Resenha: 'Inventei Você?" de Francesca Zappia

Inventei Você?, Francesca Zappia, Campinas, SP: Verus, 2017, 346 pág.
Tradução: Monique D'Orazio
COMPRAR: Amazon, Saraiva

Saudações Leitores!
Inventei Você? (Made You Up, 2015) é o livro de estreia da norte-americana Francesca Zappia e antes dele ser publicado aqui, no Brasil, eu já estava interessada nele, pois já tinha visto resenhas em vídeo o no Instagram de blogueiros do exterior, gostei da proposta, mas como o livro em inglês era muito caro fui adiando a compra quando, me deparei com a notícia que a Editora Verus estaria publicando aqui no país. Resultado: comprei em pré-venda, já li e venho compartilhar minha opinião com vocês.

Nesse livro vamos acompanhar a história de Alex que vive com sua mãe, seu pai e sua irmã mais nova e está indo estudar seu último ano do colegial numa nova escola e está sofrendo toda aquela pressão de se inscrever numa faculdade, de tentar ser aceita, mas para maximizar tudo isso, nossa personagem tem esquizofrenia, e um dos sintomas dessa doença é que o "portador" vê coisas e pessoas onde não existem, ou seja, não distingue o real do irreal, do criado pela mente.
"Às vezes, acho que as pessoas tomam a realidade como algo certo. Quer dizer, como você pode distinguir um sonho da vida real? Quando está no meio do sonho, a pessoa pode não saber, mas, assim que acorda, entende que o sonho era um sonho e, seja lá o que tenha acontecido nele, bom ou ruim, não era real."
É incrível que Alex passa o tempo todo tentando se entender e tentando compreender o que é real e o que é inventado em sua vida, quando ela vai para a escola nova ela tenta esconder sua doença, para que ninguém a veja como louca (pois é isso que todo mundo pensa de um esquizofrênico), e na escola nova ela se depara com um menino que ela conheceu quando criança - e que ela julgava que não fosse real -  só que "aparentemente" ele é real, tem nome, Milles, e tem os olhos mais azuis e lindos do universo, só que ao contrário do que ela sempre esperou: ele mete medo.

Amei como Inventei Você? se desenvolveu, não ficou  potencializando a doença de Alex, mas também não ficou a vitimando o tempo todo, além disso fomos avisados que ela tinha esquizofrenia, então é um verdadeiro quebra-cabeça para o leitor tentar, também, descobrir se o que está acontecendo é "real" ou inventado pela Alex, já que a narrativa acontece toda em primeira pessoa, mas é obvio que este fato torna a nossa narradora não confiável devido sua doença. Como gosto de criar teorias, fiquei até pensando - quando finalizei a leitura - se tudo o que a Alex nos contou seria realmente verdade ou ela inventou toda essa estória e "trollou" todos nós.
"Não sei muito sobre como era a vida da minha mãe antes de ter filhos, mas acho que ela era mais feliz. Acho que não gastava todo o seu tempo cuidando de uma criança prodígio musical, que precisava de muita atenção, e de outra que nem conseguia administrar a própria rotina de medição."
Zappia também soube criar um mistério que envolve toda a história, colocou dentro de seu livro muito amor em cada um dos personagens, mesmo os mais cruéis (é fato que há jovens que gosta de praticar bullying e encontramos isso aqui, também), incrementou tudo com um romance fofinho e sem mimimi e para fechar a equação trabalhou de forma leve doenças e problemas psicológicos, e sociais bem como temas polêmicos.

Inventei Você? pode parecer, de início, um livro bobinho, para entretenimento, mas com o desenvolver se torna algo sério e também sentimental, chega ao ponto de partir nosso coração com algumas situações, que MEUDEUSDOCÉU, foi genial e triste. Juro que me emocionei. 
Para finalizar, acho que os leitores que apreciam meu gosto de leitura podem se jogar nas páginas de Inventei Você? porque certamente irão gostar muito. Para quem gosta de livros que apresentam personagens com esquizofrenia, há também o livro A Menina Submersa que gostei bastante, embora a leitura seja bem mais complexa.
"Dizem que adolescentes pensam ser imortais, e eu concordo. Mas acho que existe uma diferença entre pensar que é imortal e saber que pode sobreviver. Pensar que se é imortal leva à arrogância, a pensar que você merece o melhor. Sobreviver significa ter o pior jogado na sua cara e, ainda assim ser capaz de seguir em frente. Significa se esforçar pelo que você mais quer, mesmo quando parece fora do seu alcance, mesmo quando tudo está trabalhando contra você. E aí, depois de ter sobrevivido, você espera. E você vive." 

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