Resenha: "Juntando os Pedaços" de Jennifer Niven

Juntando os Pedaços, Jennifer Niven, São Paulo: Seguinte, 2016, 392 pág.
Traduzido por Alessandra Esteche
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Saudações Leitores!
Holding Up The Universe, no Brasil, Juntando os Pedaços é o segundo livros e lançamento da Jennifer Niver, mesma autora do incrível e maravilhoso Por Lugares Incríveis, portanto, não escondo minha ansiedade ao ter em mãos e devorar o novo livro da Jennifer. Confesso que, quando enfim, botei as mãos no meu exemplar fiquei com receio de me decepcionar, mas isso não aconteceu, pelo contrário: o livro me prendeu do começo ao fim!


"[...] pessoas pequenas - pequenas por dentro - não aguentam o fato de alguém ser grande." (p.107)
Aqui  a narrativa acontece toda em primeira pessoa, no entanto, temos uma alternância das "vozes", pois que conta a história são os personagens Libby e Jack, dois adolescentes que tem problemas mais sérios do que podemos imaginar. Libby até pouco tempo era a garota mais gorda dos Estados Unidos e teve que ser resgata de casa pois não conseguia mais sair sozinha. Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de conhecer rostos, por mais que eles sejam familiares.
"As pessoas fazem merda por vários motivos. Às vezes, são simplesmente pessoas escrotas. Às vezes, outras pessoas fizeram merda com elas e, apesar de não perceberem, tratam os outros como foram tratadas. Às vezes fazem merda porque estão com medo. Às vezes escolhem fazer merda com os outros antes que façam merda com elas. É uma auto defesa de merda." (p.74)
As temáticas abordadas em Juntando os Pedaços são bastante profundas e sérias, mas mesmo com seriedade elas são expostas de forma delicadas. Temos assuntos como bullying, perdas familiares, traição, segredos, autoestima, relações familiares, de amizade e amorosas. Tem de tudo um pouco neste livro.

Devo salientar que apesar de ser apenas um livro somos, sim, apresentados a duas histórias e a que mais me emocionou e me deixava toda arrepiada foi a de Libby, pois o problema dela era tão visível que por ser gorda sofria os mais terríveis bullying e parecia que as pessoas sempre tinham coisas horríveis para dizer quando ela passava, mas mesmo com tanto ódio - por parte das pessoas - ela aprendeu a se amar e a amar seu corpo, a partir daí ela começou a ver a vida como um desafio e a enfrentá-la, mesmo morrendo de medo por dentro e se sentindo insegura em alguns momentos.
Libby é uma personagem lacradora, eu a amei durante todo o livro, porque ela é tão real, tem medo, insegurança em relação ao seu corpo, a sim mesma e ao seu futuro, mas mesmo assim ela tenta dar a melhor versão de si para o mundo a fim de inspirar as pessoas que sofrem e se sentem como ela de que são capazes de vencerem  e de que existe algo mais importante que a aparência.

"Eu mudei quando tinha dez anos, sofri bullying, fiquei com medo. Muito medo, de tudo, mas principalmente da morte. Da morte repentina, do nada. E eu também morro de medo da vida. Tenho um vazio enorme no peito. Toco minha pele e meu rosto e não sinto nada. Foi por isso que passei a ficar em casa. E a comer. E acabei aqui. Mas isso não significa que quero morrer." (p.130)
Por ter gostado mais da história de Libby não quer dizer que não tenha gostado da história de Jack, pois foi angustiante ver o personagens sempre tentando reconhecer as pessoas com quem convivia através de traços característica e não por seus rostos, afinal assim que eles saiam de sua frente ele os esquecia. É assustador algo assim! É quase como ser cego e ter que reconhecer as outras pessoas pelas suas vozes ou apenas quando se identificam. Era agoniante ver Jack sempre se esforçando para saber com quem falava e tentando se enquadrar no mundo, mesmo não concordando com as palhaçadas e brincadeiras pesadas de seus amigos.

"Alguém gosta de você. Grande, pequeno, alto, baixo, bonito, comum, simpático, tímido. Não deixe ninguém dizer o contrário, nem você mesmo. Principalmente você mesmo." (p.317)
Como Libby e Jack estudam na mesma escola e passam por uma situação em que ambos terão que conviver algum tempo juntos eles acabam por se conhecerem melhor e ali desperta um sentimento que é extremamente lindo e fofo e que deixa qualquer leitor com inveja. Não é um sentimento baseado em feições, corpos, status, mas no interior deles. É claro que um sentimento assim é também um desafio, os dois terão que aprender a lidar com seus medos e com os julgamentos da sociedade e de si próprios.
Enfim, só posso afirmar - categoricamente- que Juntando os Pedaços me comoveu e se tornou um dos melhores livros que li este ano, fiquei com aquela sensação gostosa de ter lido algo mágico: bem escrito, enredo interessante, mensagem importante, personagens cativantes, todo o conjunto foi demasiadamente bom para mim, isso inclui a edição maravilhosa da Editora Seguinte. Só posso dizer que já anseio o próximo livro de Jennifer Niven, tem tudo para ser lacrador!!!

2 comentários:

  1. Mila do céu!
    Eu tô aqui morrendo de vontade de ler esse livro. Eu amei Por Lugares Incríveis e acredito que Juntando os Pedaços seja tão incrível quanto. Eu ainda não pude comprá-lo..#tristezaprofunda
    Amei a resenha!

    Zilda Peixoto
    hhtp://www.cacholaliteraria.com.br

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    1. Aposto que você vai amar esse livro Zilda! Quando você o ler vou querer saber tudo o que você achou, pleeeeease!

      xoxo
      Mila F.

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Muito obrigada pelo Comentário!!!!