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Saudações Leitores!
Faz algum tempo atrás que li um livro do Jorge chamado Na Curva das Emoções e que gostei muito da forma como o autor escreve, daí tive curiosidade em ler Lis no Peito*, não só por Jorge, mas também por Clarice Lispector, a leitura foi muito saborosa.

Lis no Peito: um livro que pede perdão, Jorge Miguel Marinho, São Paulo: Biruta, 2005, 180 pág.

Lis no Peito: um livro que pede perdão foi escrito pelo carioca Jorge Miguel Marinho, mesmo autor de Na Curva das Emoções. Jorge Miguel Marinho é um escritor brasileiro premiadíssimo.
Em uma palavra, Lis no Peito: um livro que pede perdão, pode ser definido como Poético. Não, não é um livro de poesia, trata-se de um livro em prosa e conta a história de Marco César e Clarice, mas a forma de narrar de Jorge Miguel Marinho passeia entre a mais poética prosa e nos enche de encantamentos profundos.
O livro fala muito de Clarice Lispector e é um manancial de delicadezas, acredito que todos os fãs da escritora deveriam ler Lis no Peito, além de tocar muito na escritora brasileira, este livro mostra a descoberta do amor juvenil, a primeira paixão a expectativa do primeiro beijo, os pensamentos e sentimentos conturbados e a flor-da-pele.
Não vou me estender muito nessa resenha, porque no geral o livro tem uma história bem bacana, mas o foco – pelo menos foi o que achei – é o sentimento a transbordar pelas páginas, o fato de ter escolhido Clarice Lispector já dá respaldo a muito sentimento, ela era uma escritora subjetiva e que mexia magicamente com as palavras. Jorge Miguel Marinho tem esse dom: fascina, encanta, envolve o leitor com suas narrativas.
Antes de finalizar gostaria de dizer que o trabalho gráfico da Editora Biruta sempre me surpreende porque é lindo e cuidadoso, percebe-se que a editora se preocupa com a qualidade de seus livro, Enfim, se você é fã de Jorge Miguel Marinho e/ou de Clarice Lispector, Lis no Peito: um livro que pede perdão, é a leitura ideal. Aproveite!

*Este livro foi cortesia da Editora Biruta
 

Lis no Peito: um livro que pede perdão - Jorge Miguel Marinho (resenha)

terça-feira, 13 de maio de 2014

Saudações Leitores!
E aqui mais um livro que li e fiquei encantada, mesmo sabendo que ele é destinado ao publico juvenil ele cativa até os leitores mais proficientes. Quero agradecer a Editora Biruta pelo exemplar para resenha e parabenizar pelo trabalho gráfico que ficou excelente.


Meu Pai Não Mora Mais Aqui, Caio Riter, São Paulo: Biruta, 2008, 200 pág.
Ilustração: Gustavo Piqueira

Meu Pai Não Mora Mais Aqui de Caio Riter trata-se de um livro encantador cuja história é contada através de dois diários: o diário de Letícia e o diário de Tadeu. Riter já tem vários prêmios em literatura e após essa leitura entendi o porquê.
O livro é destinado ao publico infantojuvenil e traz um enredo com uma linguagem bem simples, moderna e cheia de gírias típica de adolescentes e mais, como o livro é contato através de diários pessoais, a linguagem é típica dos que os escrevem.
A ideia dos diários surgiu através da professora de português que fez a turma escrever diários e através da história ficamos por dentro dos acontecimentos da vida de Tadeu e Letícia além da de seus amigos.
Letícia é uma garota comum, mas que está magoada por seu pai ter arranjado uma namorada e ter se separado de sua mãe. Letícia sofre pela ausência do pai e, à medida que lemos as páginas de seu diário ficamos por dentro dos conflitos que ela passou e as formas de como se adaptar a sua nova vida além das descobertas de sentimentos de raiva e o primeiro amor.
Tadeu também um jovem comum e apaixonado, está descobrindo o amor, mas sempre se apaixona muitas vezes até que algo devastador acontece e, abalado, tenta seguir sua vida. Com a ajuda de seus amigos ele conseguirá superar isso, mas primeiro terá que descobrir o que está sentindo.
É um livro que traz temas contemporâneos como a separação de pais, as intrigas escolares, as amizades, as perdas, conquistas e primeiro amor. A narrativa cativante e rápida nos coloca próximos aos personagens e nos fazem sentir suas alegrias e suas dores.
Se você tiver a oportunidade de ler Meu Pai Não Mora Mais Aqui não deixe passar, pois o livro é belíssimo, além de uma história maravilhosa, contada de maneira encantadora tem uma diagramação linda. Confira!

Meu Pai Não Mora Mais Aqui - Caio Riter (resenha)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Saudações Leitores!
Esse livro recebi de cortesia da Editora Biruta e já aproveito para agradecê-la. Bem, não tinha ouvido falar desse autor, mas quando li a sinopse fiquei bastante curiosa e apesar do livro não ter sido como imaginei, pois não imaginava se tratar de um livro de contos, a leitura me surpreendeu bastante e deixe-me cativar. Espero que gostem da resenha e deixem seus comentários opinando!


