Resenha: "Eleanor Oliphant está muito bem" de Gail Honeyman

Eleanor Oliphant está muito bem, Gail Honeyman, Rio de Janeiro: Fabrica231, 2017, 352 pág.
Tradução: Edmundo Barreiros
COMPRAR: Amazon

Saudações Leitores!
Eleanor Oliphant is completely fine (2017) no Brasil Eleanor Oliphant está muito bem  é o livro de estreia de Gail Honeyman. Na minha opinião, é um livro muito bem escrito para uma estreia, mas acredito que fui com sede demais ao pote.

Em Eleanor Oliphant está muito bem vamos acompanhar a história dessa mulher, Eleanor, que com quase 30 anos, começa a entender que não está tão bem quanto pensava que estava e nós vamos acompanhar essa "descoberta", que interessante, não é?! Nem tanto. Nem tanto.
"Sempre me orgulhei muito de cuidar da minha vida sozinha. Sou uma sobrevivente solitária. Sou Eleanor Oliphant. Não preciso de mais ninguém - não há nenhum grande vazio em minha vida, nenhuma parte faltando em meu quebra-cabeça particular. Sou uma entidade independente. De qualquer forma, isso foi o que sempre disse a mim mesma."
É óbvio que durante o enredo há um mistério a respeito da vida de Eleanor (sobre a infância e adolescência) e não vamos ter todas as respostas dos motivos de ela ser como é logo no começo do livro mas aos poucos vamos descobrindo quem é Eleanor Oliphant e os motivos dela parecer, basicamente, um robô.

Em vários momentos durante a narrativa Eleanor é tão robótica e tão espontânea ao falar tudo o que vem a cabeça de maneira totalmente sem sem filtros (como se fosse uma criança) que o livro tem partes bem divertidas e engraçadas, mas nem isso deixou a leitura mais empolgante, sabe? Passei o livro inteiro sentindo falta de algo que me aproximasse daquela leitura, me fizesse ficar na torcida ou algo do tipo.
"Há cicatrizes em meu coração, tão grossas e desfigurantes quanto as de meu rosto. Sei que estão ali. Espero que reste algum tecido ileso, uma área através da qual o amor possa entrar e fluir para fora. Espero."
De certa forma, Eleanor Oliphant está muito bem aborda uma temática bem importante e pouco trabalhada na literatura que é a depressão e outros transtornos psicológicos que podem projetá-la ou serem projetados a partir dela. Vem mostrar o quanto o passado de alguém afeta toda uma vida presente e futura, bem como nossas atitudes, pensamentos e relações pessoais e profissionais. Mas, mesmo com temas de suma importância, senti que faltou coerência.
"Hoje em dia, a solidão é o novo câncer - uma coisa vergonhosa e embaraçosa, que se abate sobre você de um jeito obscuro. Uma coisa temível e incurável, tão horrenda que você não ousa mencionar; as outras pessoas não querem ouvir a palavra dia em voz alta por medo de também serem atingidas, ou que ela possa tentar o destino a impor um horror parecido sobre elas."
Para mim, faltou algo durante a narrativa, faltou uma empolgação maior, ou pelo menos personagens mais envolventes. Durante toda a leitura eu fiquei submergida em uma narrativa muito monótona, depressiva e entediante, por vezes, ficava imaginando que não deveria continuar a ler um livro tão chato, mas ao mesmo tempo o livro não era todo ruim então insisti.
Confesso que insisti na leitura de Eleanor Oliphant está muito bem porque fiquei ligeiramente curiosa a respeito da infância e adolescência de Eleanor, estava na expectativa de ao menos saber o que tinha acontecido com esta mulher para ela se tornar em alguém tão peculiar. Contudo, fiquei o livro inteiro esperando que algo acontecesse que pudesse salvar o conteúdo da história... mas nada aconteceu. NADA.

O final foi absolutamente previsível, a resolução bastante óbvia e não houve nenhum momento de surpresa no desfecho, pois durante a narrativa eu já tinha deduzido tudo, fato que tornou a leitura ainda mais chata. Foi um tédio do começo ao fim.

Volto a frisar que os temas abordados foram legais e apesar dos personagens não serem tão cativantes eles me pareceram engraçados em vários momentos, mas eu senti falta de alguma coisa talvez um romance, uma surpresa no desfecho ou mesmo uma narrativa mais envolvente. É o livro pode ser bem escrito, mas a narrativa parece muito fria e não passou a emoção e o desespero da personagem... uma personagem que passou pelo que Eleanor passou deveria ser mais intensa, sabe? Faltou isso.
"Não há vergonha, você sabe, não há vergonha em estar... Deprimida, ou ter uma doença mental nem o que quer que seja..."
Aliás, particularmente, acredito que livro que abordam depressão são um poucos assustadores e difíceis de serem lidos porque é complicado conseguir expressar exatamente uma doença tão silenciosa e tão perturbadora como essa. Portanto, acho que a narrativa foi fraca mas que o livro conseguiu cumpriu o papel social. 

Por fim, Eleanor Oliphant está muito bem foi um livro chato, para mim, não conseguiu me prender, mas reconheço boas qualidades na escritora e considero um bom livro de estreia no quesito qualidade e maturidade, mas infelizmente, foi frio no sentido de não conseguir passar o que a personagem estava sentindo para o leitor.


4 comentários:

  1. primeiro que adorei as fotos que vc tirou, pena que esse livro é meio chato, acho que nem vou me aventurar a ler

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    1. Olá!
      Muito obrigada!! Realmente este livro não funcionou para mim, mas não intenciono desmotivar a leitura de ninguém, acho que cada leitor é um poço de surpresas e torna as leituras particulares, o que não fez sentido e não me tocou (por falta de experiência ou ignorância) para outros pode ser bem marcante... adoro isso na literatura.

      xoxo
      Mila F.

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  2. Olá Mila!
    Suas fotos ficaram sensacionais ♥︎
    Que pena que o livro não foi tudo o que você esperava. Acho que darei uma chance mais pela temática que é abordada. Beijos!

    Books & Impressions

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    1. Muito obrigada!
      Sim, não deu bom para mim, mas fico na torcida para que seja uma boa leitura para você....Livros sempre são capazes de surpreender, afinal o próprio leitor carrega suas experiências de vida e sua própria vida para dentro da história que ler e isso modifica toda a experiência literário e pode tornar um livro muito bom ou muito ruim... Adoro essa nossa capacidade... adoro essas possibilidades da literatura...
      Não intenciono com minha resenha desmotivar o leitor, tanto que aponto os pontos negativos e favoráveis, afinal aquilo que foi bom para mim pode não ser bom para outros leitores, bem como aquilo que foi ruim...
      Obrigada pelo comentário

      xoxo
      Mila F.

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Muito obrigada pelo Comentário!!!!