Resenha: “A Insustentável Leveza do Ser” de Milan Kundera

Saudações Leitores!
Como eu queria ler A Insustentável Leveza do Ser*! Fazia anos que ouvia falar da obra e nunca tinha atentado para de fato realizar o desejo de leitura, enfim a oportunidade chegou e abracei-a com gosto. Foi uma leitura que me surpreendeu: não foi o que eu esperava, mas foi algo muito bom e intensa.


A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera, São Paulo: Companhia das Letras, 2008, 312 pág.
Traduzido por Tereza Bulhões Carvalho da Fonseca

Nesnesitelná Lekkost Bytí no Brasil A Insustentável Leveza do Ser foi publicado originalmente no ano de 1984, pelo autor tcheco Milan Kundera. Foi adaptado para o cinema em 1988 com o título The Unbearable Lightness of Being.
O romance acontece na cidade de Praga e Zurique em 1968, mas não se detém apenas nesse ano, ela começa aí e segue por décadas. A narrativa também acontece na época da invasão da Tchecoslováquia pela Rússia, ou seja, o clima de tensão política também é encontrado nas páginas do livro. A Insustentável Leveza do Ser acompanha a trajetória de Tomas, Tereza, Sabina e Franz. Tudo o que está relacionado ao amor e as traições pertinentes ou não numa relação.
"Só o acaso pode nos parecer uma mensagem. Aquilo que acontece por necessidade, aquilo que é esperado e se repete cotidianamente é coisa muda apenas. Somente o acaso tem voz. Tenta-se ler no acaso como as ciganas lêem no fundo de uma xícara os destinos deixados pela borra do café." (p.51)
A Insustentável Leveza do Ser é dividido em sete partes: A leveza e o peso; A alma e o corpo; As palavras incompreendidas; A alma e o corpo; A leveza e o peso; A grande marcha; O sorriso de Karenin. Estas partes versam sobre os quatro personagens e a forma de viver e refletir sobre a vida e suas relações pessoais e amorosas.
O que posso falar mais sobre esse livro? Sabe aquele livro superestimado que todo mundo fala, que tem filme e que todo mundo tem vontade de ler [mas geralmente não leram]? Pra mim, esse livro era A Insustentável Leveza do Ser, na verdade eu nem ao menos me preocupei em saber sobre o que era o livro, de fato, além do mais quase não tinha informações sobre o escritor, mas eu criei uma vontade enorme de lê-lo e ano após anos a vontade foi apenas crescendo.
"O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma multidão inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (esse desejo diz respeito a uma só mulher)." (p.20)
Enfim, o grande dia chegou e pude ter em mãos a obra de Milan Kundera, não pestanejei em ler. Minha opinião é que o livro aborta temas muito filosóficos, mas que são muito pertinentes porque nem sempre paramos para refletir sobre eles e o livro nos ajuda a lembrar de tais temas e, de certa forma, acabamos por perceber que já temos alguma opinião formada sobre o assunto.
Não obstante, eu achei A Insustentável Leveza do Ser muito [muito mesmo] filosófico e como já faz algum tempo que não tenho uma leitura tão densa eu meio que me arrastei e percebi que tenho que ler mais clássicos, porque eles são demasiadamente indispensáveis para uma compreensão mais universal da vida e a leitura que entretém também ensina-nos a pensar sobre a universalidade dos sentimentos.
"A história é tão leve quanto a vida do indivíduo, insustentavelmente leve, leve como a pluma, como uma poeira que voa, como uma coisa que vai desaparecer amanhã." (p.219)
Gostei bastante da leitura, apesar de achar difícil e diferente do que estou lendo nesses últimos tempos, foi muito gratificante e, sim, espero reler este livro e poder retirar dele ainda mais reflexões filosóficas que me passaram despercebidas na minha primeira leitura.
Para finalizar, vou me abster de indicações, porque não quero ter culpa no cartório caso vocês leiam e não gostem, Milan Kundera, definitivamente, não é uma leitura para todos, atrevo-me a dizer que A Insustentável Leveza do Ser teria me frustrado se eu soubesse mais ou menos do que se tratava, mas como eu só tinha vontade de ler o livro acabei me surpreendendo, e isso foi um dos pontos positivos durante minha leitura, mas foi bem arriscado.
"Não se brinca com as metáforas. O amor pode nascer de uma simples metáfora." (p.16)
 
*Este livro foi cortesia da Editora Companhia das Letras, para saber mais sobre o mesmo, clique AQUI.

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