Resenha: "O Tatuador de Auschwitz" de Heather Morris

O Tatuador de Auschwitz, Heather Morris, São Paulo: Planeta do Brasil, 2018, 240 pág.
Tradução: Carolina Caires Coelho e Petê Rissatti
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Saudações Leitores!
O Tatuador de Auschwitz (The Tattooist of Auschwitz) foi escrito por Heather Morris que ao ser apresentada a um homem idoso chamado Lale Sokolov que alegava ter uma história que valia a pena ser contada conheceu sua história de terror e amor acontecida em um dos piores momentos históricos da humanidade: no Holocausto. Portanto, esse livro trata-se de uma história real, um relato das memórias de Lale durante sua vida no campo de concentração de Auschwitz, onde conheceu seu grande amor Gita. Heather Morris passou três anos registrando esta história antes de Lale morrer em 2006.

Particularmente gosto e fico bastante emocionada lendo livros que se passam no Holocausto, pois me dói saber que algo tão terrível como isto aconteceu, mas também tem um misto de felicidade por saber que esse período acabou, mesmo que a humanidade esteja constantemente ameaçada em nossa atualidade por brigas e disputas entre poderes.

Em especial, O Tatuador de Auschwitz, tem o potencial de emocionar muito grande pois Lale fala sobre toda a dor que os judeus estavam sofrendo, sendo escravizados e dizimados em grandes proporções. Fato triste e doloroso de ler, imagina para ele estar falando sobre algo que viveu, presenciou e assistiu de tão próximo. Essas memórias deve ter sido algo muito difícil, um grande processo de reviver todo aquele período ruim, minimizados, claro, pelo fato de o próprio Lale objetivar falar de como conheceu e se apaixonou por sua esposa Gita nos campos de concentração.
"O oficial da SS abre bem as portas e eles entram em uma sala cavernosa. Corpos, centenas de corpos nus, enchem a sala. Estão empilhados uns sobre os outros, com os membros retorcidos. Olhos mortos os encaram. Homens, jovens e velhos; crianças por baixo. Sangue, vômito, urina e fezes. O cheiro da morte toma o espaço todo. Lale tenta prender a respiração. Seus pulmões ardem. As pernas ameaçam ceder."
Lale conta que foi mandado para Auschwitz-Birkenau em 23 de abril de 1942, um dos piores e mais assustadores campos de concentração do sul da Polônia comandado por nazistas. Nos primeiros dias no campo, Lale, faz trabalhos braçais, mas após se recuperar do tifo - doença que quase o levou ao óbito -  ele é mandado para trabalhar como o tatuador de Auschwitz, que nada mais é do que tatuar um número nos braços de cada um dos prisioneiros diariamente. É assim que ele passa seus anos sob o encargo dessa responsabilidade que o deixa absolutamente triste por estar torturando judeus como ele.
O Tatuador de Auschwitz não é um livro que fala de uma tarefa simples como tatuar prisioneiros, mas mostra que com essa tarefa Lale estava em constante perigo de morte, pois qualquer coisa que ele falasse, respondesse ou até mesmo seu silêncio poderia ser interpretado de uma forma completamente diferente do que ele objetivava. É exercendo esse ofício que Lale conhece Gita, ao retocar sua tatuagem e, a partir daquele momento ele se apaixona por ela e ambos conseguem extrair forças desse amor para tentarem sobreviver a Auschwitz.

É também no exercício dessa tarefa que Lale, utilizando-se de sua sagacidade, acaba fazendo muitos contatos que o auxiliam de alguma forma dentro do campo e também a conseguir alimentos, remédios para os prisioneiros mais necessitados  e propina para conseguir favores dos nazistas. 
"Comida é moeda. Com ela, permanece-se vivo. Ela traz força para se fazer o que pedem. Vive-se mais um dia. Sem ela, enfraquece-se a ponto de não mais se importar. Seu novo cargo aumenta a complexidade da sobrevivência. Ele tem certeza de que, quando saiu de seu bloco e passou pelas camas de homens assolados, ouviu alguém murmurar a palavra "colaborador"."
Acompanhar tudo pelo qual Lale e Gita passaram no campo de prisioneiros, ver a vida desumana, as injustiças, os massacres e tudo aquilo que se tornou um dos maiores crimes contra a humanidade me deixou absolutamente triste, saber que eles e muitos outros prisioneiros passaram por tanta humilhação e sofrimento, que muitos conseguiram sobreviver mesmo sendo estraçalhados por dentro, enquanto milhares de outros não tiveram a mesma sorte e perderam suas vidas nesse período.

Por mais doloroso que seja acompanhar histórias como a presente em O Tatuador de Auschwitz acredito ser de fundamental importância não deixarmos relatos como esse se perderem ou caírem no esquecimento, precisamos manter essa parte histórica viva, fazer com que as pessoas saibam de todas as atrocidades, se confrontem com seus sentimentos e possam sempre pensar nos suas ideologias para que nunca mais vivamos um momento como esse.
"O tatuador de Auschwitz é história de duas pessoas comuns, vivendo em um tempo extraordinário, privadas não apenas de sua liberdade, mas de sua dignidade, seus nomes e identidades, e é o relato de Lale sobre o que precisavam fazer para sobreviver. Lale levou sua vida segundo o lema: "Se você acordar pela manha, é um bom dia"."

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