Resenha: A Impossível Faca da Memória - Laurie Halse Anderson

segunda-feira, maio 27, 2019

A Impossível Faca da Memória, Laurie Halse Anderson, Rio de Janeiro: Valentina, 2019, 352 pág.
Tradução: Heloísa Leal
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Saudações Leitores!
A Impossível Faca da Memória (The Impossible Knife of Memory, 2014) foi um dos finalistas do National Book Award, escrito por Laurie Halse Anderson, mesma autora de Garotas de Vidro. A escritora tem uma fama muito boa em se tratado de escrever livros fortes, reflexivos e que emocionam seus leitores. Por já ter tido um contato com a escrita de Laurie, confesso que esperei bem mais desse livro e não encontrei o que buscava neste volume.

Em A Impossível Faca da Memória iremos acompanhar Hayley e seu pai Adam que viviam até então solitários, viajando em um caminhão de um lado para o outro, mas quando Hayley está para cursar o último ano do ensino médio, Adam decide voltar para sua cidade natal e dar a filha a oportunidade de ter uma vida mais "normal". Só que a volta não é fácil, pois o fato que levou Adam a viajar de um local para o outro foi seus traumas de guerra, após sua volta do fronte, ele ficou tão atormentado com o que fez e presenciou na guerra que tinha que ficar fugindo de seus fantasmas, e, como não tinha com quem deixar Hayley, a levava junto.
"A alma dele ainda está sangrando. Isso é muito mais difícil de curar do que uma perna ferida ou uma concussão cerebral."
Em casa, Adam está enfrentando seus problemas com transtornos emocionais e se afundando no álcool e drogas, incapaz de fazer qualquer outra coisa que não ficar trancado bebendo. Nesse meio tempo Hayley está vivendo tormentos pessoais também, está triste e muito preocupada por ver seu pai se destruindo e não está se adaptando bem com a escola e ao fato de ter que se socializar com outros jovens. O medo de perder o pai é tão grande que Hayley não consegue se dedicar a nada a não ser suas preocupações, além de divivir seu tempo entre a escola e a busca pelo pai nos bares da cidade.

É no ambiente escolar que Hayley acaba conhecendo Finn, que acaba se apaixonando por ela, mas Hayley faz o possível e o impossível para afastá-lo. Ela é uma verdadeira "escrota" com o garoto, mas ele não desiste e a cada "coice" que leva da Hayle, Finn se torna mais e mais fofo com ela. Reconhecendo que ela está passando por várias atribulações em casa ele só quer ajudá-la.
"Era ele que tinha crises de humor, que fazia mil exigências absurdas, que expulsava os amigos antes de tomarem o café que ele próprio tinha parado. Era ele que agia feito uma criança, me obrigando a resolver todos os problemas sozinha. Roy lhe dera a oportunidade perfeita de pôr as ideias em ordem, e papai só faltará cuspir nela. O que fez com que eu me perguntasse se ele gostava de ser um eremita infeliz, se sentia prazer em ferrar a minha vida tanto quanto estava ferrando a dele."
Francamente, A Impossível Faca da Memória, tinha um potencial incrível e com vários temas fortes e importantes que mereciam ter sido melhor explorados como: os:traumas de guerra, depressão, luto, alcoolismo, transtornos emocionais, drogas e suicídio, mas Laurie Halse Anderson optou por entregar à seus leitores um romance jovem já bem "batido" e semelhante a tantos outros que vemos no mercado editorial.

Não digo que o livro é ruim, pois não é, mas deixou a desejar; em minha opinião, creio que a escritora deveria ter focado nos problemas de depressão de Adam, no seu alcoolismo; deveria ter focado nas preocupações e tormentos de Hayley; além da relação, ente pai e filha; o foco no relacionamento de "tapas e beijos" entre Hayley e Finn não foi bom.
"O bom soldado jura matar. Dispara canhão, monta a barricada, põe o cartucho e fecha o ferrolho. Sente na camisa o cheiro do sangue do irmão, limpa do rosto o cérebro da irmã. Morre, se tiver que morrer, para que outros vivam. Mata para manter seu povo vivo, viver para matar ainda mais."
Além disso, para completar, A Impossível Faca da Memória, possui uma narrativa cheia de arrodeio, cheia de "nadas" que a gente lê e lê e tem a impressão de que não está indo a lugar algum. Simplesmente não acontece muita coisa, não há tantas explicações e tudo fica meio vazio. 

Quando finalizei a leitura, senti como se A Impossível Faca da Memória estivesse faltando alguma coisa. Esperei um livro mais emocionante ou um drama que chegasse a pelo menos me comover, co entanto, o que encontrei foi um romance juvenil meia boca. Conclusão: fui com sede demais ao pote, talvez se eu tivesse lido com mais cautela teria apreciado mais. Fica a Dica: Não crie expectativas.
"Será que existe alguma coisa pior do que ver o seu pai chorar? Ele é que é o adulto, o homem feito, o todo-poderoso, principalmente se for um militar. Quando eu era criança, via papai malhar, escalar muros, levantar caras maiores do que ele, correr quilômetros no verão usando o uniforme completo e carregando munição extra. Meu pai era um super-herói que fazia do mundo um lugar seguro."

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