Resenha: "O Beijo Traiçoeiro" de Erin Beaty

O Beijo Traiçoeiro, Erin Beaty, São Paulo: Seguinte, 2017, 440 pág.
Tradução: Guilherme Miranda
COMPRAR: Amazon, Saraiva

Saudações Leitores!
The Traitor's Kiss no Brasil recebeu o título de O Beijo Traiçoeiro o que foi bem legal terem mantido uma tradução literal do título original, pois tem muito a ver com o conteúdo. O livro foi escrito pela norte-americana Erin Beaty.

Esse livro é uma das grandes apostas da Editora Seguinte para esse segundo semestre de 2017 e é perceptível - após a leitura - os motivos para a aposta, já que o livro segue uma receita impecável para o sucesso: é bem escrito, tem uma narrativa fluída, enredo intrigante e personagens marcantes.

Em O Beijo Traiçoeiro vamos acompanhar Sage Fowler ruma jovem em idade de casar, mas não tem a mínima inclinação para o casamento, pois seu temperamento rebelde, sua ansiedade por conhecimentos e sua personalidade forte não a tornam uma dama, além disso é uma plebeia e para completar é órfã, vivendo de favores na casa de seus tios e sendo tutora de seus primos.
No entanto, seus tios querem "se livrar da cruz" e da responsabilidade de cuidarem de Sage então contratam uma das melhores casamenteiras, Darnessa, para que encontre um marido aceitável para a jovem. Obviamente, tal acordo entre seus tios e a casamenteira se torna um ponto de desavença para Sage e um problema, contudo a jovem se vê envolvida em um acordo com a Casamenteira e passa a trabalhar para ela, assim como manda a tradição em Demora, várias jovens de família rica partem para o Concordium com a casamenteira em busca de firmarem acordos de casamento.

É nesse meio tempo que um grupo de guardas passa a escoltá-las e Sage se vê envolvida com um desses guardas: Ash Carter, pois está querendo informações sobre possíveis noivos para as jovens sob a responsabilidade da Casamenteira. Mas o trajeto não é tão simples, pois a nação está passando por desavenças e várias conspirações para destruir o rei. É a escolta militar que tentam bolar um plano para descobrirem mais a cerca desse complô. Claro que Sage, sem perceber, acaba se envolvendo e muito com toda essa confusão.

Então temos um enredo todo envolto em aventura, espionagem, estratégias de ocupação, espadas, romance e muitos desentendimentos no meio dessa história, mas a forma como tudo isso está junto e misturado se tornou envolvente e eletrizante, para falar a verdade, a escritora, Erin Beaty, soube ligar todos os fios que expôs em sua narrativa e ainda surpreendeu com algumas revelações, mas tirando essa "surpresa" todo o resto foi meio genérico - mais do mesmo, algo previsível e clichê. Essa minha afirmação pode estar soando um pouco depreciativa, mas não é, pois gostei muito do que li, contudo, tenho algumas ressalvas em relação ao que senti lendo O Beijo Traiçoeiro.
Minha opinião particular sobre O Beijo Traiçoeiro mesmo tendo que gostado bastante do livro e lido bem mais rápido do que pensei que leria, senti e tive algumas impressões que me inquietaram não em relação a esse livro em particular, mas uma boa quantidade de livros publicados nestes últimos tempos.

Ultimamente, a maior parte dos romances (sobretudo os jovens) está caracterizando muito um padrão feminino: a personagem rebelde que vai contra as regras sociais e chama atenção por isso. Isso é incrível porque nos faz querer ser diferentes e quebrarmos as regras de um modelo padrão para o comportamento feminino, ou seja, vemos uma maior liberdade feminina para ser e fazer o que quiser, no entanto, se avaliarmos bem, antigamente os livros mostravam personagens femininas indefesas que necessitavam ser protegidas e precisavam casar, atualmente as mulheres são representadas de forma rebelde, como se um comportamento que foge ao padrão antigo fosse sinal de rebeldia. Não sei se isso nos leva a igualdade dos gêneros ou chama ainda mais a atenção para as diferenças. Os homens agirem com agem não é sinal de rebeldia, é considerado um comportamento normal, porque com as representações femininas não acontece o mesmo? Um comportamento mais ousado é chamado de rebeldia? Não dá, se fosse apenas um caso a parte, mas já tá demais: quase todo livro é assim. 
Não queria criticar, mas apenas fazer uma observação sobre esse sentimento que tenho ao ler esses livros, pois eles continuam mostrando as diferenças dos gêneros, mesmo apresentando personagens femininas fortes, opiniosas. Não há um tratamento igualitário, entende? Contudo, reconheço que O Beijo Traiçoeiro a intenção foi boa e a história se passa em um tempo passado em que os pensamentos eram mais falocêntricos e é normal o comportamento de Sage ser visto como rebelde, mas tudo isso representado nos livros com tanta frequência e dessa maneira me incomoda um pouco.

Como mulher, e sendo feminista não quero que meu comportamento ou minhas opiniões sejam consideradas atitudes e ações de rebeldia, pelo contrário quero ser vistas com igualdade, com normalidade, sem assombro e sem distinção.

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