Resenha: "A Bruxa não vai para a Fogueira neste Livro" de Amanda Lovelace

A Bruxa não vai para a Fogueira neste Livro, Amanda Lovelace, Rio de Janeiro: LeYa, 2018, 208 pág.
Tradução: Izabel Aleixo
COMPRAR: Amazon

Saudações Leitores!
The Witch doesn't Burn in This One no Brasil: A Bruxa não vai para a Fogueira neste Livro é o segundo da série As Mulheres têm uma Espécie de Magia, escrita por Amanda Lovelace, cujo primeiro livro é A Princesa Salva a Si mesma Neste Livro.

Estava tão curiosa para ler A Bruxa não vai para a Fogueira neste Livro (já que gostei bastante da minha experiência lendo o primeiro livro da escritora) que, na primeira oportunidade, comprei o volume, no entanto, me surpreendi com o tom agressivo usado por Lovelace nesse volume e a falta de argumentos aprofundados. Para ser direta: fiquei um tanto quanto frustrada. Explico:

É impossível não fazermos comparações, pois se em A Princesa Salva a Si mesma Neste Livro, Lovelace não teve reservas ao colocar nas páginas os sentimentos conflitantes que se apoderaram dela em sua experiência de vida, fazendo uma poesia contemporânea quase autobiográfica, nesse  segundo volume, ela simplesmente se distanciou de seus sentimentos e acabou me desapontando, pois não consegui sentir emoções fortes com suas poesias.

Ao começarmos a ler A Bruxa não vai para a Fogueira neste Livro vemos que o livro se propõe a falar sobre feminismo, a posição da mulher na sociedade desde os mais antigos séculos, além disso traz à tona questões como sororidade, algo realmente pertinente, pois, de fato, é a união entre as mulheres que faz a força do movimento e o engajamento.
Não obstante, senti falta de um aprofundamento maior da escritora ou de argumentos que nos remetam a ideia de que houve uma pesquisa profunda e aprimorada, ou seja, mostrasse que Lovelace dominava o conteúdo que estava se propondo a escrever, mas, no meu entender, ela apenas falou do senso comum sobre o feminismo, argumentos até bem ultrapassados e destilou sua raiva contra os homens controladores, abusadores e violentos.

Honestamente, este livro me deixou com a impressão de que para ser feminista precisamos odiar os homens (coisa que não é verdade, chega até ser um absurdo essa postura), como se todos os homens fossem horríveis, como se o fato de sermos vítimas ao longo dos anos, tornasse nosso direito odiar tudo e a todos de forma normal e natural. 
"Tudo bem" eu pensei, aqui os poemas são sobre a perspectiva da bruxa, ok serem mais agressivos, mais egoístas e se proporem a quebrar o silêncio que por tantos anos as mulheres foram submetidas, mas, me senti péssima com tanta agressividade desnecessária e com tanto egoísmo. Não devemos ser mulheres submissas ou aceitar tudo o que nos dizem ser o "certo", mas também não é porque fomos agredidas, violentadas e/ou torturadas que devemos destilar ódio ou nos tornarmos pessoas más; como seres racionais, somos responsáveis por nossas ações, sabe? Pelo menos, é assim que ainda penso (posso até mudar de ideia um dia , mas é assim que vejo hoje)

O fato é que houve bem mais pontos negativos que positivos durante a leitura de A Bruxa não vai para a Fogueira neste Livro  e acabei por não me sentir confortável lendo, além disso ficava lembrando de como fui tocada pelo livro anterior e fiquei frustrada vendo o quão ruim esta leitura estava sendo. Sem mentira alguma: chego a considerar o livro anterior muito mais forte, empoderador e feminista do que este volume que se propôs a abordar tais temas.
Apesar de tudo o que senti e do muito que deixei de sentir lendo este livro, acho válido a reflexão proposta, que por mais generalizada e por mais "senso comum" que seja, o minimo de reflexão já é um alerta e talvez desperte o interesse para a procura de livros mais completos e melhores que abordem o tema.

Mesmo tento sido meio frustrante a leitura, devo também admitir que li bastante rápido, talvez em uma hora tenha lido todas as páginas e que, também estou curiosa para ler um próximo livro de Amanda Lovelace, pois mesmo levemente frustrada, permaneço curiosa por suas composições que atualmente chamam de poesia contemporânea, mas tenho minhas dúvidas a cerca da classificação, pois não acho que os arranjos e posições das frases nas linhas torne algo poesia, mas Ok. O conteúdo ainda me é mais interessante que o formato.



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