Resenha: "Bela Maldade" de Rebecca James

Bela Maldade, Rebecca James, Rio de Janeiro: Intrínseca, 2011, 304 pág.
Tradução: Maria Luiza Borges
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Saudações Leitores!
Bela Maldade (Beautiful Malice) escrito pela australiana Rebecca James é um livro que tenho há muitos anos na estante e que adquiri por incentivo de uma amiga que na época o leu e adorou. Quando comprei o exemplar a intenção era ler logo, mas apenas agora consegui ler. Ou seja, após anos tomei vergonha na minha cara e li.

Eu já sabia que a história seria forte e eu ficaria envolvida, o que de fato aconteceu. Há todo uma atmosfera de suspense durante toda a narrativa, um mistério algo que aconteceu que mudou a vida da personagem principal: Katherine, mas que não sabemos logo de início, pois tudo será exposto de forma paulatina e vai mexer com nossos nervos.
"Tenho meus segredos e aprendi que fazer perguntas só serve para me expor ao risco de ser interrogada também. É mais seguro não ser muito curiosa em relação aos outros, é mais seguro não perguntar."
A narrativa é feita em primeira pessoa, através dos relatos de Katherine, mas não se trata de uma narrativa feita em ordem cronológica, há muitas idas e vindas no tempo, vários fashbacks e isso exige, de certa forma, uma atenção maior do leitor.

Logo no início de Bela Maldade sabemos mais ou menos o final do livro, pois temos o relato de um acontecimento marcante, mas de fato, não sabemos o que irá acontecer, pois a história mesmo é mais relevante que o fim. 
"Eu acho que, se você é um verdadeiro amigo, tem de aceitar as pessoas como são. As coisas divertidas e às chatas. O que é bom e o que é ruim."
Durante a narrativa sabemos que uma tragédia aconteceu com Katherine e sua família: que está relacionado com a perda de Rachel, irmã mais nova de Katherine. Obviamente a personagem principal se sente culpada pela morte da irmã e, ao meu ver, é claro que ela tem sua parcela de culpa, mas não apenas ela.
Após a tragédia, Katherine muda-se e tenta retomar sua vida sendo que opta por ter uma vida completamente diferente da que tinha: escolhe ser invisível, mas seu projeto não dá certo, pois na nova escola Alice se aproxima dela e, com seu jeito louco, espontâneo e egoísta muda sua vida.

Alice é totalmente louca e tem uma atitudes bem maliciosas, fato que me incomodou um pouco, pois Katherine via os defeitos da amiga e fingia não ver, sendo que isso me pareceu uma atitude inocente demais para quem já tinha passado por uma tragédia. Mesmo após tantos avisos dos amigos mais próximos.
"_Ela é como uma droga. Nunca tomo o bastante. _ Ele parece triste de repente. _ Sei que ela me faz mal, sei que nunca serei feliz com ela, mas não consigo me controlar. Não importa o que faça comigo, eu simplesmente volto pedindo mais. _ Ele dá de ombros e desvia o olhar. _ Tenho um vício. Sou viciado em Alice."
A forma como as coisas vão se encaixando e a narrativa vai tomando proporções épicas, acabamos juntando vários fatos e conhecendo os motivos de Katherine se sentir culpada e isso afeta até a relação que ela tem com Alice, pois de certa forma se sente responsável pela amiga. E também começamos a entender os problemas psicológicos de Alice, os seus motivos (que não justificam suas ações terríveis).
Bela Maldade  é um livro genial, pois ao ir jogando informações aos pedaços faz com que o leitor se empenhe também em juntar as peças do quebra cabeça e descobrir o que aconteceu, está acontecendo e poderá acontecer. Todo o desenvolvimento e os acontecimentos são fortes, e tudo está conectado de forma a fazer todo o sentido, inclusive o desenrolar da narrativa, que é triste, deprimente, mas tem sua parcela de esperança que todas as histórias deveriam ter mesmo quando acabam.
"Mas só consigo olhar para os olhos de Alice. Eles são frios, avaliadores, e as pupilas, tão dilatas, que tudo o que posso ver é escuridão. Dura e inflexível. Profunda. Implacável. Ali, só há trevas."
No geral considerei Bela Maldade um livro muito bom, apesar de alguns detalhes fracos (principalmente a ingenuidade de Katherine e a de um determinado rapaz) sem dúvida, é um livro que, por ser um thriller psicológico, vai estimular o leitor, envolvê-lo na teia da narrativa e prendê-lo até a última página. No entanto, sendo bem honesta, pela reação da minha amiga após a leitura desse livro eu esperei mais dele, mesmo que o que eu tenha lido tenha me agradado muito, senti falto de uma narrativa mais gótica e com personagens mais proativos. Tirando Alice os demais personagens pareciam tão frios, sem vida e conformistas. Dava-me até uma agonia.
"O que eu quis dizer foi que se você vê um sentimento mau em si mesmo, não gosta dele e tenta não senti-lo, então isso é bom. Ninguém é de fato inteiramente bom. Pelo menos é o que eu acho. Tentar ser bom, ou ao menos tentar não ser mau, provavelmente é o mais perto que conseguimos chegar."

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