos do livro serem terríveis, o livro em si não chega a assustar.
Ainda não tinha me deparado com nenhuma obra de Raphael Montes, mas eu gostei bastante dos contos apresentados em O Vilarejo e gostei da forma como ele elaborou os contos, na verdade, fico pensando em como será um romance do autor, afinal nos romances há muito mais espaço para trabalhar com a história e os personagens. Se Raphael Montes já foi um gênio desenvolvendo super bem os contos imagino que no romance se torne impecável.
Em resumo, minha opinião sobre o livro foi muito boa, fiquei desejando mais contos, pois me agradei da leitura e desejo ter mais oportunidade de ler o autor, mas esse contos em particular não chegam a deixar o leitor assustado, mas trazem uma reflexão crua sobre a capacidade do ser humano ser cruel quando se deixa levar tão somente pelos seus instintos e/ou ganância.

*Esse livro foi cortesia da Editora Suma de Letras, para saber mais sobre o mesmo, clique AQUI.

O Vilarejo - Raphael Montes (resenha)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Saudações Leitores!
Quando eu descobri que o livro Meu Nome é Memória tinha sido lançado no Brasil não pensei duas vezes e comprei junto com minhas amigas do Clube do Livro que faço parte, como todas nós somos fãs da autora Ann Brashares decidimos que essa seria nossa leitura do mês e agora vocês podem conferir minha opinião sobre o livro. Check out!


Meu Nome é Memória, Ann Brashares, Rio de Janeiro: Suma de Letras (Objetiva), 2014, 280 pág.
Traduzido por Lívia de Almeida

