Lançamento: Em breve tudo será mistério e cinza... e outros

Saudações Leitores!
Vem gente, vamos conferir os lançamentos da última semana da Companhia das Letras que está uma maravilha, espero que gostem e comprem e leiam e se encantem:

Em breve tudo será mistério e cinza, de Alberto A. Reis
Ficção e história se confudem neste bem-humorado romance ambientado no Brasil dos primeiros anos do Império. Vindos de Paris com a esperança de fazer fortuna nos confins do Novo Mundo, François e Honorée Dumont enfrentam as intrigas da política mineira e a áspera natureza do sertão para se estabelecer num dos lugares mais vigiados do país: a Demarcação Diamantina. Na trama deste romance de estreia de Alberto A. Reis, grupos de trapaceiros, homens de bem, políticos, escravos e contrabandistas se digladiam pelas riquezas de Minas Gerais, enquanto um terrível segredo de família é aos poucos revelado. As aventures desses personagens, contadas porum narrador de humor ácido e notável erudição histórica, mapeiam um Brasil contraditório, sofisticado e rústico, marcado pela escravidão feroz e pela busca de uma identidade nacional.

Pois sou um bom cozinheiro, de Daniela Narciso e Edith Gonçalves
Se algumas das nossas principais memórias afetivas se apresentam através do paladar, o bon vivant Vinicius de Moraes sabia muito bem disso e gozava a vida (também) graças a bons pratos. Carioca da Gávea, Vinicius utilizava a culinária para revisitar sua infância, tempo em que dividia travessuras com os irmãos na “casa materna”, inventava nomes para as guloseimas e as saboreava profusa e demoradamente. A saudade dessa época se manifestava quando, já adulto e vivendo longe do país, pedia comida confortável, aquela que nos remete ao lar e nos abraça a cada garfada. Costumeiras eram também suas visitas a bares e restaurantes, onde tinha, em cada um, seu prato de estimação. Iguarias que eram rebatizadas com poesia por um autor para quem tudo era lirismo, incluindo aí sua maneira de beber e comer. Esta edição ricamente lustrada reúne algumas das receitas mais estimadas pelo poeta e compositor. Uma animada festa de acepipes, pratos e guloseimas que pode ser reproduzida na cozinha de cada leitor.

O coronel Chabert, de Honoré de Balzac
Tido como morto durante uma importante batalha, ao voltar para casa depois de anos de errância e sofrimento, o coronel Chabert já não encontra lugar no mundo. Sua mulher, herdeira de toda a fortuna, casou-se de novo e teve dois filhos; sua casa foi demolida; até a rua em que morava foi rebatizada. No cenário político francês, a desordem do começo do século XIX, quando o Império cedia lugar à Restauração, cria uma dissonância ainda maior entre o protagonista e seu tempo. Despossado de seus bens e de seu nome, o antigo herói das guerras napoleônicas pede ajuda ao advogado Darville para se lançar com todas as forças em uma última batalha, pela retomada de sua identidade. Publicado originalmente em 1832, o romance integra A comédia humana, de Honoré de Balzac (1799-1850). Sombrio drama de amor, O coronel Chabert revela a habilidade de um dos cânones da literatura ocidental para pentrar o coração humano e escancarar toda a sua impudência.

Meu nome é vermelho, de Orhan Pamuk
Narrativa policial, um amor proibido e reflexões sobre as culturas do Oriente se reúnem neste livro. Estamos em Istambul, no fim do século XVI. Para comemorar o primeiro milênio da fuga de Maomé para Meca, o sultão encomenda um livro de exaltação à riqueza do Império Otomano. Como prova da superioridade do mundo islâmico, as imagens devem ser feitas com técnicas de perspectiva da Itália renascentista. As intenções secretas do sultão logo dão margem a especulações, desencadeando intrigas e o assassinato de um artista que trabalhava no livro. Ao mesmo tempo, desenrola-se o caso de amor entre Negro, que volta a Istambul após doze anos de ausência, e a bela Shekure. Construída por dezenove narradores – entre eles um cachorro, um cadáver e o pigmento cuja cor dá nome ao livro -, a história surpreende pela exuberância estilística, que reflete o encontro de duas culturas.

Abadon, o Exterminador, de Ernesto Sabato
Publicado em 1974, este é o último e mais experimental romance de Ernesto Sabato. Fragmentado em sua estrutura, Abadon, o Exterminador, mistura histórias paralelas, análise filosófica e crítica literária: o foco pode estar em diversos acontecimentos de um único dia em Buenos Aires, mas também pode estar no bombardeiro de Hiroshima ou na Guerra do Vietnã. A obra encerra uma trilogia iniciada com O túnel (1948) e recupera diversos personagens desses livros, num diálogo interno que faz da indagação sobre o processo de escrita um de seus motores principais. Clássico da literatura latino-americana, este livro é o testamento de um autor que perdeu a fé na unidade da experiência e expressou a descrença por meio da dilaceração máxima da forma literária.

Pileques, de F. Scott Fitzgerald
Os píncaros da alegria etílica e o tenebroso abismo do vício se encontram nesta seleção de textos sobre álcool de um dos mais brilhantes autores do século XX. Reunindo pequenos textos confessionais, aforismos e cartas, Pileques mostra as delícias e os desastres provocados pela ingestão (em doses industriais, no caso) de álcool. Autor de O Grande Gatsby, Francis Scott Fitzgerald aproveitou à beça os chamados “anos loucos”: festas, viagens e muita bebedeira. Mas a paixão por drinques,  que no início assegurava um comportamento mais leve e divertido em festas e encontros entre os literatos da época, desandaria para um brutal alcoolismo. Neste livrinho simpático e algo demoníaco, copos são virados em Nova York, Paris e Londres; a étiquette do bom bebedor manda, entre outras coisas, jamais oferecer champanhe de segunda para uma orquestra;  os hotéis europeus são uma sucessão de gafes estéticas (mas sempre bem fornidos de garrafas); as cartas são escritas à base de muitos drinques; Nova York, a “cidade perdida”, é um cenário para acomodar bares clandestinos sem fim. Tudo isso vem irresistivelmente embalado ao som do texto sincopado e jazzístico de um dos maiores prosadores da língua inglesa.

Uma aventura parisiense, de Guy de Maupassant
Nesta seleção de contos de Guy de Maupassant (1850-1893), o leitor encontrará muitas formas de amor: mulheres à procura do par ideal, um homem obcecado por uma desconhecida, outro atormentado com a possível traição da esposa. E também amantes golpistas, culpados e poligâmicos. Histórias  como “Uma aventura parisiense”, de uma mulher que vai à Paris tomada por “uma curiosidade insatisfeita, por uma tentação pelo desconhecido”, buscando encontrar a sensualidade que ela lê nos relatos dos jornais de variedades, mostram toda a habilidade do autor para as narrativas curtas. E, contempladas nesta edição, estão também o belíssimo “Sobre a água”, que narra a paixão de um velho barqueiro pelo rio, e alguns contos fantásticos que Maupassant escreveu em sua prolífica carreira como escritor.

1 comentários:

  1. Balzac, Fitzgerald... poxa, só autores feras! Adoro a Companhia das Letras!
    Isabela

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Muito obrigada pelo Comentário!!!!