A Vida Invisível (Filme)

terça-feira, julho 07, 2020


Saudações Leitores!
Quero compartilhar com vocês meu veredito sobre o filme A Vida Invisível que é a adaptação do livro da escritora brasileira Martha Batalha: A Vida Invisível de Eurídice Gusmão.

Você já tinha ouvido falar? Já tinha colocado na sua lista de "Quero Assistir"? Ele foi até cogitado para o Oscar desse ano (2020), porém, acho que não "passou" em algum dos critérios, mas fica aqui meu veredito, espero que gostem.


A Vida Invisível
Título Original: A Vida Invisível
Gênero: Drama, Nacional
Duração: 149 min
Ano: 2019
País de Origem: Brasil, Alemanha
Minha Avaliação: ⭐⭐⭐⭐
Sinopse: Década de 1940. Eurídice (Carol Duarte) é uma jovem talentosa, mas bastante introvertida. Guida (Julia Stockler) é sua irmã mais velha, e o oposto de seu temperamento em relação ao convívio social. Ambas vivem em um rígido regime patriarcal, o que faz com que trilhem caminhos distintos: Guida decide fugir de casa com o namorado, enquanto Eurídice se esforça para se tornar uma musicista, ao mesmo tempo em que precisa lidar com as responsabilidades da vida adulta e um casamento sem amor.

CASO VOCÊ JÁ TENHA LIDO O LIVRO

Quando soube que o livro A Vida Invisível de Eurídice Gusmão ia ser adaptado fiquei tão vibrante que não encontro palavras para expressar o meu sentimento de entusiasmo, já que eu sou apaixonada por esse livro, outra coisa que me encheu de expectativa foi o fato de que estou começando a gostar mais do cinema nacional.

Mas o filme não foi muito bem o que eu esperei. Isso não quer dizer que foi ruim, beleza? Eu já esperava que os roteiristas enxugassem o texto do livro, afinal era muito material e não tinha condições de explorar tudo em um único filme, mas o que aconteceu foi bem mais do que uma enxugada, ocorreram algumas mudanças na personalidade de Eurídice que eu não gostei desse aspecto.


A Eurídice do livro por ser tão empreendedora dá a impressão de que poderia ser qualquer outra mulher: sua avó, sua mãe, sua irmão, você. É bem mais fácil se identificar e ter empatia por ela no livro.

A Eurídice do filme é mais focada em ser artista, ela tem esse grande sonho e carrega por toda a vida, porém ao passo que a gente tem empatia e sofre e se emociona com a vida da personagem, pode não rolar uma identificação tão grande.

Portanto, se você leu o livro você irá sentir esse baque, mas caso não tenha lido, vai adorar ainda mais a experiência desse filme porque, realmente ficou muito bom, só não foi fiel ao livro.

UM RETRATO CRU DE UM RELACIONAMENTO NA DÉCADA DE 40

Mesmo diante das diferenças evidentes em relação ao livro, o filme consegue ser um retrato e passar uma mensagem e reflexões bem semelhantes as do livro.

É impossível não ficar sensibilizado com a história de Eurídice que passou a vida toda pensando que sua irmã, Guida, estava feliz e realizada com suas escolhas, enquanto Guida também passava a vida toda na ilusão de que era Eurídice quem tinha conseguido conquistar e realizar seus sonhos, sendo completamente feliz.

Ao passo que vamos acompanhando a dura realidade de ambas vivendo vidas completamente diferentes e desafiadoras e distante do conceito de felicidade que tanto se almeja.

FOTOGRAFIA, CENÁRIOS, FIGURINO

Não tenho dúvidas de que uma das coisas que irá encantar todos que assistirem A Vida Invisível é a fotografia desse filme que passa a sensação e a atmosfera da década de 40. Sem contar todo o manejar das câmeras.

Associado a fotografia e ao movimento das câmeras, temos ainda os cenários e os figurinos que conseguem transmitir ainda mais autenticidade para a época, a atmosfera e as sensações presentes na história.

Eu não consigo encontrar defeitos nesse aspecto.

AS ATUAÇÕES

Além das protagonistas de A Vida Invisível temos aí várias participações especiais também e, devo admitir, todas as atuações foram tão esplendidas que eu ficava chocada com a sensação de que tudo aquilo que eu estava vendo ali na tela parecia, na verdade real.

Sei que todos os aspectos do filme contribuem para essa imersão, mas as atuações são o verdadeiro xeque-mate de qualquer filme, certo? Os atores precisam nos convencer de que eles SÃO aqueles personagens e aqui, todos eles conseguem fazer isso. Simplesmente aplaudi de pé pelos esforços de todos.

Foi fantástico!

UM FILME ADULTO SÉRIO, REFLEXIVO E TRISTE

Quero fazer só mais um adendo, o filme é bem pesado, temos cenas bem explícitas de órgãos genitais, sexo, violência, degradação, porque a vida é isso mesmo e, como eu disse, as atuações e todo o filme parece ser um retrato da vida.

O que já me leva a outra reflexão do quanto as mulheres viviam encarceradas em relacionamentos abusivos, o quanto a sociedade julgava e condenava as mulheres que iam ou queriam ir em busca de seus sonhos, que nem sempre incluíam formar uma família - mais um motivo de condenação da sociedade.

É um filme que também fala do amor de duas irmãs que foram separadas pelo destino e pelas circunstâncias. É uma história por vezes sensível e bonita, mas também tão profundamente triste que é até possível terminar a película com lágrimas nos olhos.

Pra finalizar, mesmo não correspondendo ao que eu esperava, sem sombra de dúvidas esse filme foi maravilhoso, só acho que não tinha necessidade de ser tão longo, mas... enfim...

Você já assistiu? Ficou curioso para assistir? Conta pra mim!

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