Resenha: "As Crônicas de Nárnia: O Sobrinho do Mago (Crônica 1)" de C.S. Lewis

 As Crônicas de Nárnia (Volume Único), C.S. Lewis, São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009, 752 pág.
Crônica 1: O Sobrinho do Mago (1-98 pág)
Tradução: Paulo Mendes Campos
Ilustração: Pauline Baynes
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Saudações Leitores!
Resolvi desmembrar meu volume único de As Crônicas de Nárnia (The Complete Chronicles of Narnia) do escritor britânico Clive Staples Lewis, mas conhecido como C.S. Lewis, para falar sobre cada Crônica separadamente, pois isso também combina com o projeto do Diário de Leitura que estou realizando. Portanto essa resenha vai ser um pouco mais expositiva.

Muito já ouvi falar sobre As Crônicas de Nárnia coisas boas e ruins, alguns acharam chato, outros não conseguiram terminar e abandonaram, outros amaram. Tendo o exemplar em mão há tantos anos, resolvi tirar minhas próprias conclusões e de antemão já digo que a primeira crônica foi muito gostosa de se ler. Amei.

C.S. Lewis escreveu sete crônicas para compor As Crônicas de Nárnia escritas entre 1949 e 1954, no entanto foram publicadas apenas entre 1950 e 1956:
1. O Sobrinho do Mago
2. O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa
3. O Cavalo e seu Menino
4. Príncipe Caspian
5. A Viagem do Peregrino da Alvorada
6. A Cadeira de Prata
7. A Última Batalha

O mais interessante é que as crônicas acima estão organizadas segundo a ordem cronológica dos acontecimentos, mas a ordem de escritura e publicação é bem diferente da que expus acima, tendo em vista que a primeira crônica escrita foi "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa", pois a princípio Lewis não tinha intenção de escrever uma série de livros, mas o sucesso e o apoio foi grande e ele acabou escrevendo outros seis livros, alguns que iriam explicar acontecimentos anteriores e "fios soltos".

Desse modo a ordem de publicação, portanto é:
2. O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (1950)
4. Príncipe Caspian (1951)
5. A Viagem do Peregrino da Alvorada (1952)
6. A Cadeira de Prata (1953)
3. O Cavalo e seu Menino (1954)
1. O Sobrinho do Mago (1955)
7. A Última Batalha (1956)
Alguns dos leitores mais fervorosos dizem que a melhor forma de ler As Crônicas de Nárnia é seguindo a ordem de publicação, pois foi assim que o universo de Nárnia foi concebido na cabeça do escritor, mas outros já sugerem a ordem cronológica dos fatos narrados. (Achei bem interessante isso!)

De todo modo, eu já tinha ouvido e lido sobre C.S. Lewis ser um escritor que fazia muita apologia cristã em seus livros, mas até então eu não tinha lido nada sobre o autor, mas após iniciar As Crônicas de Nárnia, fica evidente que as apologias não só em relação ao surgimento de Nárnia (que é bem similar similar ao surgimento do mundo segundo a Bíblia), mas a simbologia dos personagens, a tentação da árvore e fruto proibido feito por uma feiticeira banida, além de prever comportamentos execráveis dos humanos, como o próprio leão Aslam chama: os filhos de Adão e Eva.
"_ Pois muito bem: eu vou. Mas tem uma coisa que faço questão de dizer antes de ir: até hoje não acreditava em magia. Agora sei que existe. Sendo assim, acho que os velhos contos de fada são todos mais ou menos verdadeiros. E o senhor não passa de um bruxo cruel como os que existem nos contos. Escute então: nunca soube de um bruxo que não acabasse pagando por sua maldade no final da história. É só."
Particularmente, achei O Sobrinho do Mago uma crônica incrível com cenas devidamente memoráveis, que irão permanecer o meu imaginário por muito tempo, como a cena da criação de Nárnia, a cena em que o menino Digory se lança ao desconhecido para salvar sua amiga Polly e a forma como ambos se lançam ao mundo desconhecido para levarem a feiticeira má, Jadis, de volta ao mundo mágico. São cenas incríveis e bravas.

Adorei a crônica do começo ao fim, a forma como começa apresentando os personagens, duas crianças maravilhosas que se tornam amigas e vão viver esta aventura: Digory e Polly, a forma como apresente o tio André como alguém egoísta e covarde. Também gostei de tudo o que levou Digory e Polly para um mundo desconhecido e como Nárnia ainda permanece no mundo "real" mesmo quando as crianças voltam para a Londres "contemporânea". Parece que tudo se encaixa tão bem, é uma fantasia que conseguiu me convencer de que aquilo ali - por mais surreal que fosse - pudesse de alguma forma ser real.

"O Leão andava de um lado para o outro na terra nua, cantando a nova canção. Era mais suave e ritmada do que a canção com a qual convocara as estrelas e o sol; uma canção doce, sussurrante. À medida que caminhava e cantava, o vale ia ficando verde de capim. O capim se espalhava desde onde o Leão, como uma força, e subia pelas encostas dos pequenos montes como uma onda. Em poucos minutos deslizava pelas vertentes mais baixas das montanhas distantes, suavizando cada vez mais aquele mundo novo."
Sem contar que em O Sobrinho do Mago me deparei com cenas, diálogos e situações engraçadas, espevitadas e uma completa aventura do começo ao fim, confesso que no começo eu não entendia como era possível anéis levarem as crianças a poderem viajar entre os mundos, mas entendi que aquilo ali era um instrumento de uma essência maior: a alma de Nárnia que sabia como ir e voltar, portanto em poder da essência daquele mundo as crianças também conseguiriam aquele feio, não é?

Posteriormente, com o Leão Aslam criando e desmitificando Nárnia se tornou tudo tão mais claro e esplêndido. Nárnia, é um lugar encantado onde qualquer pessoa gostaria de morar, mas tudo que é mágico e incrível corre sempre o risco de poderes maliciosos, então é isso que representa a Feiticeira, sempre a espreita de uma oportunidade. 
Achei tudo fantástico! Comprei mesmo a ideia que Lewis apresentou e seguirei lendo feliz da vida, ainda mais porque a próxima crônica é O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa que, na ordem de escrita e publicação, foi a primeira que viu "a luz do dia".
"Oh, Filhos de Adão, com que esperteza vocês se defendem daquilo que lhes pode fazer o bem!"
Vale lembrar, antes de finalizar minha primeira postagem sobre As Crônicas de Nárnia que este livro já sofreu várias adaptações na integra ou parcialmente para rádio, televisão, teatro e cinema, e tal fato torna ainda mais conhecida a obra e desperta a curiosidade de novos leitores.

Acredito que estou gostando ainda mais de As Crônicas de Nárnia por ela apresentar elementos tão incríveis e promotores de debates como temas religiosos, mitologia grega e nórdica, além daquele tom de contos de fadas com seres presentes nestes livros (olha a feiticeira marcando presença) além de fabulas (onde os animais falam e tem sentimentos).
"_Criaturas, eu lhes dou a si mesmas. Dou-lhes para sempre esta terra de Nárnia. Entrego-lhes as matas, os frutos e os rios. Entrego-lhes as estrelas e entrego-lhes a mim mesmo. Seus também são os animais mudos. Cuidem deles com bondade, mas não lhes sigam os caminhos, sob pena de perder a fala. Pois deles foram gerados e a eles poderão retornar. Não o façam."




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