Resenha: "Mulheres e Poder - Um Manifesto" de Mary Beard

Mulheres e Poder - Um Manifesto, Mary Beard, São Paulo: Planeta do Brasil (Crítica), 2018, 128 pág.
Tradução:  Celina Portocarrero
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Saudações Leitores!
Women and Power (2017) no Brasil Mulheres e Poder - Um Manifesto é o material impresso de duas palestras realizadas pela estudiosa e professora inglesa de Clássicos na Universidade de Cambridge Mary Beard. No Brasil já temos outro livro publicado dessa escritora: SPQR Uma História da Roma Antiga.

As duas palestras aqui presentes são "A voz pública das mulheres" realizada originalmente em 2014 e "Mulheres e poder" realizada em 2017, obviamente o material impresso passou por uma edição mais cuidadosa da escritora que acrescentou uma explanação mais minuciosa das ideias.

Sem dúvida, Mulheres e Poder é uma leitura é bem informativa onde busca ilustrar quando começou esse tratamento diferenciado e inferiorizado das mulheres e o quanto isso vem repercutindo ao decorrer dos séculos, pois não se pode ao certo medir quando tal comportamento se tornou "padrão", afinal os textos mais antigos já mostram a mulher sem voz e subjugada ao homem.
Mary Beard vai buscar nos textos clássicos gregos escritos antes de Cristo onde fazem alusões a personagens femininas e a partir daí começamos a ver que a mulher está numa posição submissa há muitos anos, posição que não se justifica apenas pelo sexo ser diferente, mas arraigada em preconceitos culturais e imaginários, fato que repercute, sobretudo, quando as mulheres querem ter voz política e são emudecidas, silenciadas ou o mais comum: ignoradas e agredidas pelos homens e até mesmo por algumas mulheres!
Quando a mulher quer ter voz, inevitavelmente os homens ao longo da história vem tentando se fazer de surdo ao não escutar as mulheres, considerando suas ideias bobas e inferiores, ainda em nossa atualidade quando algumas mulheres tentam se expressar sofrem diversos tipos de agressões, não só  físicas e verbais, mas agressões virtuais que objetivam a disseminação do ódio, do preconceito e autoritarismo, buscando talvez restaurar um comportamento feminino submisso já ultrapassado. Não, por mais que as mulheres sejam agredidas e ameaçadas, não irão mais andar para trás. O futuro é algo que buscamos alcançar com liberdade de não termos ideias e ações subjugadas aos pensamentos machistas arcaicos.
Para finalizar, Mary nos incentiva sempre buscar conhecimento afim de que tenhamos cada vez mais propriedade sobre nossa própria história e nossos objetivos de luta para que não nos calemos e saibamos argumentar contra as vozes opressoras, pois somente assim poderemos efetivamente nos apropriamos de direitos e vozes igualitárias. Sermos ouvidas no dia a dia, nos dará mais e mais voz política e teremos mais poder quando a alcançarmos.

Em suma, apreciei bastante a leitura de Mulheres e Poder - Um Manifesto, mas confesso ser um texto bem mais elaborado e científico, o que de fato é, por se tratar de palestras talvez realizadas em um ambiente acadêmico, portanto, não acho um texto de compreensão tão acessível, culturalmente falando, para todos.

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