Resenha: “Não me Abandone Jamais” de Kazuo Ishiguro

Saudações Leitores!
Nem sei o que dizer ao certo sobre esse livro, a história é muito boa e muito bem escrita, mas a narrativa, para mim, foi bastante cansativa e arrastada. Sei lá, estou dividida para falar de Não me Abandone Jamais, demorei semanas para terminar a leitura e quando terminei fiquei quase com ressaca literária e nem sei dizer o motivo. Tentem me entender lendo a resenha:


o me Abandone Jamais, Kazuo Ishiguro, São Paulo: Companhia das Letras, 2005, 344 pág.
Traduzido por Beth Vieira

Never let me go (2005) foi escrito por Kazuo Ishiguro, escritor nascido no Japão, mas erradicado na Inglaterra, escreveu romances premiados e adaptados cinematograficamente. Inclusive o livro Não me Abandone Jamais sofreu adaptação cinematográfica em 2010 e carrega o mesmo título do livro.
Não sei ao certo como resenhar esse livro, porque à medida que reconheço que o livro é bom e traz um enredo fantástico, para mim, ele pecou na narrativa muito cansativa, descritiva e monótona [céus eu quase abandonei esse livro, mesmo ele se chamando Não me Abandone Jamais]. Não obstante, reconheço que o livro foi bem escrito, tem características de clássico e potencial para agradar a quem gosta desse tipo de leitura.
A narrativa é em primeira pessoa, cuja narradora personagem Kathy H. nos conta sua história peculiar, ela recua no tempo e começa a narrar sobre sua infância em Hailsham, sua adolescência no Casario e sua vida adulta como cuidadora. Kath também fala de seus laços de amizade com Tommy e Ruth e do destino deles serem cuidadores e doadores, viverem rodeados de guardiões e a misteriosa presença de Madame.

"Olhando em retrospecto, agora, percebo que estávamos bem naquela idade em que sabíamos algumas poucas coisas sobre nós mesmas - quem éramos, e que éramos diferentes dos nossos guardiões, das pessoas de fora - mas ainda não havíamos compreendido o que aquilo significava." (p.49)

O livro é divido em três partes e cada parte se aprofunda numa época da vida de Kath e, claro, Não me Abandone Jamais, é um livro repleto de mistério, no qual o leitor fica se perguntando constantemente o que é Hailsham, Casario e tantas outras coisas estranhas que há na narrativa. Kazuo Ishiguro consegue deixar seu leitor no vácuo durante todo o livro e apenas nas últimas páginas vem desvendar o mistério, não sem antes ter feito o leitor criar teorias e ter suas próprias ideias e essa parte é muito legal, foi uma cartada de mestre do autor [principalmente se você ainda não assistiu ao filme].
O autor realmente escreveu um livro que faz refletir e de certa forma emocionar, não é o tipo de livro que nos leva às lágrimas, mas emociona o final que é espetacular, nada muito pomposo ou esperado, mas que segue o ritmo da narrativa. Durante minha leitura eu ficava esperando o clímax do livro, mas a narrativa acontecia de forma tão natural que terminei a leitura e não consegui ver nenhum clímax, mesmo apreciando o final, não foi algo de arrepiar ou a descoberta das coisas foram tratadas de forma tão normais que também não me causou nenhum estranhamento. Fiquei triste e feliz por essa leitura.

"É um momento gélido, esse, o da primeira vez em que você se vê através dos olhos de uma pessoa assim. É como passar diante de um espelho pelo qual passamos todos os dias de nossas vidas e de repente perceber que ele reflete outra coisa, uma coisa estranha e perturbadora." (p.50)

Mesmo pensando em abandoná-lo diversas vezes, tenho que reconhecer que o livro é bom e no final valeu a pena ter lido, mas não vou dizer que a pessoa não precise de uma dose de perseverança para lê-lo, principalmente se você não curte clássico e prefere livros mais leves, será um teste ler Não me Abandone Jamais. Mas se você curte clássico, com certeza apreciará esse livro.

Camila Márcia

2 comentários:

  1. Ai, to frustrada! Amei taaaaanto o filme. Chorei feito louca! Esperava que o livro fosse igualmente tocante... Mas a história, por melhor que seja, quando tem uma narrativa cansativa, não rola! :/

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    1. Entâo querida, quando li já sabia que seria cansativa, mas não tão cansativo como foi.

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Muito obrigada pelo Comentário!!!!