My name is memory foi publicado originalmente 2010, mas apenas este ano (2014) chega a versão brasileira: Meu Nome é Memória. Escrito pela americana Ann Brashares, escritora best-seller da série Quatro Amigas e um Jeans Viajante e do livro Nosso Último Verão.
Sou suspeita para falar de Ann Brashares, pois tive uma experiência incomparável quando li Nosso Último Verão e como dizem: a primeira impressão deixa marcas profundas, então eu leria qualquer coisa que a autora escrevesse, portanto, ao saber do lançamento deste livro, não titubeei ao comprá-lo e lê-lo.
Para minha surpresa e desespero a narrativa começa arrastada e minuciosa ao excesso – a autora quis explicar demais (o que é bom, mas às vezes se torna cansativo e enfadonho), entretanto depois de passadas 125 páginas, mais ou menos, a narrativa fica maravilhosa e não tive mais vontade de soltar o exemplar, novamente Ann Brashares me encantou com mais um de seus livros.
"Vivi mais de mil anos. Morri incontáveis vezes. Esqueço o número exato. Minha memória é uma coisa extraordinária, mas não é perfeita. Sou humano." (p.09)
Meu Nome é Memória conta a história de Daniel, que é um personagem peculiar, pois ele já teve muitas vidas e sempre guarda em sua memória todas as lembranças de suas vidas passadas. A primeira vida de quem tem memória foi a que viveu no ano de 541 na África, desde então quando morre, volta a vida, cresce, recorda-se de suas vidas passadas e escolhe sempre o mesmo nome: Daniel.
Em sua primeira vida ele tem o destino cruzado de uma forma trágica com uma garota desconhecida e que se torna seu grande amor, mas ele só vem a encontrá-la muitas vidas depois com o nome de Sophia, esposa de seu irmão Joaquim. A tragédia não poderia ser pior nesta vida também. Dessa forma, Ann Brashares, vai contando as vidas de Daniel e todas as vezes que ele teve a sorte de encontrar-se com seu grande amor e os motivos da ira que o irmão de Daniel, Joaquim, vai guardando e se transformando em algo tenebroso.
"Desde que comecei a compreender a minha memória, penso nos meus atos de uma forma diferente. Sei que o sofrimento não se encerra com a morte. Isso vale para todos nós, quer nos lembremos disso ou não. Na época, eu não sabia disso. Talvez ajude a explicar porque fiz o que fiz, mas não atenua." (p.30)
Daniel, em uma de suas vidas conhece Bem, que lhe conta e lhe fala sobre o poder de suas memórias – dom ou maldição? – de fato os anos vão passando e a história das aventuras e desventuras de Daniel vão parar no ano de 2004 quando ele volta a encontrar o amor de sua vida na pele de Lucy, no entanto, ele a assusta ao tentar explicar suas ligações através do tempo e ela foge.
Lucy sempre se sentiu obcecada por Daniel e nunca soube explicar essa obsessão até ter umas visões – que na realidade eram lembranças de sua vida passada como Constance – e passa a buscar por Daniel, só que se encontra com Joaquim que se passa por Daniel dizendo que teve que mudar de corpo, assim, o pior acontece, porque Joaquim está em busca de vingança e sofrimento. O que Daniel pode fazer? Ele tentará fazer algo, não esperou diversas vidas para ver sua amada sofrer novamente, então em 2009 os dois se reencontram. Algo decisivo está para acontecer e mudar toda a história.
"As pessoas às vezes falam sobre o poder das primeiras impressões e, acredite, existe verdade nisso. A trilha da vida pode mudar de um instante para outro. Não só a trilha da vida, mas a trilha de todas as nossas vidas, a trilha da nossa alma. Quer você se lembre ou não. Isso faz a gente querer pensar duas vezes antes de agir." (p.56)
Se não fosse o fato do começo do livro ter sido tão arrastado e maçante, cheio de informações desnecessárias – ainda acho que a escritora tentou explicar muitas vidas e poderia ter só contado as mais importantes. Objetividade às vezes é bom – Meu Nome é Memória teria sido um livro ótimo, mas mesmo com os pontos negativos admito que é um livro fabuloso e que o final é surpreendente demais, fantástico e de tirar o fôlego, na verdade, nos deixa mil possibilidades. Preciso de uma continuação urgente! Ai meu Deus, não sei se esse livro terá continuação, mas já li na web [fontes não confiáveis] de que esse livro faria parte de uma série, será? Acho bem provável.
"O amor exige tudo, pelo que dizem. Mas meu amor exige apenas uma coisa: que, não importa o que aconteça ou o quanto demore, você continue a acreditar em mim, que você se lembre de quem somos e que você nunca se desespere." (p.278)
Acredito que Meu Nome é Memória é uma história de amor linda e encantadora que atravessa tempos e tem os mais variados planos de fundo: Inglaterra, Antioquia, Congo Belga, Constantinopla, Georgia, México, enfim, todos os apaixonados por um romance encantador e surreal poderão se encantar com este livro, além do mais Ann Brashares escreve muito bem, sempre considero uma proeza pegar um livro realmente bem escrito, ou seja, não é só o enredo que é bom, mas a escrita é boa e coerente, no entanto, tentem superar as primeiras 125 páginas, prometo que depois disso tudo fica bem melhor!

Meu Nome é Memória - Ann Brashares (resenha)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Saudações Leitores!
Depois de mais de um mês - quase dois - enrolada nessa leitura trago a resenha para vocês, lembro-me que logo que os livros foram lançados aqui no Brasil eu desejei bastante lê-los, em parte porque li muitas resenhas positivas dele, mas infelizmente achei-o maçante, portanto, se você leu A Sombra do Vento e gostou, que ótimo e por favor, não me condene, todo mundo tem sentimentos diferentes acerca de determinados livros: é normal. E se você está perguntando o motivo de eu ter insistido e terminado a leitura, bem, a resposta é simples: era a leitura do Clube do Livro Floreios & Borrões - do qual faço parte -  e a história é bacana, mas... enfim, se quer saber mais sobre os detalhes, leia a resenha:


A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón, Rio de Janeiro: Suma de Letras (Objetiva), 2007, 400 pág.
Traduzido por Marcia Ribas

