Resenha: "1984" de George Orwell

1984, George Orwell, São Paulo: Companhia das Letras, 2009, 416 pág
Tradução: Alexandre Hubner, Heloísa Jahn
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Saudações Leitores!
O clássico 1984, de George Orwell, era um livro que eu tinha muita vontade de ler, mas como não tinha o volume, não havia lido, então, nada mais natural do que ler o livro assim que ele "pousou" nas minhas mãos.

O resultado não poderia ter sido mais impressionante e impactante, mas a impressão que tive foi que eu o li no tempo certo, no tempo em que eu seria realmente capaz de apreciar esta leitura e ele me tocar ainda mais profundamente, pois estava quase em "comunhão" com alguns dos meus pensamento.

1984 começa de forma bem impactante, nos introduzindo no universo distópico e nos explicando alguns termos e algumas leis e ações comuns dentro desse universo (como os dois minutos de ódio, etc.). Nesta narrativa vamos acompanhar a história de Winston que se passa justamente no ano que dá nome ao livro: 1984.
"O mais horrível dos dois Minutos de ódio não era o fato de uma pessoa ser obrigada a desempenhar um papel, mas de ser impossível manter-se à margem. Depois de trinta segundos já não é preciso fingir. Um êxtase horrendo de medo e sentimento de vingança, um desejo de matar, de torturar, de afundar rostos com uma marreta, parecia circular pela plateia inteira como uma corrente elétrica, transformando as pessoas, mesmo contra sua vontade, em malucos a berrar, rostos deformados pela fúria."
O personagem vive em Londres, que no mundo ficcional, pertence à Oceania, que naquela conjuntura era uma superpotência controlada pelo Partido, que nada mais é do que um governo totalitário cujo líder é o Grande Irmão.  Somos introduzidos às classes sociais, que também são classes pertencentes ao Partido. Winston pertence ao Partido Externo, que não é uma classe tão privilegiada quanto aos pertencentes ao Núcleo do Partido, mas não é uma camada tão baixa como aos dos Proletas (camada mais desfavorecida, porém com o maior número de gente).
"GUERRA É PAZLIBERDADE É ESCRAVIDÃOIGNORÂNCIA É FORÇA."
Nesse mundo distópico criado por Orwell há ainda mais outras duas superpotências que vivem em constante guerra que são a Eurásia e a Lestásia, e hora uma está em parceria com a outra, hora estão guerreando fortemente.

Por ser um governo totalitário tudo é absolutamente controlado, vigiado, manipulado e escondido das pessoas, que passam a ser meros fantoches para a execução das "obras" do Partido. O ponto mais memorável de todo o livro é por ele ter uma construção psicológica fenomenal, onde o Partido não só manipula todas as informações e a vida das pessoas, mas seus psicológicos, influenciando suas mentes desde a hora de fazer escolhas como distorcendo verdades e vigiando as pessoas 24 horas por dia para não serem pegas traindo o Partido, ou seja, há toda uma pressão psicológica do Partido com as pessoas e isso as atemoriza e as tornam pessoas ainda mais manipuláveis.
Ao acompanharmos Winston percebemos como ele vive pressionado a aceitar o sistema vigente, mas que no seu íntimo se rebela contra o Partido, no início de forma individual, quase ingênua, mas após conhecer Julia e se apaixonar por ela, eles acabam se rebelando totalmente contra o partido. Além disso, procuram se envolver em uma revolta secreta contra o Partido, tudo isso em busca da liberdade e de poderem ficar juntos e apaixonados. SIM, de maneira surpreendente Orwell introduziu um romance em seu livro e me pegou desprevenida nesse detalhe inesperado - pelo menos para mim.
"Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado, rezava o lema do Partido."
Não tenho palavras para dizer o quanto 1984 foi uma leitura sensacional, mas nem por isso devo ocultar de vocês que apesar de incrível o livro não é dos mais fáceis de ser lido, em vários momentos a narrativa se torna um pouco arrastada, mas pouco a pouco nos habituamos com o ritmo do livro e acabamos apreciando toda a obra, até porque a intenção do autor não foi criar um livro apenas para entreter seus leitores, está claro que sua intenção é promover reflexões políticas, sociais, filosóficas e psicológicas. Um outro ponto que nos faz ficar ainda mais instigados pela leitura é que mesmo após tantos anos de sua publicação o livro tem um conteúdo extremamente atual e de cunho até premonitório. Isso assusta, envolve, deixa o leitor eletrizado.
"Não era desejável que os proletas tivessem ideias políticas sólidas. Deles só se exigia um patriotismo primitivo, que podia ser invocado sempre que fosse necessário fazê-los aceitar horários de trabalho mais longos ou rações mais reduzidas. E mesmo quando eles ficavam insatisfeitos, como às vezes acontecia, sua insatisfação não levava a lugar nenhum, porque, desprovidos de ideias gerais como eram, só conseguiam fixar-se em queixas específicas e menores. Os grandes males invariavelmente escapavam a sua atenção."

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