Resenha: "Léxico Familiar" de Natalia Ginzburg

Léxico Familiar, Natalia Ginzburg, São Paulo: Companhia das Letras, 2018, 256 pág.
Tradução: Homero Freitas de Andrade
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Saudações Leitores!
Lessico Famigliare (1963) no Brasil: Léxico Familiar foi escrito pela italiana Natalia Ginzburg autora também de outras obras, era pertencente a uma família judaica e antifascista.

Começo logo esta resenha assumindo que quando li a sinopse achei muito interessante o conteúdo do livro, mas não criei tantas expectativas, pois não conhecia a escritora e este seria meu primeiro contato com sua obra.

O fato é que foi uma feliz surpresa, pois acompanhar o cotidiano da família de Natalia através das Crônicas e de seus textos memorialísticos em plena a Segunda Guerra Mundial. Foi uma experiência bem envolvente, devorei o livro, pois havia partes e determinadas situações que eram bem gerais de todas as famílias, mas que Natalia contou de forma a ficarem engraçadas, além do mais, amei muito as tiradas, atitudes e espontaneidade do pai da escritora. Era um professor universitário e tinha resposta para tudo e uma opinião forte sobre qualquer assunto.
"Na verdade, mesmo reclamando e se queixando, minha mãe tinha sido feliz em Sassari e em Palermo: porque era alegre por natureza, e onde quer que fosse arranjava pessoas a quem amar e por quem ser amada, onde quer que fosse arranjava um jeito de se divertir com as coisas que tinha a seu redor, e de ser feliz."
Mesmo sendo um livro memorialístico, que nós remete uma autobiografia também, não é necessário conhecer a vida ou ser fã da escritora para apreciar a leitura. Estou dizendo isso, pois teria leitores que achariam necessário conhecer a escritora para ler suas memórias. Não é.

Aliás, logo nas notas a própria Natalia alerta que Léxico Familiar pode ser lido como um romance, mesmo que nomes, pessoas e lugares sejam reais e, de fato, ler como um romance torna a leitura ainda mais singular.
"Ficava contente, então, quando alguém nos convidava para almoçar. Mesmo que fossem pessoas que não me agradavam. Ficava contente de poder comer, de vez em quando, comidas imprevistas e gratuitas, e que eu não tinha nem pensado, nem comprado, bem visto fazer."
Não obstante, ao que já expus, Léxico Familiar, tem características bem marcantes e impressionantes, é um livro que fica na mente da gente, pois o cotidiano das famílias, por mais que sejam privados, se assemelham e em várias situações podem ser tensos, alegres, triste e cheios de provações, além de ser divertido e desafiador "labutar" com as diversas personalidades das pessoas que vivem sob o mesmo teto é uma experiência indescritível e inesquecível.

Alerto, no entanto, que apesar de eu ter apreciado muitíssimo o livro, tenho plena certeza que ele não é indicado a todo tipo de público, pois exige do leitor uma apreciação além das palavras e traz uma atmosfera clássica, ou seja, ideal para leitores já mais proficientes e que apreciem os clássicos literários.
"_Por que será que eu gosto tanto de gastar? _ suspirava minha mãe de vez em quando. De fato, não conseguia ater-se ao regime de economia que tinha prescrito para si mesma. De manhã, na sala de jantar, fazia as contas com a Natalina, depois das paciências; e brigavam ambas, pois a Natalina também gostava de gastar, tinha as mãos furadas. A Natalina, ao fazer a comida, dizia minha mãe, fazia até para os pobres da paróquia."

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