La Sombra Del Viento (2001) ou A Sombra do Vento é o primeiro livro da trilogia O Cemitério dos Livros Esquecidos, escrita por Carlos Ruiz Zafón, este livro antecede O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu, entretanto os três livros podem ser lido de forma aleatória, isto é, não necessita ser lido na sequência que mencionei. Zafón é um escritor espanhol bastante conhecido e premiado.
O que falar de A Sombra do Vento? Após tantas resenhas superpositivas é claro que desejei ler este livro com todas as minhas forças, não obstante, ele não foi absolutamente nada do que eu esperava. Passei mais de um mês para ler 400 páginas e isso é um absurdo, porque sou uma leitora voraz e, de acordo com meu vício é possível ler essa mesma quantidade de páginas em um ou dois dias, mas isso não aconteceu com este livro.
A Sombra do Vento traz a história de Daniel Sempere, na Barcelona de 1945, que logo após ser levado por seu pai ao Cemitério dos Livros Esquecidos e descobrir um exemplar de A Sombra do Vento, de Julián Carax, intriga-se com o exemplar e sua história misteriosa, além disso, todos os livros de Carax, segundo Daniel descobriu, foram ou eram comprados e queimados. Alguém estava determinado a apagar o nome de Carax da história, fazer com que seu autor fosse morbidamente esquecido.
O desenrolar da história é lento e isso pode ser notado pelo fato de Daniel ter conhecido o livro em 1945 e só vir a descobrir os mistérios em torno do escritor, Julián Carax, apenas em 1955. De pré-adolescente Daniel passa para adulto na saga das investigações e colhendo todas as informações possíveis, nesse ínterim Daniel encontra aliados para o auxiliarem na investigação. Durante a narrativa acontecem muitas coisas – de maneira lenta e paulatina – e muitos perigos, vingança, amor e ódio fazem parte da história de Julián Carax e, sobretudo, de Daniel Sempere, ambos tem muito em comum. O fato de Daniel buscar o autor Carax e o fato de Carax ter se personificado em seu próprio livro e suas histórias mirabolantes e góticas, fazem com que a narrativa esteja constantemente sob um manto sombrio e misterioso, sem dúvida, A Sombra do Vento, é um livro cheio de mistérios e dramas.
Contudo, no meu ponto de vista, apesar de não desmerecer a história, porque lá pela página 300 ela começa a se desenrolar, porque até a 299 era um emaranhado e uma enorme enrolação, o pior foi a narrativa lenta, minuciosa e arrastada de Zafón; por várias vezes eu pensei em abandonar a leitura, mas não o fiz por conta do mistério que me deixou muito curiosa, eu precisava saber o que diabos tinha acontecido com Carax e o que iria acontecer com Daniel, no fim, o desenrolar foi surpreendente e convincente, pra falar a verdade, eu já até suspeitava de acordo com as ‘dicas’ que Zafón foi deixando durante a história.
Não ouso dizer que não lerei mais Zafón, porque ainda tenho vontade, apesar da narrativa cansativa o autor escreve bem e elaborou uma boa história, apenas eu não consegui ser cativada por ela e isso me entristece: meu primeiro contato com o autor me deixou um pouco apavorada, vai levar um tempo para eu ter vontade de voltar a ler Carlos Ruiz Zafón novamente, mesmo eu já tendo em mãos os outros dois livros dessa trilogia.
Quotes 

"Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece.
Na loja, nós os vendemos e compramos, mas na verdade os livros não têm dono. Cada livro que você vê aqui foi o melhor amigo de um homem." (p.9)
"[...] poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho ao seu coração. As primeiras imagens, o eco dessas palavras que pensamos ter deixado para trás, nos acompanham por toda a vida e esculpem um palácio em nossa memória ao qual mais cedo ou mais tarde - não importa os livros que leiamos, os mundos que descubramos, o quanto aprendamos ou nos esqueçamos - iremos retornar." (p.11)
"Nunca uma história me seduziu e me envolveu tanto como aquela que narrava o livro [...] Até então para mim as leituras eram uma obrigação, uma espécie de multa a pagar a professores e tutores sem se saber muito bem para quê. Eu não conhecia o prazer de ler, de explorar portas que se abrem na nossa alma, de abandonar-se à imaginação, à beleza e ao mistério da ficção e da linguagem. Tudo isso para mim começou com aquele livro." (p.26)

