Resenha: "Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto" de Chimamanda Ngozi Adichie

Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto, Chimamanda Ngozi Adichie, São Paulo: Companhia das Letras, 2017, 96 pág
Tradução: Denise Bottmann

Saudações Leitores!
Dear Ijeawele, or A Feminist Manifesto in Fifteen Suggestion no Brasil recebeu o título Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto foi escrito pela nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, mesma escritora de Sejamos Todos Feministase se trata de uma carta em resposta a uma pergunta de sua amiga que pede conselhos de como ensinar sua filha a ser feminista. 

Sempre me identifiquei com títulos que falem sobre o feminismo, as conquistas das mulheres, a igualdade entre os sexos, são temas que sempre me chamaram atenção, e uma das escritoras contemporâneas mais conhecidas por abordar o feminismo tão bem e sem preconceitos e falsos feminismo é Chimamanda Ngozi Adichie, assim sendo, é sempre um prazer ler algo desta escritora.
Aqui ela vai passar 15 dicas de como ensinar uma criança ou alguém (pode ser um adulto) a ser feminista, a se amar e a respeitar a si mesma e aos outros independente do sexo. A escritora mostra que ser feminista não significa querer ser superior ao homem ou se achar com mais direitos, mas é uma busca pela igualdade e a conscientização de quem há valores que devem ser respeitados e que se há coisas que os homens podem fazer as mulheres também podem. Não existe isso de que isso é pra menino e aquilo pra menina.
"Os estereótipos de gênero são tão profundamente incutidos em nós que é comum os seguirmos mesmo quando vão contra nossos verdadeiros desejos, nossas necessidades, nossa felicidade. É muito difícil desaprendê-los, por isso é importante cuidar para que Chizalum rejeite esses estereótipos desde o começo. Em vez de deixá-la internalizar essas ideias, ensine-lhe autonomia. Diga-lhe que é importante fazer por si mesma e se virar sozinha. Ensine-a a consertar as coisas quando quebram. A gente supõe rápido demais que as meninas não conseguem fazer várias coisas. Deixe-a tentar. Ela pode não conseguir, mas deixe-a tentar." (p.28)
O feminismo com a escritora salienta em Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto é uma questão de contexto, o que numa hora pode ser feminista em outra hora não convém, então o feminismo é sempre uma reflexão sobre ação, reação, consequências e resultados, ou seja não dá para ser taxativo sobre o que é o feminismo. 
"Para mim, o feminismo é sempre uma questão de contexto. Não tenho nenhuma regra." (p.12)
Mas o que Chimamanda Ngozi Adichie deixa claro nessa 15 dicas é que pra ser feminista é necessário sobretudo para as mulheres aprenderem a criar seus filhos de forma consciente, porque tem-se que aprender a se libertar de concepções que estão arraigadas em nossa própria criação, portanto quebrar tabus, libertar-se de preconceitos é o primeiro passo, posteriormente deve-se, sim, analisar o contexto e refletir. Quando não houver mais distinção entre coisas de meninos e coisas de meninas, aí sim, pode-se dizer que existe uma edução feminista.
Sou suspeita para falar de Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto pois o tema me agrada tanto que não consigo nem dizer o que mais gostei no livro, mas o conjunto inteiro, para mim, está impecável, gostei de cada palavrinha escrita, das ideias e concepções, no entanto me identifiquei com vários momentos com o que está escrito e sei que muitas outras mulheres irão se identificar.
"Para garantir que ela não herde nenhuma vergonha sua, você precisa se libertar da vergonha que você mesmo herdou. E eu sei como isso é extremamente difícil. Em todas as culturas do mundo, a sexualidade feminina diz respeito à vergonha. Mesmo culturas que esperam que as mulheres sejam sexy - como muitas no Ocidente -, não esperam que elas sejam sexuais."(p.67)
O trabalho gráfico da Editora está muito bom e por ser um livro de formato de bolso dá para carregá-lo para qualquer lugar e assim tornar a leitura sua companheira, tenho que dizer também que, por ser um livro com apenas 96 páginas dá para ser lido em uma hora mais ou menos. Sobretudo, se o assunto lhe chama atenção.
"Ensine a ela que amar não é só dar, mas também pegar. Isso é importante porque samos às meninas pistas sutis sobre a vida delas - ensinamos que um grande elemento de sua capacidade de amar é sua capacidade de se sacrificar. Não ensinamos isso aos meninos." (p.70)

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