Resenha: A Casa do Penhasco - Agatha Christie

segunda-feira, agosto 24, 2020

A Casa do Penhasco, Agatha Christie. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2016, 226 págs.
Tradução: Lais Myriam Pereira Lira
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Saudações Leitores!
A Casa do Penhasco (Peril at end House, 1932) de Agatha Christie, é mais um de seus famosos romances policiais que traz seu detetive mais icônico: Hercule Poirot. A propósito, esse é mais um livro que li para o #PJLendoAgathaChristie2020, então, você já tem bate-papo em vídeo no canal.

De antemão, preciso informar que A Casa do Penhasco foi uma releitura, no entanto, como não consegui lembrar de nada da história, pois o li há muitos anos e, se bombear, foi um dos primeiros livros da escritora que li, tudo foi praticamente uma surpresa e, inclusive, fiquei investigando e juntando as pistas junto com Poirot e seu amigo capitão Hastings (que narra essa história).

Guardar um segredo é uma arte que às vezes requer mentiras ardilosas, aptidão para encenação e sobretudo prazer em enganar.


Em A Casa do Penhasco, Hercule Poirot e o capitão Hastings estão passando férias no litoral da Cornualha, especificamente no balneário St. Loo, tendo em vista que Poirot decidiu descansar um tempo e aproveitar sua famigerada aposentadoria.

Tanto Poirot quando o capitão Hastings estão hospedado no Hotel Majestic e, enquanto estão no jardim, conversando exatamente sobre a aposentadoria de Poirot e o quanto ele está feliz por ter tomado a decisão de se aposentar no auge do sucesso e da fama, os dois acabam cruzando com Nick Bunckley - dona da casa do penhasco - que com seu espírito jovial e descolado acaba falando que aparentemente tem um anjo da guarda, já que escapou da morte três vezes em um curto período de tempo.

Para mim, hoje em dia, qualquer jovem é bonita. Mocidade... Mocidade... É a tragédia do meus dias. Mas será que devo pedir sua ajuda, Hastings? Sua opinião não é moderna, naturalmente, tendo vivido tanto tempo na Argentina. O tipo de corpo que você gosta é o de 5 anos atrás, mas de qualquer maneira você é mais moderno do que eu. Ela é bonita, não é? E atrai os sexos também, não acha?


Com essa informação Poirot fica atento, pois não acha que seja mera coincidências, no entanto Nick falou na brincadeira, pois não acredita que o que passou foram atentados, pois não tem inimigos. Entretanto, as suspeitas de Poirot se confirmam porque no momento em que os três estão conversando um novo atentado a vida Nick Bunckley acontece.

Eis que, apesar de "aposentado", Poirot decide que vai "investigar" esse caso, pois achou que o "assassino" foi muito afrontoso ao tentar fazer uma vítima na sua frente. Uma sucessão de acontecimentos irão acontecer, e Poirot vai se ver em um grande caso, tendo em vista que evitar um assassinato é muito mais complexo do que descobrir quem é o assassino, quando o crime acontece, pois para Poirot todo assassino deixa pegadas, ou assinatura. Em suma, não existe crime perfeito.

Nossas mãos estão atadas! Caçar um criminoso depois de cometido o crime é fácil, pelo menos para mim. O criminoso deixa sempre alguma pista. Mas neste caso ainda não houve crime! E nós não queremos que haja! Encontrar um criminoso antes que o crime seja cometido é uma dificuldade quase insuperável.


Na tentativa de evitar que Nick seja assassinada, Poirot, além de tentar descobrir um possível motivo para quererem matar Nick, toma uma série de providências para deixá-la segura, todavia, lamentavelmente, algumas de suas medidas, levam a óbito outra pessoa, o que fará Poirot ficar ainda mais impressionado com o intelecto e audácia do assassino.

Honestamente, A Casa do Penhasco, foi um livro que me deixou empolgada do começo ao fim, fiquei absurdamente envolvida com a trama e na expectativa de descobrir quem era o assassino, porém, enquanto algumas de minhas suspeitas se mostraram corretas, outras eu me enganei redondamente.

Um ponto que me fez amar ainda mais a leitura de A Casa do Penhasco e, consequentemente, devorar o livro, foi o fato de ter uma atmosfera bem jovem durante a narrativa, já que os personagens são mais jovens e até meio céticos com relação ao intelecto de Hercule Poirot.

_ Mas quem poderia conceber tamanha audácia? Fui punido. Exatamente: fui castigado. Eu, Hercule Poirot, confiei demais em mim mesmo.


Ademais, foi bastante interessante observar Poirot cometer alguns erros durante a condução desse caso, porque mostrar que mesmo com uma mente privilegiada e com uma bagagem profissional com mais sucessos do que fracasso, o detetive ainda é humano e comete erros, deixa brechas, para completar, foi ainda mais interessante ver Poirot fracassar algumas vezes, porque em A Casa do Penhasco o personagem está com um ego muito elevado e ao passo que é engraçado ver isso, também o torna super irritante (de forma positiva, porque quem conhecer Poirot, sabe como ele é orgulhoso em relação aos seus feitos e a sua profissão).

Entretanto, mesmo tendo gostando bastante de A Casa do Penhasco devo alertar que pode ser que nem todo mundo gostei do final da trama principal, até porque é um tipo de "receita" que Agatha Christie já utilizou em outros de seus livros, em contrapartida, como o volume apresenta não só o final do enredo principal, mas traz "soluções" para outros personagens que acabamos conhecendo e acompanhando - e até nos apegando - durante as investigações de Poirot, portanto, com certeza esses finais irão agradar o leitor.

Pra finalizar, mesmo não tendo montado as peças de todo o quebra-cabeça durante a leitura de A Casa do Penhasco, ainda assim foi uma leitura viciante e envolvente. Obviamente, só consigo recomendar.

É claro que um detetive comum não poderia impedir o crime, mas o que adianta então ser Hercule Poirot, com um cérebro superior, se não posso fazer mais do que um detetive comum?

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