A Sombra do Vento - Carlos Ruiz Zafón (resenha)

domingo, 17 de agosto de 2014

Saudações Leitores!
Quando, no clube do livro, houve a votação para o livro do mês e a maioria dos votos foi para o livro Sob a Redoma, fiquei feliz, pois já queria lê-lo, mas também fiquei receosa por conta do preço: e se eu o comprasse e ele não fosse bom? Mas durante e após a leitura comprovei que meus receios não tinham fundamento e, cada centavo investido na compra desse livro, valeu a pena. Saiba mais sobre minha primeira experiência em ler Stephen King:

Sob A Redoma, Stephen King, Rio de Janeiro: Suma de Letras (Objetiva), 2012, 960 pág.
Traduzido por Maria Beatriz de Medina


Under the dome (título original) foi publicado em 2009, pelo escritor americano Stephen King, que descarta qualquer apresentação, mas para quem não o conhece ele tem fama de ser o maior escritor de horror fantástico e ficção de sua geração. Stephen King tem vários livros de ficção, não ficção, contos e séries publicadas (destaque para a série A Torre Negra). Além disso, várias de suas obras já foram adaptadas para o cinema ou se tornaram séries e minisséries. Inclusive, em 2013, o livro Sob a Redoma tornou-se uma série com o mesmo nome.
Sob a Redoma foi a experiência mais fantástica que já vivi nos últimos tempos, para ser mais clara, Stephen King, teve o poder de me transportar para a cidade de Chester’s Mill. Definitivamente, através da narrativa de King, conseguimos viver o que os personagens vivem.
O enredo em si é extremamente fabuloso e muito complicado de tentar colocar em palavras: misteriosamente a cidade de Chester’s Mill é envolta com muros invisíveis, chamado de Redoma, não se sabe o motivo, mas é perceptível – ao longo da semana – as terríveis consequências da redoma. Além da redoma, que é uma verdadeira catástrofe, há pessoas em Mill que se aproveitam da situação para manipularem a população. Acidentes verdadeiros, acidentes forjados, mentiras, acusações e um poder político e religioso despótico tomam conta da cidade. A população se torna marionete e, indefesa, tenta se apegar a algo palpável, mas que nem sempre é verdadeiro. Resultado: escassez de mantimentos, energia, catástrofes, assassinatos, mal uso do poder, drogas, tudo isso leva Chester’s Mill ao caos, que irá culminar num final de tirar o fôlego, literalmente.
Os personagens são complexos e bem estruturados, são tão reais e cheios de conflitos como qualquer pessoa. Temos o mocinho Dale Barbara que traz toda uma complexa história do passado. Temos Julia Shumway a jornalista que também tem um passado bem interessante, mas que principalmente quer ajudar Mill enxergar as verdades por traz do poder político. Ainda temos dois personagens intrigantes em excesso: Jim Rennie, segundo vereador local, e Junior, filho do vereador; acredito que estes dois personagens são muito peculiares e psicologicamente perturbados.
Sob a Redoma, faz uma crítica muito grande a sociedade capitalista de hoje, a ambição pelo poder e consequentemente dinheiro, critica fervorosamente o fanatismo religioso e ao próprio ser humano: o que ele é capaz ou não de fazer na hora de uma verdadeira calamidade. Stephen King mostra em Sob a Redoma o melhor e o pior do ser humano, o melhor e o pior da sociedade. Mostra a humanidade com uma propensão para ações desumanas.
Após a leitura desse livro, que foi minha primeira experiência com Stephen King, só tenho a dizer que me despertou o interesse de conhecer outros livros do autor, pois sua forma de escrever é fabulosa, suas descrições são fascinantes e tão concretas que nos sentimos dentro do livro. 
Para finalizar, Sob a Redoma, para quem tem dúvida, não se trata de uma história de terror, apesar de muita coisa ruim acontecer durante a narrativa, mas é um livro de muita ficção e envolve o leitor desde a primeira página à última. Depois de concluir essa magnífica leitura só me fica o desejo de tentar fazer com que muitas outras pessoas leiam esse livro: Sob a Redoma é um livro necessário a todo amante de literatura. Vocês precisam ler!

