Resenha: A Intérprete - Annette Hess

terça-feira, dezembro 31, 2019

A Intérprete, Annette Hess, São Paulo: Arqueiro, 2019, 272 págs.
Tradução: Ivo Korytowski
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Saudações Leitores!
A Intérprete (Deutsches Haus, 2018) é o livro de estréia da roteirista e dramaturga Annette Hess, e trata-se de um romance histórico (ou ficção histórica) que tem como plano de fundo o julgamento de Auchwitz, ocorrido em 1963, ou seja, pós-Segunda Guerra Mundial.

Livros que se passam durante a triste época da Segunda Guerra e que abordem sobre o holocausto sempre chamam minha atenção e me comovem bastante, gosto de ler histórias assim porque servem para nos lembrar da maldade humana e de alguma forma tentarmos evitá-la, para que fatos como esses não tornem a acontecer.

Apesar do tema de A Intérprete ser do meu interesse, não posso falar que amei esse volume, muito embora também não tenha desgostado, na realidade foi um livro bom e vou explicar minha opinião.

"O que ela tinha a ver com aquele julgamento, com aquele mundo do passado? Era um peixe fora d'água ali."
Em A Intérprete vamos acompanhar Eva Bruhns, moradora de Frankfurt, que acaba sendo convocada para ser tradutora e intérprete dos julgamentos de Auchwitz, ajudando com documentos, depoimentos e testemunhos de poloneses contra alguns dos acusados do Holocaustos.

Durante a narrativa tanto Eva quanto nós vamos nos surpreendendo pelo fato de muitas pessoas naquela época não acreditarem completamente nas atrocidades que aconteciam nos campos de concentração e o quanto nossa personagem Eva se vê completamente modificada ao acompanhar os depoimentos.

"Eva não se considerava alguém com força de vontade e muito segura de si, mas foi justo a veemência dos outros que despertou nela uma resistência inimaginável."

A partir desse julgamento Eva nunca mais será a mesma e reconhecerá em sua nação algo podre e corrupto, além do mais terá que confrontar sua própria família e até a si mesmo ao vir à tona lembranças que ficaram esquecidas.
Ao passo que acompanhamos os desdobramentos do julgamento, também vamos ficando a par da reconstrução da Alemanha após a derrota na Segunda Guerra e vamos acompanhando também os dramas familiares de Eva, bem como sua ansiedade por um pedido de casamento de seu namorado Jürgen.

"Jürgen saiu. Estava agitado, furioso e decepcionado. A decisão de se casar havia sido um grande passo para ele. Tinha vencido sua resistência e ousado. E ela o apunhalou pelas costas! Precisava confiar em sua futura esposa. Ela tinha que fazer o que ele mandava."

Durante a leitura de A Intérprete foi perceptível o quanto os alemães gostariam de esquecer ou fingir que o holocausto nunca aconteceu e o quanto todo o ocorrido afetou as próprias relações familiares.

Muito embora eu reconheça o quando A Intérprete é um livro interessante e que trata sobre um tema que considero uma chaga mundial, ainda assim achei o desenvolvimento um pouco lento e cansativo, ainda por cima porque Annette Hess criou personagens muito inexpressivos e pouco cativantes.

Mesmo elencando esses pontos não muito agradáveis considerei A Intérprete um livro extremamente necessário e importante, uma visão do holocausto sob um ponto de vista que ainda não tinha imaginado e que emociona bastante conhecer. Além disso, muitas partes do julgamento descritas nessa obra são totalmente verdadeiras e fieis - segundo informações da própria Annette Hess - o que dá um caráter ainda mais impressível à A Intérprete.

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