Resenha: O Bom Partido - Curtis Sittenfeld

segunda-feira, maio 06, 2019

O Bom Partido, Curtis Sittenfeld, São Paulo: Planeta/Essência, 2019, 320 pág.
Tradução: Alexandre Barbosa de Souza
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Saudações Leitores!
O Bom Partido (Eligible, 2016) escrito pela americana Curtis Sittenfeld tem a proposta de ser uma releitura de Orgulho e Preconceito (Jane Austen) em uma versão moderna deste clássico. A nova versão segue um estilo chick-lit, com um trato singular da escritora para colocar os elementos contemporâneos dentro da estória, além de, claro, temas importantes nos dias atuais.

O interessante em O Bom Partido é que o livro, mesmo trazendo com humor situações similares do clássico Orgulho e Preconceito (o nome dos personagens também!), aborda temas importantes da nossa contemporaneidade, dá algumas alfinetadas em nosso modo de viver e também mostra como tem muitas coisas que não mudaram tanto assim desde o início do seculo XIX (em que o clássico foi ambientado) e nosso começo do século XXI.

Neste livro vamos acompanhar as confusões da Família Bennet. Quando o sr. Bennet adoece e tem que passar por uma cirurgia, fazendo com que todos fiquem preocupados com sua saúde, Lizzy e Jane, as filhas mais velhas (38 e 40 anos respectivamente) saem de Nova York (onde moram) e vão para Cincinnati, Ohio, sua cidade natal, passarem uma temporada com a família e ajudar no restabelecimento do pai.
"_ Sua mãe acabou de me contar uma notícia trágica sobre o primo Willie _ comentou o senhor Bennet quando a família se reuniu para o jantar. _ Ele vem nos visitar."
Quando Lizzy e Jane - aqui pra nós, as filhas mais responsáveis - retornam à Cincinnati e à mansão estilo Tudor em que a família sempre viveu se deparam com um verdadeiro caos, após anos sem se preocuparem e tão pouco visitarem a família, elas encontram a mansão caindo aos pedaços, o pai se recuperando da cirurgia, uma infinidade de contas para pagar e uma verdadeira crise financeira que esgotou os recursos da família, para completar, a sra. Bennet é uma compradora compulsiva de inutilidades e as irmãs Mary, Lydia e Kitty (que já não são mais tão novas) não se preocupam em conseguir um emprego e vivem como dondocas ricas.
Longe de ser estes os únicos problemas dessa família: todas as irmãs Bennet são solteiras o que faz com que a sra. Bennet esteja sempre em desespero e a procura de maridos para as filhas. Mas além disso Jane está preocupada, pois seu sonho era, sim, ter uma família, mas seu relógio biológico está vencendo, pois aos 40 anos ela está correndo contra o tempo e já tenta engravidar por inseminação artificial.
"_ Você acha que porque ele te deu uma bicicleta cara, você é obrigada a dar para ele? Porque se não me engano, você já vem fazendo isso há algumas semanas."
Com a família toda reunida em Cincinnati - que é uma cidade bem pacata e onde as pessoas são umas fofoqueiras - o maior assunto da cidade é a mudança de Chip, um dos participantes do Reality Show "O Bom Partido", onde ele estava em busca de uma esposa. A sra. Bennet vê a oportunidade de empurrar o rapaz para uma de suas filhas solteironas.
É nesse ínterim que também conhecemos Darcy que é um médico bem sucedido e muito crítico, fazendo com que Lizzy o antipatize logo de cara, mas o que vai azedar ainda mais a relação desses dois é a falta de diálogo e desabafos, o que vai fazer com que haja uma série de desentendimentos, alguns trágicos e outros para lá de engraçados.

Em suma, vamos acompanhar minunciosamente a vida de cada um dos componentes da família Bennet vamos nos divertir bastante com as confusões, com os diálogos ácidos (sobretudo entre Liz e o Sr. Bennet) e com os problemas da família.
"_ A sua mãe preferiria tomar estricnina a não pertencer mais ao Cincinnati Country Club. _ A expressão do senhor Bennet se tornou sombria._ Será que devemos oferecer um pouco a ela?"
O Bom Partido vai além desses contexto familiar bem desenvolvido, vai abordar temas contemporâneos, dentro do cotidiano e das situações vivenciadas pelos personagens. Temas como: Preconceitos, Racismo, Feminismo, LGBTQ, Transexualidade, Relações Sexuais, Relacionamentos abusivos, Ciência, as cobranças sociais em relação as mulheres, entre vários outros assuntos pertinentes e críticos.
"Existe uma crença de que cuidar de alguém ou deixar que alguém cuide de você são coisa antifeministas. Eu não concordo. Não existe nada de vergonhoso em se dedicar a outra pessoa, contanto que a outra pessoa também se dedique a você."
Fazia bastante tempo que não me divertia tanto lendo um livro, de tal modo que comecei a ler O Bom Partido na intenção de ler paulatinamente, mas quando comecei, não consegui mais soltar e li descontroladamente até finalizar a leitura. É um livro viciante, divertido, envolvente.

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