Resenha: O Destino das Terras Altas (Os Murrays, vol.1) - Hannah Howell

terça-feira, junho 04, 2019

O Destino das Terras Altas (Os Murrays, Vol.1), Hannah Howell, São Paulo: Arqueiro, 2019, 272 pág.
Tradução: Thaís Paiva
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Saudações Leitores!
Algumas coisas me chamaram a atenção logo de cara para O Destino das Terras Altas (Highland Destiny, publicado originalmente em 1998), a primeira foi o a capa que é maravilhosa, em seguida o título e o fato da narrativa se passar na Escócia Medieval (AMO esse cenário) e a terceira foi porque já tinha ouvido falar da escritora Hannah Howell, mas nunca tive contato com os livros dela e pensei "Essa pode ser minha oportunidade de conhecer!", depois li a sinopse e gostei da proposta.
"... mas a mente é cheia de contradições. Ela nem sempre nos leva na direção certa, nem sempre nos conta a verdade. E nós mesmos acabamos permitindo que ela nos iluda, não importa quão astutos sejamos. Tenho certeza de que você já pensou em várias coisas que não eram nem sábias nem seguras e, pior, já agiu de acordo com esses pensamentos."
Para um primeiro contato com a escrita de Hannah Howell foi até interessante, mas confesso que esperei um pouco mais do livro tanto no quesito da fluidez de narrativa quando do próprio desenvolvimento do enredo. Vou explicar melhor.

Em O Destino das Terras Altas, a narrativa é ambientada na Escócia Medieval, no ano de 1430, onde vamos conhecer nossos protagonistas: Maldie Kirkcaldy e Balfour Murray. Ela é uma protagonista muito a frente de seu tempo: corajosa, inteligente e que busca cumprir uma promessa que fez para a mãe antes de morrer que é se vingar de Beaton. Ele é o chefe do clã Murray que vive em confronto com o clã Beaton, e que, no contexto da narrativa, tem seu meio-irmão mais novo, Eric, sequestrado por Beaton, portanto, o clã Murray encontra-se em "guerra" com os Beaton.
"Um aliado derrotado uma vez era melhor do que aliado nenhum, foi o que disse a si mesma enquanto se levantava. Na pior das hipóteses, eles poderiam ter informações que ela não possuía e que poderiam ajudá-la a atingir seu objetivo: matar Beaton."
No meio dessa guerra, Nigel Murray (irmão de Balfour) sofre um ferimento grave e a comitiva de Balfour já em retirada da batalha encontra Maldie no meio da estrada e como ela é curandeira acaba sendo solícita em ajudar Nigel, no entanto Maldie vê esse encontro como uma oportunidade de atingir sua vingança e um meio de sondar os Murrays como possíveis aliados.

De volta as terras dos Murrays: Donncoill, Maldie os acompanha e ajuda no restabelecimento da saúde de Nigel, ao passo que sonda as estratégias dos Murrays para resgatar Eric. No entanto, desde o encontro no meio da estrada, Maldie e Balfour, passam sofrer fulminantemente de uma tensão sexual enorme e eles tentam evitar o envolvimento por conta de seus objetivos: ela, a busca da vingança e ele, o resgate de Eric, contudo, o sentimento é mais forte que eles e acabam se envolvendo inevitavelmente.
"Ele ainda desejava a pequena Maldie Kirkcaldy mais do que seria razoável, mas prometeu a si mesmo que teria cuidado. Com a vida de Eric pendendo por um fio, ele não poderia permitir que a luxuria sobrepujasse a sabedoria. Maldie Kirkcaldy guardava um ou dois segredos, e ele ia fazer de tudo para descobri-los, mesmo enquanto se esforçava para satisfazer o desejo que sentia por ela."
O Destino das Terras Altas tem uma trama envolvente e o clichê que tanto gostamos em romances de época (medievais), embora em muitos pontos não tenha a fluidez necessária para nos "viciar", mas também tem seus problemas inquestionáveis e um deles é trazer uma narrativa que se prende bastante aos encontros amorosos entre Maldie e Balfour (cheios de cenas eróticas de tirar o fôlego) deixando em segundo plano aquilo que - ao meu ver - deveria ser o foco do livro: o resgate de Eric e a vingança contra Beaton.

Não sei se o fato de ter começado a ler O Destino das Terras Altas com expectativas demais fez com que alguns pontos se tornassem verdadeiros empecilhos para que me entregasse totalmente a narrativa e se tornaram "pedras no sapato", mas algumas coisas me incomodam quando vejo em livros como: romances fulminantes que acontecem rápido demais e sem um desenvolvimento e uma construção baseada no convívio ou cumplicidade. Óbvio que pode existir um amor à primeira vista, mas não creio que seja da forma como ocorreu aqui. Além do mais, ficava me perguntando se essa tensão sexual enorme era coerente com a situação vivida pelos personagens, por exemplo Maldie buscava vingança e aparentemente estava "focada" nisso, só que depois é como se ela esquecesse tudo. Balfour está no meio de uma guerra e se preparando para resgatar Eric e acaba não pensando em outra coisa além de Maldie. Não achei crível.
"Meu corpo pode ser puro, meu belo cavaleiro moreno, mas minha mente não é."
Não obstante, consegui gostar do livro e até estou curiosa para o próximo volume que irá contar a história de Nigel Murray. Sim, O Destino das Terras Altas é o primeiro livro de uma série enorme que pelo que pesquisei conta com 22 livros e vai ter livro sobre os irmãos, os filhos, os netos, parentes e tudo o que você puder imaginar dessa família.

Por Nigel ser um personagem muito mais empático que Balfour pode ser que o próximo volume seja muito mais interessante que este primeiro.
"A paixão, decidiu ela, era mesmo algo surpreendente. Além de fazê-la se livrar de toda hesitação, fora capaz de transformar algo que sempre parecera feio e ameaçador em uma visão que ela apreciava e desejava."

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