Resenha: "A Melodia Feroz" de Victoria Schwab

A Melodia Feroz, Victoria Schwab, São Paulo: Seguinte, 2017, 384 pág.
Tradução: Guilherme Miranda
COMPRAR: Amazon, Saraiva

Saudações Leitores!
This Savage Song (título original) é o primeiro livro de uma - até então - duologia intitulada Monstros da Violência escrita por Victoria Schwab que já conta com alguns livros publicados no Brasil: A Guardiã de Histórias (Bertrand Brasil), Um Tom Mais Escuro de Magia (Record) e A Bruxa de Near (Planeta). Confissão de leitora: apesar de Victoria Schwab ter todos estes livros já publicados no Brasil, este é o meu primeiro contato com ela.

Nesse livro nos deparamos com uma estória de fantasia com uma premissa bastante interessante, já que existem monstros, mas eles nascem a partir dos atos de violência dos seres humanos: os homicídios, atentados e terrorismos e também casos não letais de violência. Para cada tipo existem monstros específicos.
"Muitos humanos são monstruosos, e muitos monstros sabem se fazer de humanos. (V.A. Vale)" (p.7)
Os monstros mais comuns são os Corsais (não suportam a luz e comem carne e ossos), os Malchais (conseguem vive na superfície e sob a luz do sol, mas tiram suas forças da noite, além do mais estes monstros se alimentam de sangue) e por fim, temos os Sunais (tipo de monstro raro, que nasce a partir de mortes em massa, sua aparência é a mesma que os humanos, excetuando os olhos, se alimentam da alma dos pecadores, mas para isso precisam de habilidades musicai - canto ou instrumento).

Dito isso, vamos a ação do livro: August é um monstro do tipo Sunai e passa a estudar na escola Colton a fim de ficar de olho em Kate, uma adolescente filha de um dos mais poderosos e cruéis lideres humanos Collum Harker. Tudo o que esta garota quer é provar para o pai que é parecida com ele. 
"Você queria se sentir vivo, certo? Não importa se é monstro ou humano. Viver dói." (p.315)
Existe a Cidade V que vive em relativa paz devido a tratados e tréguas, mas tudo isso está por um fio, quando algumas pessoas se unem e tramam algo para destruir esta paz e iniciarem uma guerra pelo domínio total da Cidade V, já que esta está dividida entre Norte e Sul, separada por uma Fenda. É aqui que August e Kate se vêem envoltos: no meio de tramoias e peculiaridades que jamais estariam esperando, isto é, os dois serão apunhalados de todos os lados o que irá levar o livro para uma aventura surpreendentemente eletrizante.
"A questão, afinal, não era apenas o pecador, era o pecado em si, a sombra que consumia a luz humana.E August não era humano.Não era feito de carne e osso, ou poeira de estrelas." (p.374)
Vou ser bem franca, quem espera um romance em A Melodia Feroz provavelmente irá se decepcionar, o livro aborda questões mais profundas e dicotômicas: Paz X Guerra, Monstros X Humano, Verdade X Mentira, Confiança X Desconfiança, Família X Amigos, provavelmente ler este livro lhe fará refletir em muito mais coisas do que geralmente estamos acostumados, pois é comum sermos levados a pensar apenas em superficialidades como calçados, roupas, celulares, vida dos artistas, comida, etc... questionamentos e pensamentos mais filosóficos e originais estão particularmente escassos.
No entanto, tenho que admitir que demorei pegar gosto por A Melodia Feroz, parecia-me uma abordagem completamente teen e inesperada, pois minha expectativa para o livro era algo mais aterrorizador, com mais suspense e algo que me fizesse ter medo de dormir, sabe? Então quando comecei a ler e não vi o que esperava fez com que a narrativa se arrastasse e eu demorasse a me "encontrar" na história, mas após esse "encontro" o livro realmente me agradou. Não posso, contudo, dizer que foi um dos melhores, mas foi bastante agradável e gostei da forma como ele me fez sentir o que me fez refletir durante a leitura.

Acredito que existem diversas formas de gostar de um livro seja pelo enredo, pelos personagens, pela narrativa, pelo forma como o lemos, pelo tempo que o lemos e pela que o livros nos fez sentir quando virávamos suas páginas, A Melodia Feroz, me fez sentir que eu precisava refletir mais sobre minha vida, meus atos e a humanidade das pessoas, por isso, tenho-o - desde que terminei sua leitura - como um livro especial e gostaria que você, caro leitor, também viajasse por estas páginas.

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