Resenha: "Nas Montanhas do Marrocos" de Luisa Bérard

Nas Montanhas do Marrocos, Luisa Bérard, Recife, PE: Ed. do Autor, 2017, 564 pág.
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Saudações Leitores!
Recentemente finalizei a leitura de Nas Montanhas do Marrocos, livro de estreia de Luisa Bérard, e foi uma completa surpresa para mim por diversos motivos: a qualidade da narrativa, a pesquisa realizada pela escritora, o enredo encantador e nem preciso dizer que os personagens foram muito bem caracterizados, tantos os principais quanto os secundários (maduros, inteligentes, sedutores, etc).

No livro, Nas Montanhas do Marrocos, vamos acompanhar Katherine Hartington que é a mocinha do nosso romance, ela tem uma vida tranquila, mas tudo começa a mudar quando se aproxima da data de seu debute em Londres e ela tem que se preparar para esse evento, mesmo que não esteja nenhum pouco interessada em arranjar casamento, pois prefere ficar aprendendo formas de gerenciar propriedades com sua tia Margareth, no entanto, isso é uma tarefa totalmente contrária aos anseios de sua mãe.

"É formidável a habilidade que algumas pessoas têm de tornar o impossível uma realidade."
Com a aproximação do debute e a primeira temporada de Katherine em Londres toda a família vai para a cidade e obviamente nossa mocinha encanta vários rapazes, alguns que lhe propõem casamento. No entanto, como a tia Margareth adoece, Katherine descide desistir da temporada para ficar com a tia e acaba fugindo dos casamentos que sua mãe insiste em tentar arrumar.

No entanto, posteriormente, um amigo de Katherine a procura para propor casamento, então ela vê uma viagem como a alternativa para fugir desse destino, mal ela sabia que esta viagem iria levá-la ao seu real destino... Durante a viagem imprevistos acontecem - algo bem surpreendente - e é quando, finalmente, irá se deparar com o nosso mocinho: Fahid, que levado pelo destino encontra Katherine e a reconhece de imediado, de quando esteve em Londres. Sim, Fahid já era um crush por Katherine! (BERRO)
"A expectativa da viagem estava me consumindo dia após dia. A capacidade do ser humano de criar realidades idealizadas acaba gerando situações piores do que as realidades concretas da vida. Era exatamente isso que estava acontecendo comigo. De tanto pensar sobre as implicações da viagem a Londres, acabei fantasiando uma série de contextos desvinculados do mundo real."
A pesar do começo de relacionamento difícil e inesperado, Fahid e Katherine se apaixonam, mas nem tudo são flores, pois é claro que há muitos inconvenientes na relação dos dois, principalmente levando em consideração que Fahid pertence a nobreza marroquina e é filho de um príncipe. (AiAiAi)

Vamos acompanhando a história desse casal lindo, mas também acompanhamos as buscas da tia Margareth por Katherine (a única que acredita que ela não morreu), e é agoniante querer vê-la voltar para Londres, mas também ansiar que ela fique com Fahid. Sem dúvida o casal tinha uma química especial, entendiam-se muito bem e ajudavam um ao outro numa cumplicidade linda. (Suspiros)
"Perdão pela minha ousadia, mas quando é que o ser humano foi livre para alguma coisa?! Independentemente do local onde tenhamos nascido, estamos incontornavelmente presos aos costumes, expectativas familiares e a uma infinidade de outras obrigações paralelas."
Nas Montanhas do Marrocos é um livro cheio de emoção, que não vou falar muito para não tirar as várias surpresas e revelações, mas além de tudo isso, este livro, nos transporta para uma Inglaterra/Londres de 1847 e para cidades no Marrocos como Fez, Marrakesh e o Saara, é impossível não se encantar com a riqueza de detalhes mostrados por Luisa Bérard. A escritora é bem minuciosa em suas descrições e relatos, além disso usa uma linguagem mais trabalhada, pontos que achei bem singular e estiloso, mas para muitos leitores pode incomodar um pouco (devo reconhecer isso), mas isso só prova que ela buscava escrever uma obra realmente boa, detalhista e que se adequasse a época que em que se passava sua estória.

Realmente foi uma boa surpresa ler Nas Montanhas do Marrocos e o principal motivo foi a forma como a narrativa foi construída, os personagens maduros e inteligentes, além de ver os clichês gostosinhos já tão comuns do gênero de época eles ainda nos comovem e, aqui, chegam a surpreender. Luisa Bérard elevou a outro patamar o romance de época escrito por brasileiros. Tornei-me fã de outra romancista brasileira recentemente: Babi A. Sette e agora posso dizer que espero ansiosa por outro livro de Luisa Bérard, pois eu também estou encantada por esta escritora.

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