Resenha: "Para Poder Viver: a jornada de uma garota norte-coreana para a liberdade" de Yeonmi Park

Para Poder Viver: a jornada de uma garota norte-coreana para a liberdade, Yeonmi Park (com Maryanne Vollers), Sâo Paulo: Companhia das Letras, 2016, 328 pág.
Tradução: Paulo Geiger
COMPRAR: Amazon, Saraiva

Saudações Leitores!
In Order to Live: A North Korean Girl's Journey to Freedon é um livro autobiográfico escrito pela Norte Coreana Yeonmi Park (Park Yeon-mi) uma ativista dos direitos humanos norte coreana nascida em 1993 e que conseguiu escapar para a China em 2007 e depois para ser conhecida no mundo contando sua história de vida.
"Eu não estava sonhando com liberdade quando fugi da Coreia do Norte. Eu nem mesmo sabia o que significava ser livre. Tudo o que eu sabia era que, se minha família ficasse para trás, provavelmente morreríamos - de inanição, de alguma doença, das condições desumanas de um campo de trabalho para prisioneiros. A fome tornara-se insuportável; eu queria arriscar minha vida pela promessa de uma tigela de arroz."
Esse é um dos livros que só tenho elogios, pois foi muito emocionante lê-lo, considero-o também um dos melhores livros que li este ano, no entanto, sinto-me chateada por tê-lo deixado passar despercebido no ano de publicação aqui no Brasil (ano passado), mas acredito que pelo fato de que somente este ano tenho me interessado cada vez mais pela cultura asiática, sobretudo a sul coreana (com k-dramas e k-pop).

Para Poder Viver mexeu com minhas emoções e eu chorei com essa história, consegui sentir o que Yeonmi escreveu, foi uma história emocionante, triste por diversos motivos, mas fantasticamente inspiradora, mostra a superação dessa garota que teve que passar por tudo isso até se tornar a mulher forte que é.
"Na Coreia do Norte, não basta ao governo controlar aonde você vai, o que está estudando, onde trabalha e o que diz. Eles precisam controlar você em suas emoções, fazendo de você um escravo do Estado ao destruir sua individualidade e sua capacidade de reagir a situações com base em sua própria experiência do mundo."
Para Poder Viver mostra bem o que um ser humano é capaz de fazer para conseguir viver e tudo o que ele pode se submeter, mesmo assim Yeonmi Park diz que teve muita sorte, pois existem mulheres e pessoas que passam por situações bem piores.
"Comecei a perceber que toda a comida do mundo, todos os tênis de corrida, não conseguiriam me fazer feliz. As coisas materiais não tinham valor. Eu tinha perdido minha família. Eu não era amada, não era livre e não estava segura. Estava viva, mas tudo que fazia a vida valer a pena estava perdido."
Chorei em diversos momentos enquanto lia a autobiografia, sobretudo nas partes em que Yeonmi sentia tanta fome, quando viu sua mãe ser estuprada, quando ela mesma foi estuprada e o quanto ela aprendeu na marra a sobreviver e apenas quando ela conseguiu aceitar quem ela é: incluindo seu passado ela conseguiu deixar de sobreviver e passou a viver.

Yeonmi mostra e denuncia os inúmeros problemas sociais do regime fechado Norte Coreano e o que o ditador submete a população a viver de forma tão submissa, levando-os a trabalhos quase escravocratas e ainda deixando a população morrer por inanição. É triste saber que existe no mundo um regime desse jeito e o quanto as pessoas que vivem neles estão alheias a real situação de seu país e do mundo. O quanto são influenciados e o quanto seus pensamentos e ideias são submetidas a "lavagem cerebral".
"Ao longo de minha jornada, vi os horrores que seres humanos podem infligir uns aos outros, mas também testemunhei atos de ternura e bondade e sacrifício nas piores circunstâncias imagináveis. Sei que é possível perder parte de sua humanidade para sobreviver. Mas também sei que a centelha da dignidade humana nunca se extingue por completo e que, se lhe forem dados o oxigênio da liberdade e o poder do amor, poderá voltar a crescer. Esta é a história das escolhas que fiz para poder viver."
Yeonmi Park também foi bem dinâmica ao dividir Para Poder Viver em três partes: Coreia do Norte, China e Coreia do Sul, pois assim ela conseguiu repassar bem os acontecimentos que aconteceram em cada um dos países e mostrar um pouco de sua história e cultura.
"Dei-me conta de que nesse lugar eu não teria esperança. Senti-me suja e perdida, como tinha me sentido quando o pastor palestrava sobre o pecado. Se era assim que as pessoas iam me tratar quando descobrissem o que eu tinha sido, então eu teria de me tornar outra pessoa. Alguém que pudesse ser aceito e bem-sucedido na Coreia do Sul. Minha vida até então tinha sido toda vivida em função da sobrevivência. Eu tinha encontrado um modo de sobreviver na Coreia do Norte e outro modo de sobreviver na China. Mas eu me perguntava se teria energia para sobreviver aqui. Estava me sentindo muito cansada."
Sendo absolutamente sincera, este livro se tornou um dos meus favoritos e já o indiquei para vários amigos, aliás, quero até conseguir um exemplar físico já que fiz toda a minha leitura em e-book, pelo Kindle, quero o livro para guardar e reler. Uma ótima opção de leitura e uma leitura instrutiva e inspiradora.
"Eu respirava livros como outras pessoas inalam oxigênio. Eu não lia somente para ter conhecimento ou por prazer. Eu lia para viver. Eu só tinha trinta dólares por mês para gastar, e depois das despesas, usava tudo que sobrava para comprar livros. Alguns eram novos; outros vinham de um sebo. Mesmo quando tinha fome, livros eram mais importantes que comida."

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