Sob a Redoma - Stephen King (resenha)

segunda-feira, 10 de março de 2014

Saudações Leitores!
Se você gosta de se intrometer na vida dos outros e ler escondido a correspondência alheia, vá em frente: @mor é uma ótima pedida: Livro com humor, linguagem fácil, história incrível e final surpreendente. Entenda o porquê dessa minha afirmação lendo a resenha:
 

@mor. Daniel Glattauer. Rio de Janeiro: Suma de Letras/Objetiva, 2012, 188 pág.
 Tradução: Eduardo Simões.

O enredo criado por Daniel Glattauer é contemporâneo e extremamente excitante! Em um mundo cada vez mais curvado aos recursos virtuais e aos acessos constantes a internet o autor soube muito bem expressar o novo laço formado pela rede e o quanto os sentimento envolvem palavras.
Daniel traz em seu livro um assunto delicado e de certa forma – ainda – considerado tabu. Em @mor temos a história de Emmi Rothner e Leo Leike, que por ironia da tecnologia começam a trocar e-mails.
Emmi envia um e-mail equivocado a Leo Leike que ao respondê-lo passam a trocar mais e mais e-mails. Os e-mails passam a se tornar mais pessoais e ambos veem esse tipo de comunicação como fuga de suas vidas reais.
Nós produzimos formas imaginárias virtuais, quadros fantasmagóricos acabados um do outro. Fazemos perguntas cujo encato consiste no fato de não serem respondidas. Pois é, a gente faz disso um esporte: despertar a curiosidade do outro e continuar a atiçar de modo repetido. E ao fazer isso não satisfazemos de jeito nenhum tal curiosidade. Tentamos ler nas entrelinhas, entre as palavras, e logo tentaremos também entre as letras. (p.19)
Ademais os e-mails servem como desabafos: Leo acabou de sair de um relacionamento conturbado e Emmi aparentemente tem um casamento perfeito e feliz. Contudo, durante as trocas de e-mails os leitores podem se questionar o que leva uma mulher feliz em seu casamento manter contato com um completo desconhecido.
E-mails chegam e vão e o sentimento entre os dois crescem, a vontade de se conhecerem começa a transpirar por cada um de seus poros, não obstante, o receio de não corresponderem as expectativas um do outro também se elevam.
Não se pode repetir os velhos tempos. Como o nome já diz, esses tempos são velhos. Novos tempos não podem nunca ser como os velhos tempos. Quando se tenta, eles parecem tão somente antigos e gastos, como aqueles pelos quais se suspira. Não se deve nunca lamentar o tempo que passou. Quem lamenta pelo tempo que passou está velho e de luto. (p.147)
@mor tem uma linguagem fácil e fluída, moderna e contemporânea. O livro é muito fácil de ser lido, pois se trata tão somente de correspondências virtuais e facilita toda a leitura. Confesso que ao ler a correspondência me sentia invadindo a privacidade alheia, apesar de não ser real, mas é impossível não se identificar com algumas das correspondências. Creio que, em algum momento, quem convive com e-mails e redes sociais já deve ter passado por algo parecido com o que Emmi e Leo passaram.
Acredite em mim, foi o uísque! O uísque e eu. Eu e o que está dentro de mim. O uísque e o que ele tirou lá de dentro. (p.159)
O livro é em uma palavra: Fantástico! Tem ironia, humor e sedução. O que me deixou imensamente tensa foi o final, no ápice da história o livro termina. Jogo de mestre do autor Daniel Glattauer que dará continuidade a história em um próximo volume. Sacanagem isso: estou completamente pirando pela continuação. Indicado para quem vive ou já viveu amores virtuais. Se identificar é só uma questão de começar a leitura!

@mor - Daniel Glattauer (resenha)

sábado, 9 de fevereiro de 2013

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