Resenha: A Voz do Silêncio, vol. 7 - Yoshitoki Oima

segunda-feira, outubro 26, 2020

A Voz do Silêncio (vol. 7), Yoshitoki Oima, São Paulo: New Pop Editora, 2017, 200 págs.
Tradução: Denis Hei Kimura
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Saudações Leitores!
Nem estou sabendo lidar com o fim da série de mangás A Voz do Silêncio (Koe no Katachi - 聲の形, 2014) composta por 7 volumes, da mangaka Yoshitoki Oima, uma série tão boa e marcante quanto esta vai deixar saudades, mas com certeza, vou querer revisitá-la muitas outras vezes. Portanto, hoje trago meu veredito sobre A Voz do Silêncio, vol. 7, porém já quero avisar que já temos, no blog, o veredito dos volumes anteriores, Vol. 1Vol. 2Vol. 3Vol. 4Vol. 5Vol. 6, caso queiram conferir.  Aliás, além das resenhas escritas, tem um especial lá no canal sobre todos os volumes de A Voz do SilêncioCONFIRA AQUI.

Lembrando que este veredito vai ter spoiler então já fiquem de sobreaviso.

Pra ser bem honesta com vocês ler toda a série A Voz do Silêncio não é algo fácil porque ela aborda temas pesadíssimos e possui inúmeros gatilhos, de modo que o leitor deve se preparar ou estar bem para o que vai encontrar nessas páginas, portanto, não é à toa que os mangás são recomendados para a faixa etária de 14+. O que eu quero dizer é que mesmo gostando muito dos volumes em vários momentos fiquei emotiva, impressionada e me sentindo mal com os acontecimentos, mas tudo isso era sopesado com uma atmosfera mais leve, proposta que acredito que tenha sido intencional por parte da mangaka. Mas já FICA AQUI O ALERTA DE GATINHO.

Creio que uma boa obra é realmente aquela que consegue fazer um bom recorte da realidade e toda a série A Voz do Silêncio conseguiu fazer isso, principalmente mostrar que na vida real muitas vezes não temos aquela figura engessada de vilões, o que temos são pessoas que acertam, erram, se arrependem e estão se descobrindo, o que pode provocar um verdadeiro caos emocional e acabar acarretando uma série de problemas que exigem um maior cuidado. A Voz do Silêncio nos alerta para isso o tempo todo.

Entretanto, no volume anterior encontrei várias coisas que me desagradaram (vocês viram no vídeo e na resenha escrita) e isso me deixou com as expectativas mais baixas para A Voz do Silêncio, vol. 7, no entanto, isso não quer dizer que não estava empolgada com a leitura. ESTAVA SEDENTA e curiosa para saber como ia terminar, para entender outros pontos que ficaram soltos nos volumes anteriores.

Todavia, se por um lado A Voz do Silêncio, vol. 7 trouxe a resolução de vários acontecimentos, por outro, o volume também deixou um pouco a desejar por conta de não tocar em alguns assuntos que foram mencionados ou que PRECISAVAM ser mencionados, além disso, o volume final teve uma velocidade surreal e fez com que toda a resolução parecesse incoerente, mas não menos emocionante - espero que me entendam.

Em A Voz do Silêncio, vol. 7 já nos deparamos com Shouya finalmente acordando do coma, e lá vem uma das maiores incoerências da série, aparentemente ele só passou duas semanas em coma, mas tudo o que aconteceu no volume anterior (vol.6) se passou durante essas duas semanas e o mais incoerente é que nesse volume o filme, dirigido pelo Tomoriro já está pronto e já foi colocado no concurso, o que significa que Shouko convenceu todo mundo a fazer o filme e todos o gravaram dentro dessas duas semanas?

Shouya acorda desnorteado e sua primeira preocupação é se ele conseguiu salvar Shouko, então quando ele descobre que a salvou e que ele está VIVO parece que uma venda caiu de seus olhos e ele decidiu olhar e escutar as pessoas a sua volta, não se isolar mais, além disso seu propósito agora é pedir perdão para todos os seus amigos e fazer novas amizades.

Nesse meio tempo todos os personagens já estão transformados e voltam-se para o resultado do concurso cinematográfico e para as provas finais, além de começarem a pensar sobre o que vão fazer no futuro, qual faculdade ou qual curso vão fazer e onde irão morar quando terminarem o ensino médio.


A Voz do Silêncio, vol. 7 também me surpreendeu por trazer esses temas mais clichês e tão pertinentes para o final do ensino médio: as indecisões sobre o futuro, as perspectivas, os sonhos, os medos, sobretudo, medo de perder as amizades e se afastar da família. O final desse mangá é, literalmente, um fim e um começo, bastante promissor.

Só que eu achei tudo muito rápido, ficou faltando muita coisa que poderia ter sido explorado e de certa forma foi mencionado na série, mas não teve foco, de modo que não posso dizer que A Voz do Silêncio, vol. 7 tenha suprido todas as minhas expectativas. 

Meu maior problema foi que Yoshitoki falou de bullying, falou de saúde mental, falou de suicídio e sobre esse último deixou muito a desejar, pois nem os personagens e nem suas famílias procuraram por ajuda profissional para que tanto Shouya e Shouko fizessem terapia, ou mesmo os outros personagens que também tinham muitas questões que mereciam ser resolvidas.

A tentativa de suicídio simplesmente foi esquecida e foi muito fácil dos personagens superarem isso, quando na vida real tal coisa não é simples assim, é assunto muito sério. Não gostei dessa superficialidade, mas nem tudo pode ser perfeito, não é mesmo?

Outro ponto que realmente me incomodou com o final da série foi que Shouya simplesmente não conseguiu identificar os sentimentos da Ueno e tampouco os de Shouko, de modo que isso ficou pairando em um limbo durante todo o mangá e é realmente frustrante essa parte para quem espera um mínimo de romance.

Além disso, é perceptível que Shouya está apaixonado por Shouko tanto é que fica com ciúme, fica com medo de perdê-la, mas simplesmente não sabe que está apaixonado pela garota e acaba nem se declarando para ela. Fiquei bem frustrada pela Shouko, pois ela já tinha se declarado para ele e também pela tentativa de Ueno se declarar e ele simplesmente não entender isso. Que absurdo, será que isso acontece na vida real? Principalmente porque as duas deram inúmeros sinais de seus sentimentos.

Mas, como já mencionei, o final foi digno, pois deixa o leitor criar as próprias teorias sobre os prováveis desdobramentos e sobre as questões não respondidas. A verdade é que aconteceram tantas coisas durante toda a série e neste último volume que me dei conta que, ao virar a última página, estava prendendo a respiração e consegui, finalmente, soltá-la.

SIM, foram muitos acontecimentos, emoções, reflexões e uma jornada de amadurecimento e empatia ao lado dos personagens que, arduamente, evoluíram e continuaram aprendendo. Recomendo demais a série, mas só inicie a leitura se estiver numa fase boa, porque, por experiência própria, mesmo em uma fase boa da vida é impossível não se emocionar e ficar meio deprimido lendo o volume (isso aconteceu comigo), entretanto, leitura boa é aquela que incomoda não é mesmo?

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