Resenha: "Os Imortalistas" de Chloe Benjamin

Os Imortalistas, Chloe Benjamin, Rio de Janeiro: Harper Collins, 2018, 336 pág.
Tradução: Santiago Nazarian
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Saudações Leitores!
Os Imortalistas (The Immortalists, 2018) mais novo lançamento da escritora best-seller norte americana Chloe Benjamin, cujo primeiro livro foi The Anatomy of Dreams, vencedor do Edna Ferber Fiction Book Award em 2014.

Aqui iremos acompanhar quatro irmãos: Varya, Daniel, Klara e Simon que unidos vão visitar uma vidente que diria o dia em que eles iriam morrer e, após saberem a data eles embora tentem esquecer ou não acreditar no fato, sempre lembram e temerosos tentam mudar este destino.

Então, acompanharemos essa história que acontece entre os anos de 1969 a 2010 e vamos acompanhando cada um dos irmãos separadamente e vendo-os caminharem para a data fatídica prevista pela vidente, o mais assustador não é saber que vão morrer - até porque todo mundo morre - mas ver todos os esforços dos irmãos para tentarem evitar a data, ou mesmo aproveitarem ao máximo de suas vidas para não haver arrependimentos, caso morram no dia previsto.
"Ocorre a Simon que ele gostaria de ter uma vida assim: uma carreira, a casa, um companheiro. Ele sempre supôs que essas coisas não fossem para ele _ que ele fora feito para algo com menos sorte, menos convencional. Na verdade, não é apenas o fato de ser gay que o faz se sentir assim. É a profecia também, algo que ele gostaria de esquecer, mas que em vez disso o seguiu por todos esses anos. Ele odeia aquela mulher por ter dado isso a ele, e odeia a si mesmo por acreditar nela. Se a profecia é uma bola, sua crença é uma corrente; é a voz em sua mente dizendo corra, dizendo mais depressa, dizendo, acelera."
Falando assim, Os Imortalistas, não parece ser um livro tão interessante, mas é o oposto: é bastante interessante e viciante, uma obra incrível, pois além de acompanharmos a vida dos irmãos, também vemos acontecimentos históricos, políticos, culturais, tecnológicos e científicos acontecendo no trajeto natural dos anos.
Os Imortalistas fala ao leitor sobre a inevitabilidade da morte, a luta para permanecer vivo, é nesse ínterim, que nos carrega para inúmeras reflexões de aspecto filosóficos, científicos e espirituais, pois é nesses aspectos que nos apegamos quando falamos de morte e destino como algo já pre-definido.
"Talvez a profecia tenha se plantado dentro dele como um germe. Talvez o incitou a ser imprudente _ a viver perigosamente. Daniel cospe na pia e reconsidera a teoria de Eddie, de que a vulnerabilidade inata que Klara tinha pode ter sido acionada, ou completada, por sua visita à vidente."
Além dessa inevitabilidade da morte e todos os aspectos reflexivos, Chloe Benjamin, ao utilizar de um grupo de irmãos nos faz também refletir sobre relações familiares, amizade e fé. Os personagens são fascinantes e são particulares em suas ações e personalidades. Sem dúvida alguma, Os Imortalistas é um livro que ficamos pensando bastante nos fatos narrados muito tempo depois de virarmos a última página.
"Ela sabia que as histórias tinham o poder de mudar as coisas: o passado e o futuro, até o presente. Ela havia sido agnóstica desde a faculdade, mas se havia um traço de judaísmo com o qual ela concordava era esse: o poder das palavras. Elas escapavam sob rachaduras da porta e através de fechaduras. Elas se prendiam em indivíduos e penetravam em gerações."
Ao finalizar a leitura, simplesmente, não conseguia encontrar palavras para expressar todos os sentimentos que se apoderaram de mim diante da leitura e tantas reflexões que me abraçaram após lê-lo: a importância de aproveitarmos nossos dias, nossas relações, nossos sentimentos, pois tudo isso é passageiro e de uma hora para outra não estaremos mais aqui. O fato de nos proporcionar vários questionamentos como:

O que faríamos se soubéssemos o dia que vamos morrer? Viveríamos loucamente, tentaríamos mudar o dia, nos renderíamos imediatamente? Como nos comportaríamos com as pessoas que amamos? Lutaríamos para termos uma boa vida, sem arrependimentos? Agilizaríamos a data de nossa morte? Ou perderíamos a sanidade pensando nesse futuro inevitável? 

Os Imortalistas é, sim, um livro inquietante, assustador e que incomoda o leitor, porque o faz pensar em si, no outro, na vida e, muita vezes, vivemos nesse corre-corre cotidiano na expectativa de não pararmos para pensar naquilo que temos medo, naquilo que muitas vezes faria nos arrependermos de algumas decisões e de algumas escolhas. Acho mesmo que precisamos conhecer livros que nos façam entreter e nos dê pensamentos crítico e reflexivos sobre a vida e nós mesmo, porque precisamos parar de focar apenas em coisas materiais. Obviamente, após todos estes comentários, é claro que recomento a leitura.
"O que você quer? perguntou Luke a ela, e se Varya o tivesse respondido com honestidade, ela teria dito isso: voltar ao começo. Ela diria a sua antiga eu de treze anos para não visitar a mulher. Para sua eu de vinte e cinco anos: encontre Simon, perdoe-o. Ela se diria para tomar conta de Klara, para se inscrever no JDate, para impedir a enfermeira de tirar o bebê de seus braços. Ela diria a si mesma que iria morrer, iria morrer, todos iriam. Diria a si mesma para prestar atenção ao cheiro do cabelo de Klara, na sensação dos braços de Daniel quando ele tentava abraçá-la, nos polegares curtos de Simon _ meu Deus, as mãos deles, de todos eles, a velocidade de passarinho das mãos de Klara, as mãos esguias e incansáveis de Daniel. Ela diria a si mesma que o que ela realmente queria não era viver para sempre, e sim parar de se preocupar."

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