Resenha: "Jane Eyre" de Charlotte Brontë

Jane Eyre, Charlotte Brontë, São Paulo: Martin Claret, 2014, 780 pág
Tradução: Carlos Duarte e Anna Duarte
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Saudações Leitores!
Jane Eyre escrito pela escritora britânica Charlotte Brontë foi publicado originalmente em 1847 e faz parte do cânone da literatura mundial. Sempre quis ler Jane Eyre, por conta da personagem que todos falavam ter um comportamento muito à frente de seu tempo. Além disso é o tipo de romance de época que gosto, sem contar que assisti uma adaptação do livro que me deixou encantada e desde a época desejei ler.

Queria ter lido o livro há mais tempo, mas estou feliz por ter lido agora. O livro começa de uma forma que me deixou angustiada por toda a infância de sofrimento pela qual Jane Eyre passou, o quanto seus parentes a maltrataram e a abandonaram além de tratarem-na de forma tão injusta e cruel.
"É muito melhor suportar pacientemente com inteligência uma dor que ninguém sente, exceto você, do que cometer um ato precipitado cujas consequências terríveis se estenderão a todos que lhe são ligados."
Em Jane Eyre acompanhamos a história de Jane que após ficar órfã vai morar na casa de seu tio com seus três primos, mas lá ela sofre muitas injustiças e humilhações tornando a criança revoltada e rebelde de tal forma que sua tia a envia para morar num colégio interno, onde lá também passa por várias situações humilhantes, mas consegue superar todas e após oito anos se torna uma jovem mulher e decide procurar um emprego em outro lugar. É quando ela encontra um emprego como preceptora da jovem Adèle em Thornfield Hall. A jovem é protegida do Sr. Edward Rochester.
"Tem-se a crença de que as mulheres, em geral, são bastante calmas, mas as mulheres sentem as mesmas coisas que os homens. Precisam exercitar suas faculdades e ter um campo para expandi-las, como seus irmãos costumam fazer. Elas sofrem de uma restrição, tão rígida, e de uma estagnação tão absoluta, como os homens sofreriam se vivessem na mesma situação. É um pensamento estreito dos seres mais privilegiados do sexo masculino dizer que as mulheres precisam ficar isoladas do mundo para fazer pudins e cerzir meias, tocar piano e bordar bolsas. É fora de propósito condená-las, ou rir delas, se elas desejam fazer mais ou aprender mais do que o costume determinou que fosse necessário para pessoas do seu sexo."
O Sr. Rochester é alguém misterioso e cheio de segredos, a própria casa Thornfield Hall tem acontecimentos estranhos e Jane Eyre, que nunca tinha tido real contato com homem algum acaba se encantando pelo Sr. Rochester. 
"A vida me parece curta demais para ser gasta na alimentação de animosidade ou no armazenamento dos malfeitos. Nós somos e devemos ser, uma e todas neste mundo, pessoas carregadas de defeitos. Mas em breve vai chegar o tempo em que, acredito, devemos nos livrar deles ao abdicarmos de nossos corpos corruptíveis."
Há anos atrás li O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brotë, irmã de Charlotte Brontë e de alguma forma eu supus que Charlotte contaria uma história mais gótica, mas Charlotte teve uma proposta mais romântica. Só que foi um romance real e não cheio de "eu te amo", mas foi algo que me deixou comovida, porque mesmo com o amor havia a sociedade, o impedimento, mentiras, mistérios Tudo que serviu para dar uma ação maior ao livro.

Ficou evidente também a carga religiosa proposta na obra, além de conceitos como certo e errado, sobre o justo e injusto, o ético e o anti-ético. Também ficou evidente o papel da mulher diante da sociedade daquele tempo e quanto Eyre estava à frente dele: ela não queria nada de graça ou viver no luxo, mas ela queria trabalhar e ser tratada como igual e não inferior.
"Os pressentimentos são coisas estranhas! Assim como as afinidades e os presságios. E essas três coisas, se combinadas, formam um mistério para o qual a humanidade ainda não descobriu a chave."
Além disso, vemos a mudança enorme que Jane sofreu desde a sua infância até se tornar mulher: alguém independente, corajosa, lutadora e cheia de ideais, além de tolerância e bondade. Jane Eyre é uma obra completa e complexa, pois nos leva a vários questionamentos e isso torna ainda mais valiosa todas as 780 páginas.

Não posso finalizar esta resenha sem indicar a obra, pois é incrível, consegui me conectar com o enredo, os personagens e apesar de ter achado o Sr. Rochester frio em alguns momentos eu consegui ver o quanto de sua vida de abandono também o influenciou a se fechar, a guardar seus sentimentos e o quanto ele conseguiu ama Jane Eyre justamente por ela ser tão parecida com ele.
"Depois de uma juventude e uma vida adulta passada parte em uma miséria indizível e parte em uma solidão sombria, pela primeira vez descobri que eu posso amar de verdade. Eu encontrei você. Você é minha ternura, minha parte melhor, meu anjo bom. Estou ligado a você por laços muito fortes. Acho-a boa, talentosa, adorável. Uma paixão ardente e respeitosa está guardada no meu coração. Ela se inclina para você e a traz para o centro de mim e para a minha fonte de vida, envolve minha existência ao seu redor, e uma chama pura, brilhante e poderosa nos funde um ao outro para formar um só ser."

2 comentários:

  1. primeiro fotos mt lindas, adorei sua caneca de corujinha, e eu sempre tive muita curiosidade em ler jane eyre, um classico com certeza!

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    1. Ai que fofa, obrigada! Fico tão feliz de saber que gosta das fotos, do blog.

      Quando tiver oportunidade de ler, não a deixe passar, é muito bom esse livro!

      xoxo
      Mila F.

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Muito obrigada pelo Comentário!!!!