Resenha: “Na Curva das Emoções” de Jorge Miguel Marinho

Saudações Leitores!
Esse livro recebi de cortesia da Editora Biruta e já aproveito para agradecê-la. Bem, não tinha ouvido falar desse autor, mas quando li a sinopse fiquei bastante curiosa e apesar do livro não ter sido como imaginei, pois não imaginava se tratar de um livro de contos, a leitura me surpreendeu bastante e deixe-me cativar. Espero que gostem da resenha e deixem seus comentários opinando!


Na Curva das Emoções, Jorge Miguel Marinho, São Paulo: Biruta, 2005, 128 pág.

Na Curva das Emoções, livro que recebeu o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), foi escrito por Jorge Miguel Marinho, carioca, mas que reside em São Paulo é um escritor muito premiado, já tem entre seus prêmios: Prêmio FNIJL de Melhor Livro para Jovens por A Visitação do Amor, Prêmio Jabuti por Te dou a Lua Amanhã, entre outros prêmios. Também tem contos publicados nos Estados Unidos e na França. [o currículo dele é enorme!!!]
Este livro, Na Curva das Emoções, trata-se de um livro contendo sete contos, são eles: O Umbigo de Isaura, A Libertinagem das Mães, O Seio Tatuado da Minha Avó, As Borboletas Copulam no Voo, Eros de Luto, A Revelação de Clarice Lispector, Aviso Às Borboletas. Em sua essência todo o livro vem a tratar da juventude e suas descobertas, aquela época em que a criança passa para a adolescência e começa a sentir mudanças em si mesmo e nos outros, um estranhamento interno e externo que muitas vezes não são capazes de explicar.

"Viver era difícil demais - e quanto mais fincava a planta dos pés no chão, e o chão era sempre uma casa, mais se via como um bicho alado voando em espiral." (p.17)

De uma forma encantadora Jorge Miguel Marinho vem, através de seus contos, nos mostrar as diversas formas de estranhamento do jovem ao se introduzir numa nova vida e como muitas vezes é difícil lidar com esses sentimentos/emoções. Um ponto belíssimo é que Jorge Miguel Marinho utiliza-se de uma linguagem poética que enriquece e traz delicadeza aos contos além de utilizar diversas metáforas: constantemente o jovem é chamado de borboleta. Uma borboleta que está saindo do casulo e que se sente ainda incerta com respeito a suas asas.
Todos sabemos que a adolescência é uma das fases mais complicadas da vida: a fase dos erros e dos maiores medos, contudo, o autor soube repassar magnificamente todos os anseios e os medos não só dos jovens se descobrindo, descobrindo as emoções e sentimentos, mas também o medo e a falta de tato que muitos pais e adultos tem em relação a essa fase [como se nunca tivessem passado por ela].

"Acontece que ela não se definia por fora e então passava o tempo todo apertando involuntariamente o umbigo em busca de uma emoção cheia de pele dentro daquele corpo em projeção." (p.15)

E qual o melhor conto do livro? Todos. Mas vou dizer que o livro abriu e fechou com chave de ouro. Entretanto os contos: O Umbigo de Isaura e A Revelação de Clarice Lispector foram os que mais saltaram aos meus olhos. Carregados de uma poesia e sensibilidade que só os grandes mestres conseguem colocar em palavras eles trazem muito além do que entretenimento, mas um ensinamento fantástico. Quem escreve um conto com tanta poesia e entrelinhas possíveis e impossíveis pode, sim, ser admirado e premiado.
Confesso até envergonhada que o conto A Revelação de Clarice Lispector que fala sobre o livro A Paixão Segundo G.H. trouxe-me a recordação de quando li o livro e o detestei [não me matem!]. Ao ler o conto e ver a grande e bela interpretação que o autor salientou me senti mal e percebi que talvez eu o tenha lido de maneira superficial e não tenha conseguido inserir-me em sua essência, afinal quando o li era bem jovem. Mas agora estou convencida de que preciso reler esse livro, vou dar-me a chance de tentar revisitar 'sem estranhamentos' A Paixão Segundo G.H..

"_Preconceitos, eu estava construindo o destino de um livro sem sequer ter aberto a primeira página e ter olhado a palavra inicial." (p.105)

O que posso dizer do conjunto da obra: ela é fabulosa, os contos são ótimos. Por se tratar de um livro pequeno e a leitura ser bem poética em uma hora ou duas horas você consegue lê-lo completamente. Claro, se você for analisar cada conto sugiro dedicar mais tempo para as leituras, mas se o objetivo é se entreter e conhecer o trabalho de Jorge Miguel Marinho, você consegue ler muito rápido e ainda sobra tempo para se apaixonar pela escrita cativante do autor.
Contudo, devo admitir que não gostei muito dessa capa, achei-a séria demais para um livro infantojuvenil, e embora reconheça que repassa a sensação de confusão peculiar da adolescência, não é, em particular, bonita. Mas por dentro o livro é lindo! Mais que indicado!

Camila Márcia

4 comentários:

  1. Também não gostei desse capa Mila. E também não sei dizer se me interessei pelo livro: tipo, eu leria se tivesse oportunidade, mas não o compraria mesmo tendo particular curiosidade em ler A Revelação de Clarice Lispector.
    Beijos, JU.

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  2. Aprecio muito um livro de contos, acho que as leituras são leves, já que você pode a qualquer momento pegar o livro ler um conto e depois mais adianta pegar novamente e ler outro conto... Gostei muito da resenha e amo contos com esses teor poético. Vai para minha lista.
    Beijos.

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  3. Fiquei curioso Mila, gosto de livro de cotos. Apesar de não conhecer o autor, vou buscar mais informação sobre seus trabalhos.

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  4. Boa resenha Mila, e acredito que às vezes quando as pessoas crescem esquecem de como é a juventude. Afinal em pouco tempo tanta coisa muda.

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Muito obrigada pelo Comentário!!!!