Na Curva das Emoções, Jorge Miguel Marinho, São Paulo: Biruta, 2005, 128 pág.

Na Curva das Emoções, livro que recebeu o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), foi escrito por Jorge Miguel Marinho, carioca, mas que reside em São Paulo é um escritor muito premiado, já tem entre seus prêmios: Prêmio FNIJL de Melhor Livro para Jovens por A Visitação do Amor, Prêmio Jabuti por Te dou a Lua Amanhã, entre outros prêmios. Também tem contos publicados nos Estados Unidos e na França. [o currículo dele é enorme!!!]
Este livro, Na Curva das Emoções, trata-se de um livro contendo sete contos, são eles: O Umbigo de Isaura, A Libertinagem das Mães, O Seio Tatuado da Minha Avó, As Borboletas Copulam no Voo, Eros de Luto, A Revelação de Clarice Lispector, Aviso Às Borboletas. Em sua essência todo o livro vem a tratar da juventude e suas descobertas, aquela época em que a criança passa para a adolescência e começa a sentir mudanças em si mesmo e nos outros, um estranhamento interno e externo que muitas vezes não são capazes de explicar.
"Viver era difícil demais - e quanto mais fincava a planta dos pés no chão, e o chão era sempre uma casa, mais se via como um bicho alado voando em espiral." (p.17)
De uma forma encantadora Jorge Miguel Marinho vem, através de seus contos, nos mostrar as diversas formas de estranhamento do jovem ao se introduzir numa nova vida e como muitas vezes é difícil lidar com esses sentimentos/emoções. Um ponto belíssimo é que Jorge Miguel Marinho utiliza-se de uma linguagem poética que enriquece e traz delicadeza aos contos além de utilizar diversas metáforas: constantemente o jovem é chamado de borboleta. Uma borboleta que está saindo do casulo e que se sente ainda incerta com respeito a suas asas.
Todos sabemos que a adolescência é uma das fases mais complicadas da vida: a fase dos erros e dos maiores medos, contudo, o autor soube repassar magnificamente todos os anseios e os medos não só dos jovens se descobrindo, descobrindo as emoções e sentimentos, mas também o medo e a falta de tato que muitos pais e adultos tem em relação a essa fase [como se nunca tivessem passado por ela].
"Acontece que ela não se definia por fora e então passava o tempo todo apertando involuntariamente o umbigo em busca de uma emoção cheia de pele dentro daquele corpo em projeção." (p.15)
E qual o melhor conto do livro? Todos. Mas vou dizer que o livro abriu e fechou com chave de ouro. Entretanto os contos: O Umbigo de Isaura e A Revelação de Clarice Lispector foram os que mais saltaram aos meus olhos. Carregados de uma poesia e sensibilidade que só os grandes mestres conseguem colocar em palavras eles trazem muito além do que entretenimento, mas um ensinamento fantástico. Quem escreve um conto com tanta poesia e entrelinhas possíveis e impossíveis pode, sim, ser admirado e premiado.
Confesso até envergonhada que o conto A Revelação de Clarice Lispector que fala sobre o livro A Paixão Segundo G.H. trouxe-me a recordação de quando li o livro e o detestei [não me matem!]. Ao ler o conto e ver a grande e bela interpretação que o autor salientou me senti mal e percebi que talvez eu o tenha lido de maneira superficial e não tenha conseguido inserir-me em sua essência, afinal quando o li era bem jovem. Mas agora estou convencida de que preciso reler esse livro, vou dar-me a chance de tentar revisitar 'sem estranhamentos' A Paixão Segundo G.H..
"_Preconceitos, eu estava construindo o destino de um livro sem sequer ter aberto a primeira página e ter olhado a palavra inicial." (p.105)
O que posso dizer do conjunto da obra: ela é fabulosa, os contos são ótimos. Por se tratar de um livro pequeno e a leitura ser bem poética em uma hora ou duas horas você consegue lê-lo completamente. Claro, se você for analisar cada conto sugiro dedicar mais tempo para as leituras, mas se o objetivo é se entreter e conhecer o trabalho de Jorge Miguel Marinho, você consegue ler muito rápido e ainda sobra tempo para se apaixonar pela escrita cativante do autor.
Contudo, devo admitir que não gostei muito dessa capa, achei-a séria demais para um livro infantojuvenil, e embora reconheça que repassa a sensação de confusão peculiar da adolescência, não é, em particular, bonita. Mas por dentro o livro é lindo! Mais que indicado!

