Resenha:"É assim que Acaba" de Colleen Hoover

É assim que acaba, Colleen Hoover, Rio de Janeiro: Galera Record, 2018, 368 pág.
Tradução: Priscila Catão
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Saudações Leitores!
It ends with us (2016) no Brasil É Assim que Acaba foi escrito pela norte-americana Colleen Hoover, e se trata de um dos lançamentos mais atuais, no entanto, no Brasil já temos vários outros livros da escritora publicados, embora este seja meu primeiro contato com a escritora.

Nunca tinha tido curiosidade de ler Colleen Hoover, mesmo ela tendo vários fãs no Brasil e já ter lido vários comentários positivos sobre seus livros, mas recentemente o Clube do Livro que tenho com algumas amigas selecionou este volume como leitura e OMG, que Diabos eu fazia da minha vida antes de ler Colleen Hoover? Já quero ler todos os livros dela! Preciso.
"Ninguém é exclusivamente ruim ou exclusivamente bom. Algumas pessoas só precisam se esforçar mais para suprimir o lado ruim."
Fiquei meio surtada durante toda a leitura de É Assim que Acaba pois é um daqueles livros que mexem com a gente e que precisamos de algum tempo após a leitura para processar todos os sentimentos que nos embalaram durante a leitura e processar todos os fatos narrados, as falas, os personagens. É meio impossível não soltar Spoiler nessa resenha, não soube me controlar, então: RESENHA COM SPOILER.

Aqui iremos acompanhar a história de Lily que viveu numa família onde o pai era violento com a mãe e ela presenciou várias cenas tristes entre eles, por conta disso, ela acabou por não ter um carinho pelo pai e também considerar sua mãe como alguém fraca e submissa a ponto de aguentar toda a violência e aceitar, continuar com o marido.

Por conta dessa situação tão triste vivenciada por Lily, quando da morte do pai ela não consegue sentir a perda, a não ser com algum alívio para a mãe que não terá que aturá-lo mais. É justo no dia do enterro do pai que ela conhece Ryle e tem um verdadeiro crush pelo rapaz, no entanto ele quer algo casual, nas palavras dele "quer comer ela", ou seja, apenas sexo. Para quem ela acabou de conhecer e com seu estado de espírito não parece ser uma boa ideia.
"Você pediu meu pensamento mais recente, então contei. Você é linda. Eu sou homem. Se você gostasse de sexo casual, eu te levaria para meu quarto lá embaixo e te comeria."
O tempo passa e ela vai em busca de realizar seus sonhos com sua floricultura e parece que o destino queria que Ryle e ela voltassem a se encontrar, pois com a floricultura Lily conhece a irmã de Ryle e, evidentemente, acaba encontrando-se com Ryle com frequência.
Ryle e Lily começam a se envolver e um romance cheio de fogos de artifício, e química inicia. Daqueles romances de tirar o fôlego e que ficamos torcendo com todas as forças, mas algumas coisas acontecem e ela se vê dentro de um relacionamento violento.

Para completar, Atlas, um garoto de seu passado reaparece e percebe o padrão de violência domestica e tenta ajudar Lily, que se vê em confronto entre razão e coração, pois ama com todas as forças Ryle, mas também não consegue entender porque continuar dentro dessa relação se é dolorosa, então ela passa a não julgar o comportamento de sua mãe, pois nem todo relacionamento violento é violento o tempo todo.
"Começo a balançar a cabeça, querendo esquecer os últimos quinze segundos. Quinze segundos. Só isso já basta para mudar completamente tudo sobre uma pessoa."
Colleen Hoover explora com bastante maestria, passado, presente, futuro; também faz um trabalho incrível com o psicológico dos personagens, nos faz amá-los e odiá-los, porque numa relação como essa é impossível não ficar dividida. Começamos a ver o que o passado, coisas que aconteceram na vida influenciam predominantemente na personalidade das pessoas, nos faz ver o quanto a sociedade ainda é impassível diante de relacionamentos violentos: julgam ou na maioria das vezes fingem que não vê, ou que a pessoa violentada fez por merecer aquele tratamento.
É impossível não julgar um relacionamento assim, é impossível não pensar o que faz alguém independente, inteligente e bonita se submeter a algo assim. Apontar o dedo, julgar, criticar é sempre uma ação primária, difícil é estender a mão e ajudar, dar bons conselhos.
"As coisas não deveriam ser assim. Durante toda a vida, eu sabia exatamente o que fazer se um homem me tratasse como meu pai tratava minha mãe. Era simples. Eu iria embora, e aquilo nunca mais se repetiria."
Tenho até vergonha de dizer, mas no começo de É Assim que Acaba não estava gostando muito e até cheguei a me questionar o que as pessoas viam nos livros da escritora, no entanto, com o desenrolar dos fatos o livro me prendeu tanto que mesmo quanto eu tinha que soltá-lo para fazer alguma coisa eu continuava com a estória na minha cabeça.

Finalizei a leitura com o coração destroçado, com o psicológico machucado e sabendo que esse livro deveria ser lido por mais pessoas, pois muitas vezes as pessoas que sofrem violência doméstica estão tão submersas no medo, no sentimento de culpa que nem mesmo reconhecem que aquilo é uma relação violenta esperando, indefinidamente, que o violentador mude.
"É só um ser humano. E nós, seres humanos, não podemos aguentar sozinhos toda nossa dor. Às vezes, precisamos dividi-la com quem nos ama, assim o peso não nos faz desmoronar."
Foi uma tarefa difícil ler É Assim que Acaba pois foi impossível não se apaixonar pelo casal e torcer por ele, querer que Ryle mudasse, para que eles ficassem juntos, mas chega um determinado momento que você o odeia e odeia Lily e não sabe mais o que fazer. Também foi aterrorizante e muito sensível ver que Lily, após sofrer violência, conseguiu entender a mãe, conseguiu amá-la ainda mais. Também foi chocante ver o quanto Lily se envergonhava dessa relação (por mais que amasse Ryle) e para esconder as marcas da violência inventava mentiras: quedas, tropeços, etc.
"Não paramos de amar uma pessoa só porque ela nos magoou. Não são suas ações que magoam mais. É o amor. Se não houvesse amor ligado à ação, a dor seria um pouco mais fácil de suportar."
É Assim que Acaba não é uma leitura fácil, é dolorosa, é intensa e ao mesmo tempo sensível, sobretudo, quando lemos no final, na "Nota da Autora" que o livro foi baseado e inspirado em fatos reais, presenciados pela própria Colleen Hoover quando criança: vendo o pai violentando a mãe. É triste, é real. É a realidade de muitas pessoas no mundo todo e este livro vem alertar e sensibilizar as pessoas para que entendam que esse tipo de relacionamento abusivo não é saudável, não é normal e que a culpa não é de quem sofre a violência. Parem de culpar as pessoas que sofrem violência dizendo que talvez elas fizeram por merecer tal tratamento. Ninguém merece isso! 

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