Resenha: "A Descoberta das Bruxas - Trilogia das Almas, vol.1" de Deborah Harkness

A Descoberta das Bruxas, Deborah Harkness, Rio de Janeiro: Rocco, 2011, 640 pág.
Tradução: Marcia Frazão
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Saudações Leitores!
A Discovery of Witches no Brasil A Descoberta das Bruxas, é o primeiro volume da Trilogia das Almas composto por outros dois: Sombra da Noite e O Livro da Vida. A Trilogia foi escrita pela norte-americana Deborah Harkness, que é mais conhecida como historiadora do que como escritora, até porque - se não estou enganada - de ficção ela escreveu apenas esta trilogia.

A Trilogia das Almas é bastante conhecida, mas causa uma relação do tipo extremista: ou você ama ou odeia, no meu caso, que li apenas A Descoberta das Bruxas, não consegui suportar este livro. Foi uma leitura horrorosa e só consegui apreciar mesmo no final do livro que foi realmente bom.

Nesse livro vamos acompanhar Diana Bishop uma bruxa, que nasceu bruxa, mas não pratica a magia ela além de historiadora também é uma professora pesquisadora e numa de suas pesquisas e estudos encontra um manuscrito mágico, o Ashmole 782, que fala sobre a origem dos seres sobrenaturais, a partir daí Diana é vigiada por outros seres sobrenaturais (bruxos, demônios e vampiros) que tentam descobrir onde está o manuscrito. Dentre tantos seres que vigiam Diana, um vampiro muito antigo passa a ficar do lado dela para protegê-la, mesmo sabendo que bruxas e vampiros nunca se deram bem.
"Mas as bruxas não são as únicas criaturas que compartilham o mundo com os humanos. Também há demônios - criaturas criativas e artísticas que transitam entre a loucura e a genialidade. "Astros do rock e assassinos seriais". Era assim que minha tia descrevia esses estranhos e surpreendentes seres. E ainda há os antigos e belos vampiros que se alimentam de sangue e o deixam enfeitiçado quando não querem matá-lo na mesma hora."
É aí que a história que deveria ser ótima, envolvendo magia, mistérios e poderes passa a focar no relacionamento proibido de Diana Bishop com o vampiro super protetor Matthew Clairmont. Relacionamento este que não consegui engolir. Ambos os personagens se provaram bem imaturos para suas respectivas idades e isso foi muito incoerente, Mattew, sobretudo, teve atitudes absurdas que justificava como proteção, mas para mim, eram atitudes machistas e insuportáveis. O pior? Diana que supostamente era uma bruxa poderosa e não precisava de proteção aceitava de forma submissa.

Começou uma lista repleta de atitudes e diálogos insuportáveis, possessivos, inexplicáveis e imaturos. Não correspondeu com minhas expectativas. E os diálogos eram tão sem pé nem cabeça. Dava para terem sido cortados vários e ter feito o livro ter 300 páginas sem perder nada.
"Normal é uma história da carochinha, uma fábula que os humanos contam para si mesmos quando confrontados com a evidência avassaladora de que quase tudo que acontece em volta não é tão "normal" assim."
Mesmo com uma série de eventos, diálogos, atitudes absurdas, surreais e que não me convenceram nas 150 páginas finais a história começa a surpreender e tem mais ação e propriamente magia o que eu sempre esperei do livro, portanto, só consegui gostar do livro mesmo no final, confesso até que fiquei curiosa para ler a continuação: Sombra da Noite.

Sempre costumo dizer (e vou dizer novamente) que escrever livros de fantasia não é para qualquer pessoa, porque o escritor precisa convencer de que todos os absurdos e irrealidades que ele escrever são "possíveis", ou seja, não pode vir com uma estória mal contada e fazer com que os leitores engulam aquilo ali... é isso que Deborah Hakness tentou fazer em A Descoberta das Bruxas, duvidou da capacidade do leitor e escreveu coisas absurdas de forma que não chegaram a convencer.
A Descoberta das Bruxas foi uma leitura horrível para mim, provavelmente a pior do ano, só li até o fim porque era um livro que eu tinha me determinado a ler em 2017, mas que quando virei a ultima página senti um alivio enorme por não precisar mais lê-lo e não vou sentir saudade da estória e tão pouco dos personagens já que NENHUM chegou a ser cativante.

Ah, os personagens também são incoerentes e vou elencar só alguns:
Diana Bishop: uma bruxa desde criança que nunca praticou a magia? Fala sério! Qual criança e adolescente sabendo que tem poderes mágicos não vai utilizá-los? Mesmo se tivesse tido um trauma muito grande, há a questão da curiosidade e dos desejos que não poderiam ser contidos por conta de um trauma.

As tias de Diana são tão imaturas quanto a sobrinha: TODOS OS DIAS tinham que ligar para Diana para saber como foi o dia, sendo que Diana já era adulta e elas a tratavam como uma criança...
"Com esse beijo vocês quebraram todas as regras que mantêm o nosso mundo unido e nos mantêm a salvo. Matthew, você marcou essa bruxa como propriedade sua. E, Diana, você ofereceu o seu sangue de bruxa, o seu poder, para um vampiro. Você se virou de costas para a sua própria espécie e se associou com uma criatura inimiga."
Matthew: é um vampiro com mais de um século e é um machista, possessivo, controlador (para mim isso é muito defeito) e meu Deus, um idiota completo, tão infantil, tão adolescente que não tem como aguentar. Não entendo como Diana se apaixonou por alguém assim depois de viver por si mesma? Ser independente, poderosa e se tornar tão submissa.

A mãe de Matthew: uma vampira que odeia bruxos e que é a maldade em pessoa aceita tão bem Diana? Não, não, não é coerente isso, entendem?
Outro ponto que detesto em livros com vampiros: sabemos que é fácil para esses seres conseguirem acumular riquezas já que eles não morrem, mas como eles podem dizer que querem passar despercebidos pelos humanos se eles vivem de forma luxuosa, num castelo e cheios de carros, jatinhos etc? Não, não é necessário.

Do fundo do coração, eu esperava que um livro sobre bruxas fosse mais gótico, misterioso, cheio de magia, mas este me surpreendeu de forma bem negativa: vemos um romance possessivo da primeira a última página (nenhuma mulher que se preze se submeteria a um relacionamento tão abusivo); temos personagens incoerentes em seus comportamentos, falas e idades; temos um excesso de diá-los desnecessários; mais um excesso de explicações chatas e maçantes sobre DNA, alquimia, história sobrenatural; mais uma infinidade de descrições absurdas como exercícios físicos, preparos de chá, rituais de alimentação, estilos de roupas... Por quê? É só para encher páginas? Cadê os editores e revisores que não disseram para a escritora tirar esses excessos?

Estou frustrada. não consigo e nem tenho coragem de indicar A Descoberta das Bruxas para ninguém, mesmo que o final tenha sido envolvente e despertado bastante minha curiosidade para o segundo volume, não tenho perspectiva para ler e nem sei se terei saco para continuar com essa trilogia.
"Cicatrizes não me incomodam. São sinais de que lutei e sobrevivi."
Ahhhhh, não falei nem a metade das coisas absurdas que li neste livro. Se fosse escrever tudo o que odiei esta resenha ficaria muito grande (maior do que já está), não ia rolar. Para finalizar, quero dizer outra coisa que me incomodou muito: um detalhe chamado diagramação que foi horrível: letras minusculas e folhas brancas que cansam demais durante a leitura. Esse livro está TODO ERRADO.

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