Resenha: Os Trabalhos de Hércules - Agatha Christie

terça-feira, maio 26, 2020


Os Trabalhos de Hércules. Agatha Christie. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2016, 288 págs.
Tradução: Bárbara Heliodora
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Saudações Leitores!
Os Trabalhos de Hércules (The Labors of Hercules, 1947), escrito por Agatha Christie, é mais um livro que li para o #PJLendoAgathaChristie2020 e se trata de um dos livros de contos da Dama do Crime, que traz casos do detetive Hercule Poirot, inclusive, já saiu vídeo-resenha no canal sobre esse livro.


Antes de partir para minhas considerações a respeito de Os Trabalhos de Hércules é importante mencionar que os contos que foram colecionados nesse livro, foram publicados individualmente. Posteriormente, em 1947, Agatha Christie reuniu, nesse livro, 12 contos, fazendo referência aos 12 trabalhos de Hércules (o semideus grego) e incluiu um capítulo introdutório para conectar esses contos.

Desejava apenas explicar que, antes de me aposentar, impus a mim mesmo determinada tarefa. Decidi aceitar doze casos - nem mais, nem menos. São doze "Trabalhos de Hércules" autoimpostos, por assim dizer.


Quando peguei Os Trabalhos de Hércules não sabia que se tratava de um livro de contos, porque por ter um capítulo introdutório, dava a impressão de ser mais um romance de Agatha Christie, mas logo que suspeitei, fui pesquisar e descobri o que relatei acima. Uma informação muito importante para conseguir apreciar cada conto e, consequentemente, o livro.

Dito isso, vamos realmente ao que encontramos em Os Trabalhos de Hércules. No capítulo introdutório, temos Poirot conversando com um conhecido que acaba fazendo comentários bem mordazes sobre o peso que um nome pode ter para uma pessoa e menciona que Hercule Poirot não tem nada a ver com Hércules (o semideus grego), afinal enquanto o semideus é bonito e forte, Poirot é uma figura mirradinha e feia.

Poirot acaba ficando impressionado com o comentário e até mesmo determinado a encontrar alguma semelhança entre ele e o semideus, descobrindo que Hércules conseguiu ajudar várias pessoas a solucionar seus problemas e é nesse ponto que Poirot percebe sua semelhança, pois ele também ajuda as pessoas a solucionarem problemas.

Que tolos são os que abandonam o caminho certo. Uma consciência limpa - é tudo o que se precisa na vida. Com ela pode-se enfrentar o mundo e mandar qualquer um que queira interferir para o diabo!


Então, como Poirot está se preparando para a famigerada aposentadoria - que nunca chega realmente - decide que, tal como Hércules, irá pegar 12 casos semelhantes aos 12 trabalhos de Hércules, para que sejam seus últimos casos e assim possa se aposentar.

É nesse ponto que seremos apresentados aos 12 contos / casos: 1 O Leão de Nemeia; 2 A Hidra de Lerna; 3 A Corça de Arcádia; 4 O Javali de Erimanto; 5 As Cavalariças de Áugias; 6 As Aves de Lago Estínfale; 7 O Touro de Creta; 8 Os Cavalos de Diomedes; 9 O Cinto de Hipólita; 10 O Rebanho de Gerião; 11 As Maçãs das Hespérides e; 12 As Profundezas do Inferno.

Como é comum em livros de contos, sempre acabamos gostando mais de uns do que de outros e isso também aconteceu durante minha leitura de Os Trabalhos de Hércules, quando conclui o volume já tinha determinado meus contos favoritos, que foram os contos: 1, 2, 4, 6, 7 e 10.

Apesar de não ter gostado de todos os contos em Os Trabalhos de Hércules, quero salientar que, no geral, o livro é realmente muito bom, embora pensasse que fosse gostar mais. É aqui que quero mencionar pontos fortes e interessantíssimos desse livro.

O primeiro ponto que quero ressaltar é que, quando falamos de contos de Agatha Christie, já esperamos algo que fica um pouco à margem das melhores obras da escritora, afinal a Dama do Crime é conhecida e adorada por seus romances, já os contos, a crítica, não é tão favorável. Portanto, meio que já esperava não gostar de todos.


O segundo ponto que é digno de menção é que mesmo os contos tendo sido escritos e publicados separadamente há uma conexão muito grande entre eles - e para mim, esse é um dos verdadeiros trunfos dessa obra -, percebermos conexões tanto de contos que servem para introduzir outros contos e personagens de um conto aparecendo em outros contos.

Vale ressaltar que além de termos personagens de contos presentes em outros contos,  também conseguimos ver outros personagens de Agatha Christie - que já apareceram em seus romances - nesse livro, o que é bastante interessante, pois sempre gosto de ver Poirot interagindo com amigos / conhecidos antigos.

Já vi caso e sei como é. As drogas destroem as pessoas, de corpo e alma. Bebida é um piquenique, comparado com as drogas.

Em relação aos contos tem dois aspectos que gostaria de tratar, o primeiro é a respeito dos títulos desses contos, pois achei tão absolutamente bizarros que não atentava para eles, porém durante o desenrolar do caso, Poirot sempre fazia questão de relacionar o caso com o trabalho de Hércules e, consequentemente, com o título do conto, então eu passava a entender o motivo do título e da escolha do caso. Achei genial como a escritora fez isso.


E o segundo ponto a respeito dos contos - que acaba se tornando algo tanto positivo, quanto negativo, na minha opinião - é os tipos de casos que Poirot se propõe a solucionar, particularmente, como sou mais íntima dos romances de Agatha, achei esses casos esquisitos, estranhos, alguns até bem rasos e outros que acho que combinariam mais para Miss Marple.

Em Os Trabalhos de Hércules teremos Poirot investigando e solucionando casos de desaparecimento, roubo, tráfico de drogas, cultos religiosos, fofocas, entre outros. Alguns casos são bem interessantes, porém outros me deixaram a desejar, mas sem sombra de dúvida, apesar de serem casos estranhos, foi super interessante acompanhar Poirot usando sua massa cinzenta para solucionar casos bem diferentes do "normal".

Para finalizar, deixo a sugestão de leitura, apesar de não ser o melhor livro de Agatha Christie, ainda assim, Os Trabalhos de Hércules, vale muito a pena, é um livro bem OK, você vai se divertir, vai se surpreender e, para quem já é fã da escritora, a leitura é praticamente indispensável, certo?

É muito mais fácil pegar um assassino do que evitar um assassinato.

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