Resenhas: "As Horas Vermelhas" de Leni Zumas

As Horas Vermelhas: para que servem as mulheres?, Leni Zumas, 
São Paulo: Planeta do Brasil, 2018, 336 pág.
Tradução: Isa Prospero
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Saudações Leitores!
Quando li a sinopse de As Horas Vermelhas (Red Clocks, 2018) escrito pela norte-americana Leni Zumas fiquei bastante curiosa acerca da proposta do livro e, finalmente, decidi mergulhar em suas páginas, no entanto, a experiência não foi tão fascinante assim para mim.

Calma, deixem-me explicar: os temas abordados são realmente polêmicos e estão muito em alta, sobretudo com a vitória de Trump à presidência dos EUA, pois o aborto voltou a ser pauta de várias propostas naquele país. Mas acredito que a narrativa excessivamente  fragmentada, ao meu ver, prejudicou muito o fluxo do enredo. Tornou-se cansativa, chata, maçante.
"Leis não são fenômenos naturais. Elas têm históricos particulares e muitas vezes horríveis."
O fato é que em As Horas Vermelhas temos uma estória essencialmente contada por mulheres, e acompanharemos cinco personagens que estão vivendo seus dramas pessoais, tendo que lidar com decisões difíceis, com o passar o tempo e com as novas leis americanas onde é proibido mulheres solteiras adotarem crianças, onde é proibido abortar e onde tentar inseminação artificial também se tornou crime.

Essas personagens: A Biografa (Ro), A Reparadora (Gin Percival), A Filha (Mattie), A Esposa (Susan) e Eivor (exploradora polar) estão passando por fases completamente diferentes, mas por serem mulheres essas diferenças também se assemelham.
A Biografa está correndo contra o tempo físico e biológico para tentar ser mãe, pois é seu grande sonho, ao passo que tenta concluir a biografia de Eivor. A Reparadora, por ajudar mulheres em várias situações terá que provar que é apenas curandeira e não bruxa. A Filha está sofrendo por se descobrir grávida e sem desejar ter essa criança, sabendo que é crime praticar aborto. A Esposa tem dois filhos, está estressada e dentro de um casamento fracassado tendo que lidar com as crianças e com a educação delas quando na realidade só queria algumas horas para si mesma, algumas horas de liberdade.
"Dois anos atrás, o Congresso dos Estados Unidos ratificou a Emenda da Pessoalidade, que dá direito constitucional à vida, à liberdade e à propriedade a um óvulo fertilizado no momento da concepção. O aborto agora é ilegal em todos os cinquenta estados. Facilitadores de aborto pode, responder por homicídio doloso, e as mulheres que o procuram, por conspiração para praticar homicídio. A fertilização in vitro também está banida em nível federal, porque a emenda proíbe a transferência dos embriões do laboratório para o útero."
O fato é que o livro pareceu-me extremamente pessimista quando nos colocou diante de personagens onde nenhuma está satisfeita com suas vidas e, embora, saiba que é impossível a felicidade de forma integral, mas é assustador como essas personagens não ficam felizes com nada e isso me deixou absolutamente devastada, principalmente por ser mulher: Será que não existe felicidade para o sexo feminino? Achei pessimista demais, no entanto, sei que essa pode ser a intenção da autora, nos chocar com uma possível realidade.

Mas, simplesmente não consegui gostar de As Horas Vermelhas e o livro se tornou um empecilho para mim, no sentido de que eu encalhei e fiquei adiando a leitura, de forma que, atrasou todas as possíveis leituras que eu deveria fazer durante o mês.
"Muitas injustiças podem acontecer em plena luz do dia quando os cidadãos normais estão cientes, mas não fazem nada."
Era impressionante como toda vez que eu pegava o volume eu sentia preguiça e ficava horas mexendo no celular, horas brincando com a minha cachorra. Não consigo nem explicar ao certo o que realmente aconteceu aqui, apesar de reconhecer o potencial da temática, e até perceber que após a metade do livro a narrativa fica um pouquinho mais envolvente, não consegui me identificar. Não consegui gostar. Muito cansativo.
 

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