Resenha: A Voz do Silêncio, vol. 1 - Yoshitoki Oima

segunda-feira, setembro 14, 2020

A Voz do Silêncio (vol. 1), Yoshitoki Oima. São Paulo: New Pop Editora. 2017, 200 pág.
Tradução: Sayuri Tanamate

Saudações Leitores!
Finalmente li A Voz do Silêncio, vol. 1 (Koe no Katachi - 聲の形, 2013), primeiro livro dessa série de mangás, composta por 7 volumes, produzida pela mangaka Yoshitoki Oima. Estou encantada pela quantidade de reflexões que encontramos só nesse primeiro volume, não é à toa que já me sinto empolgadíssima com os próximos!

Acabei deixando essa série por ler na minha estante por mais de um ano, acreditam? Que lástima, por que fiz isso? Arrependimentos à parte, deixem-me falar sobre minha experiência lendo A Voz do Silêncio, vol. 1. A propósito, como gostei tanto dessa primeira experiência, tem um especial no canal falando sobre os volumes CONFIRA AQUI.


Primeiramente quero dizer que bem no começo de A Voz do Silêncio a gente tem fragmentos que uma história que acontece 6 anos depois do que vamos acompanhar nesse primeiro volume, de modo que aqui temos basicamente uma recapitulação do que aconteceu no passado.

Assim, em A Voz do Silêncio, vol. 1, vamos acompanhar a história do jovem aluno do primário  Shouya Ishida, que faz qualquer coisa para vencer o tédio e é extremamente sem noção, diga-se de passagem, pois ele e seus amigos fazem as brincadeiras mais absurdas possíveis.

Só que o tempo vai passando e, enquanto os amigos de Shouya passam a ter mais responsabilidade e a não querer mais fazer essas brincadeiras perigosas, Shouya continua na mesma irresponsabilidade e arrogância de sempre.


É exatamente nesse meio tempo que surge uma aluna nova na escola, a jovem Shouko Nishimiya, que é surda e veio transferida de outra escola, porque na instituição anterior sofria muito bullying.

O que, infelizmente, acaba acontecendo nessa escola também, por conta do bullying que Shouya pratica com a garota, porém, Shouko Nishimiya tenta ao máximo fazer amizade e ser gentil, no entanto, a situação fica tão insustentável que Shouko também acaba se transferindo dessa escola também.

A vida de Shouya Ishida não se torna mais fácil depois que Shouko vai embora, pelo contrário, todos os colegas o culpam pela saída da garota e começam a praticar bullying com ele, tornando-o um garoto solitário pelos próximos anos de sua vida. Eis que de autor do bullying agora passa a ser a vítima e "colher aquilo que plantou".

Aqui abro um parêntese para mencionar que os colegas que agora julgam Shouya estão fazendo exatamente aquilo que ele fazia antes. Além do mais, vale ressaltar que, enquanto Shouya praticava bullying com Shouko todo mundo via e não fazia nada, e mais, ainda havia aqueles que também praticavam bullying de forma sutil e camuflada, então, aparentemente, todos estavam precisando de uma lição que, talvez, a vida irá proporcionar a cada um. Fecha parêntese. (rsrs)

Então é nesse momento que voltamos para o salto temporal (6 anos depois desses acontecimentos) e vemos Shouya mais reflexivo a respeito de suas ações quando mais novo, porém, agora o jovem vem guardando uma mágoa e raiva muito grande de todas as pessoas, no entanto, ao tentar imaginar seu futuro, decide que precisa reparar seus erros para ter uma vida melhor. Ser uma pessoa melhor.


Uma observação que quero fazer nesse momento é que senti que esse volume deu mais voz ao Shouya, de modo que sabemos seus sentimentos e pensamentos. Senti falta de acompanhar a perspectiva da Shouko também. Será que posso esperar essa versão no próximo volume? Acredito que muita coisa ainda vai ser explorada nesses dois protagonistas, afinal temos mais outros  volumes pela frente.

A verdade é que A Voz do Silêncio, vol. 1 nos coloca diante de uma série  de reflexões sobre comportamento e valores morais, no entanto, levanta muitos outros temas não só em relação ao bullying, que é algo muito sério e que pudemos ver alguns desdobramentos das consequências tanto para quem pratica como para quem sofre.

O volume também traz à tona reflexões sobre aceitar, compreender e ser empático com o diferente, com pessoas diferentes e com deficiências que, ao contrário do que muitos pensam, não são incapacitadas, apenas possuem limitações e terão que enfrentar muito mais desafios.

Assim, o mangá coloca em xeque o comportamento não só de Shouya e dos colegas, mas da própria escola, o quão despreparados todos estavam para apoiar e aprender com o diferente, tanto é que a situação chegou ao extremo.


Para mim, foi de partir o coração, quando as duas pessoas que estavam dispostas a facilitar e ajudar no processo de adaptação de Shouko não tiveram apoio, nem dos profissionais e nem dos colegas de classe. Isso é tão real ainda, né?

Sei que já escrevi demais, mas ainda preciso falar que a Shouko é uma das personagens mais fofas e incríveis que já vi, ela é um doce, tem empatia e respeito e o mais impressionante: observa e se importa com o próximo, mesmo quando é machucada. Eu queria abraçá-la.

Sério, a vida e as pessoas precisam ser mais gentis com as diferenças e limitações do outro, afinal ninguém é perfeito, certo? Espero que depois de tudo o que coloquei aqui tenha empolgado vocês e estimulado para que conheçam esse mangá.

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