Na Curva das Emoções - Jorge Miguel Marinho (resenha)

sábado, 29 de junho de 2013

Saudações Leitores!
Primeiramente quero agradecer a Editora Biruta por ter enviado o exemplar para que fosse resenhado e parabenizá-la pela diagramação e cuidado com esta edição. Gosto bastante de literatura infantojuvenil, acho que estes livros sempre passam ensinamentos e valores que estão escassos hoje em dia e é muito bom poder vê-los nas páginas de um livro que passará por milhares de leitores que, com certeza, tirarão conhecimentos dele. Também quero salientar que, pelo que me lembro, este é o primeiro livro infantojuvenil espanhol que leio, geralmente leio muito livros ingleses e norte americanos, portanto, As Lágrimas de Shiva foi um presente maravilhoso para mim, confiram a resenha:


As Lágrimas de Shiva, César Mallorquí, São Paulo: Biruta, 2009, 200 pág.
Traduzido por Socorro Acioli

Las Lágrimas de Shiva foi escrito por César Mallorquí que nasceu em Barcelona. Mallorquí já recebeu vários prêmios literários inclusive o Prêmio Edebé de Literatura Infantojuvenil 2002 pelo livro As Lágrimas de Shiva.
A história traz como personagem principal um adolescente de 15 anos chamado Javier que, por conta de seu pai estar doente, acaba sendo mandado para ficar uns tempos na casa de seus tios Adela e Luís, em Santander o que o deixa muito chateado, pois preferia ficar com seu tio Esteban em Madri, lugar para qual seu irmão Alberto, 17 anos, estava sendo mandado.
Mesmo revoltado por estar sendo mandado para um interior e, principalmente, para uma casa onde só tem suas primas: Rosa (18), Margarida (16), Violeta (15) e Açucena (12) como companhia. Javier prepara sua bagagem cheia de livros de ficção científica – todos os seus favoritos – e parte para Villa Candelaria.
"Às vezes, sem saber muito bem como nem por que, acontecem coisas que nos modificam por dentro e nos fazem ver o mundo de outra forma. Muitas vezes são acontecimentos banais, daqueles que na hora em que vivemos não tem a menor importância, mas que com o tempo adquire uma inesperada transcendência." (p.11)
No princípio tudo é novo e ao mesmo tempo muito chato para Javier, afinal viver numa casa cheia de mulheres é complicado e principalmente quando todas as mulheres são lindíssimas, mas nem por isso suas primas são todas receptivas: Violeta e Açucena são as que recepcionam mal Javier. Violeta se acha altamente inteligente e cultural, considerando o gosto por livros de ficção cientifica do primo como baixo. Açucena recusa-se a falar com Javier.
Mas o tempo vai passando e de repente surge um grande mistério que envolve um fantasma, um colar muito caro que sumiu há mais de 70 anos, As Lágrimas de Shiva, e toda uma história de brigas entre as duas famílias mais ricas da região: os Obregón [família dos tios de Javier] e os Mendonza, tudo por causa de um casamento arranjado não realizado e o sumiço desse colar.
No período que Javier permanece em Villa Candelaria  o fantasma começa a aparecer e deixar pistas para desvendar o mistério que vem atormentando as duas famílias por muitos anos. As descobertas e as amizades que vão se formando no decorrer desse tempo vão tornar a estadia de Javier mais emocionante. Um tempo que deixará saudades no futuro.
Sem dúvida Mallorquí, escreveu um livro maravilhoso em que faz alusão a fatos históricos, mesclando ficção com realidade, ademais, por ter Violeta e Javier – dois leitores ávidos – acaba por citar muitos clássicos da literatura mundial que são dignos de leitura como: O Velho e o Mar (Hemingway), Crônicas Marcianas (Bradbury), Metamorfose (Kafka), O Apanhador no Campo de Centeio (Salinger), Um Mundo Feliz (Huxley), O Frankstein (Mary Shelley) além de citar autores como Jane Austen, as irmãs Brontë entre outros. Tais alusões a livros e escritores nos motivam a conhecer as obras.
"De certo modo aquele livro era dois romances de uma vez: um que era possível ler e outro que se intuía, além das letra impressa. E isso creio eu, era o que concedia tanta autenticidade ao relato, pois a vida, como eu descobri com o passar dos anos, sempre esconde algo diferente do que se percebe à primeira vista." (p.59-60)
Em As Lágrimas de Shiva também há alusões a músicas clássicas e cantores e bandas que fizeram e que ainda fazem muito sucesso. Sem dúvida, um livro destinado ao público infantojuvenil, mas que qualquer leitor mais proficiente poderá amar. Cheio de ensinamentos e mistérios que atiçam nossa curiosidade.
"Descobri muitas coisas naquele verão e não somente um colar perdido. Descobri que o Paraíso está no toque de uma pele macia, que as carícias são mais fortes que o golpes e que os beijos tem o poder de fazer voar. Descobri que havia sentimentos insuspeitados no meu interior, que é possível rir e chorar ao mesmo tempo, que é tão bom querer como ser querido. Descobri, enfim, algo tão simples e tão complexo, tão vulgar e extraordinário, tão doce e amargo como o amor." (p.197)
Não posso deixar de indicar As Lágrimas de Shiva, consciente de que o autor mereceu ganhar todos os prêmios que já ganhou, além de escrever muito bem ele sabe prender a atenção do leitor.

As Lágrimas de Shiva - César Mallorquí (resenha)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

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