Resenha: O Sal das Lágrimas - Ruta Sepetys

terça-feira, abril 09, 2019

O Sal das Lágrimas, Ruta Sepetys, São Paulo: Arqueiro, 2019, 320 pág.
Tradução: Vera Ribeiro
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Saudações Leitores!
O Sal das Lágrimas (Salt of the sea, 2016) escrito pela lituana-americana Ruta Sepetys trata-se de uma ficção histórica. A escritora best-seller é autora também do livro A Vida em Tons de Cinza (Cinzas na Neve) que ganha uma adaptação cinematográfica para este ano.
"Será que a guerra nos tornava perversos ou apenas ativava uma perversidade que já espreitava dentro de nós?"
Como ficção histórica, Sepetys relata uma evento transcorrido em 1945, na Segunda Guerra Mundial, onde o navio alemão Wilhelm Gustloff naufragou por conta de torpedos Russos, foi o maior naufrágio que já existiu, onde cerca de 9 mil pessoas perderam a vida enquanto buscavam a liberdade e fugiam da guerra. O cenário escolhido pela autora remete a uma parte histórica pouco conhecida.

A parte ficcional é que em meio ao caos da guerra e aos acontecimentos do naufrágio, a escritora vem a contar a estória de quatro personagens distintos e suas lutas pela sobrevivência: Joana, Emília, Florian e Alfred.
"Ele não ia querer ter nada ver comigo. Adolf Hitler havia declarado que os poloneses eram sub-humanos. deveríamos ser destruídos para que os alemães pudessem possuir a terra de que precisavam para seu império. Hitler dizia que os alemães eram superiores e não viveriam entre poloneses. Não éramos germanizáveis. Mas nossa terra era."
Acompanhamos Joana, Emília e Florian, bem antes de embarcarem no Wilhelm Gustloff, ainda na trajetória para chegarem ao porto. Durante toda a narrativa percebemos a atmosfera triste, catastrófica e dolorosa de um país em guerra.
O Sal das Lágrimas é todo contado através de capítulos curtos e sob a perspectiva de cada um destes personagens, o que nos dá uma visão do que estão sentido, do que passaram antes de se encontrarem, do que eles pensam um do outro. Além do mais, vamos sabendo o que cada personagem é ou era antes de "explodir a guerra". Por exemplo: Joana era enfermeira, Florian era uma espécie de restaurador de arte.
"Eu queria me trancar longe da dor e da destruição. Não queria ser forte. Não queria ser "a moça inteligente". Estava muito cansada. Só queria que tudo acabasse."
Através de pinceladas em cada um dos capítulos a escritora vai nos mostrando as faces de seus protagonistas e vamos delineando suas personalidades, seus medos e descobrindo seus segredos. Percebemos que cada personagem está quebrado, despedaçado e esconde algo que inevitavelmente virá à tona.
O livro traz um tom de angústia e inevitabilidade da catástrofe, mas além de mostrar as partes ruins da guerra, as perdas, as dores, mostra que as pessoas - por mais diferentes que sejam - acabam se encontrando e algumas se tornam luz umas para as outras. Há partes verdadeiramente emocionantes e sutis que Ruta Sepetys nos proporciona através de O Sal das Lágrimas.

A construção de seus personagens e seu enredo foi fabulosa, sensitiva e cheia de mistério. Um dos personagens que mais me angustiaram foi Alfred, que desde o começo suspeitei que era um mentiroso, mas nem cheguei perto de prever quem era realmente. Foi um choque, foi sutil.
"O naufrágio do Gustloff é o maior desastre marítimo que já houve, mas o mundo ainda não sabe nada sobre ele. Muitas vezes me pergunto se um dia isso vai mudar ou se ele continuará a ser apenas mais um segredo engolido pela guerra."
Ao final do livro, não tem como não se emocionar com tudo, ficar reflexivo e seguir a indicação de pesquisa dada pela escritora que não quer que fatos assim sejam esquecidos, porque se esquecermos eles podem voltar a acontecer. Sem dúvida um excelente livro em que a sensibilidade, maestria, tato da escritora soube capturar perfeitamente esse momento histórico de dor e de desespero para muitas pessoas e que segue como uma mancha vermelha na história da humanidade.
"Toda nação tem um tesouro oculto, histórias incontáveis que estão preservadas apenas por aqueles que as viveram. É comuns relatos de guerra a serem lidos e discutidos, no mundo inteiro, por leitores cujas nações estiveram em lados opostos durante o conflito. A história nos dividiu, mas, por meio da leitura, podemos nos unir na narrativa, no estudo e na lembrança. Os livros nos unem numa comunidade global de leitores; porém, o que é mais importante, numa comunidade global humana que se esforça por aprender com o passado. Quando os sobreviventes se vão, não devemos deixar que a verdade desapareçam com eles."

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