Resenha: “O Doador de Memórias” de Lois Lowry

Saudações Leitores!
Confesso que só me interessei de ler O Doador de Memórias* por causa do filme, até então nem conhecia este livro. Devo admitir que a leitura não saiu como eu esperava que fosse, mas a história é, realmente, encantadora. Saiba mais sobre o que achei lendo a resenha abaixo.


O Doador de Memórias, Lois Lowry, São Paulo: Arqueiro, 2014, 192 pág. 
Traduzido por Maria Luiza Newlands

The Giver publicado originalmente em 1933, escrito pela norte americana Lois Lowry (só eu que pensava que ela era ele? rsrsrs). Esta escritora é muito reconhecida em seu país e foi ganhadora de várias premiações literárias. Anteriormente publicado pela Arqueiro como O Doador, este ano ele ganhou uma repaginada por causa do lançamento do filme baseado na obra. O filme intitulado O Doador de Memórias passa a ser o mesmo título utilizado na nova edição do livro. Detalhe: o filme já está em cartaz! Vale ressaltar que O Doador de Memórias faz parte de uma série cujos demais livros (Gathering Blue, Messenger e Son) ainda não foram publicados no Brasil.

Sinceramente só me interessei por esta leitura por saber que sofreria uma adaptação cinematográfica e gosto muito de assistir adaptações de livros. Também quando li a sinopse e vi que se tratava de uma distopia fiquei ainda mais curiosa, pois não é segredo que aprecio distopias.
O Doador de Memórias foi uma grande - realmente GRANDE - surpresa para mim, pois não é nada parecido com as distopias que já li, claro que tem suas similaridades, mas: 1 o personagem principal deixa de ser uma mocinha corajosa e passa a ser um rapaz pré-adolescente (12 anos) cheio de dúvidas e incertezas. 2 a narrativa comumente em primeira pessoa passa a ser em terceira pessoa, entre outras diferenças alarmantes, porque além disso há tipo poderes sobrenaturais peculiares a ficção científica que capacitam alguns indivíduos a doarem memórias para potenciais recebedores.
Muita coisa não tem explicação nesse livro - isso é comum em primeiros livros de séries - e somos apresentados a uma nova espécie de sociedade em que são abolidos qualquer tipo de sentimento e as famílias são formadas por acordos e são chamadas de núcleos familiares que podem solicitar filhos. Essa parte é bem interessante nessa nova sociedade porque faz o leitor refletir sobre o ponto em que chegou a sociedade e os motivos de uma mudança tão drástica. O novo modelo social parece ser perfeito: não existem doenças, pragas, fome. A sociedade vive na Mesmice, em contrapartida, os indivíduos que não são aptos ou já não tem serventia para o modelos social são redirecionados, aqui, é outra situação bem peculiar e inteiramente questionadora e inquietante.
Ao Completar 12 anos, Jonas (o personagem principal) vai para sua cerimônia - com os demais colegas - para ser incumbido de sua função na sociedade e é lá que ele recebe a função de Recebedor de Memórias para ser o próximo Doador. Tudo no treinamento de Jonas é incomum e inesperado, o Doador passa todas as lembranças da história da humanidade, desde o princípio dos tempos inclusive os sentimentos e é a partir daí que Jonas começa a questionar sobre muita coisa em sua sociedade. Questionamentos levam a mudanças de comportamentos e é aí que as coisas podem mudar.
O Doador de Memórias é um livro que me deixou no meio termo entre o gostar e o não gostar, não é que o livro seja ruim, mas ele foi completamente diferente do que eu esperava, mas mesmo assim teve pontos que me surpreenderam tanto que fiquei boquiaberta com a genialidade da escritora, apesar de muitas coisas darem para ser descobertas no decorrer da narrativa, de qualquer forma rola o suspense e o mistério. A narrativa em terceira pessoa também nos dá uma versão global da sociedade embora não consigamos ir muito a fundo dos sentimentos de Jonas.
O fato é que, com o final do livro - mesmo sabendo que ele faz parte de uma série - senti que faltou algo que agilizasse e tornasse a história mais empolgante. É impossível não comparar uma distopia com outras distopias que já lemos e posso dizer categoricamente que esta não tem muita ação e aventura, mas trata-se de algo mais psicológico e o final, PelAmorDeDeus é tão chocante que é necessário a continuação, até mesmo para eu descobrir exatamente como me sinto em relação a esse livro. Acredito que só poderei dizer algo mais concreto sobre esta série após a leitura de todos os exemplares. O primeiro livro foi esclarecedor, mas foi vago demais. Agora só basta conferir o filme - e por sinal estou tentando segurar minha empolgação, mas acho que tem tudo para ser bom.



*Este livro foi cortesia da Editora Arqueiro, para saber mais sobre ele clique AQUI.

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