Resenha: Um Lugar Só Nosso - Maurene Goo

segunda-feira, abril 13, 2020


Um Lugar Só Nosso, Maurene Goo, São Paulo: Seguinte, 2020, 336 págs.
Tradução: Lígia Azevedo
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Saudações Leitores!
Um Lugar Só Nosso (Somewhere Only We Know, 2019) foi escrito por Maurene Goo, escritora norte-americana com ascendência coreana, que se tornou conhecida por seu livro I Believe in a Thing Called Love. Maurene Goo escreve ficção jovem adulta.

Preciso iniciar dizendo que não estava "botando fé" nesse livro, apenas achei a sinopse interessante e fofa, justamente o que estava precisando no momento, então comecei a ler e me peguei viciada na leitura fofa, encantada com os personagens e sem conseguir largar o e-book.

Às vezes um lugar novo parece estranhamente familiar, como se você já o tivesse visto ou passado por ele em um sonho.

Acho que não ter grandes expectativas a respeito de Um Lugar Só Nosso se tornou um verdadeiro trunfo para ter amado este livro, somado a narrativa ágil e gostosa, além dos personagens super cativantes e fofos. Dito isso, deixem-me falar um pouco sobre o que vamos encontrar nesse volume.

Um Lugar Só Nosso vai nos trazer um enredo intimista, onde vamos acompanhar, basicamente, apenas dois personagens, Lucky e Jack, durante um dia de aventura, Isso mesmo, todo o volume, praticamente, é uma história que narra um dia na vida dos protagonistas, excetuando algumas das páginas finais do livro onde temos uma espécie de salto temporal.


Assim, em Um Lugar Só Nosso temos Lucky que é uma cantora K-pop bastante famosa na Ásia e está se preparando para ser introduzida no mercado norte-americano, além do mais, no momento em que a narrativa começa, Lucky, está no último show de sua turnê asiática em Hong Kong.

Nesse primeiro momento ficamos a par sobre como é rígida a vida de artistas K-pop, ou seja, de Lucky, e o quanto ela tem que abnegar, o quanto ela esconde seus problemas emocionais e até mesmo seus sentimentos em relação ao futuro de sua carreira.

Música para qualquer um. Você fala como se isso fosse ruim. Mas, para mim, é uma coisa boa. As pessoas já estão bastante divididas no mundo. É um milagre oferecer algo de que tanta gente gosta.

Então, Lucky acaba decidindo quebrar algumas regras e rigores de seus superiores e resolve sair do quarto de hotel para comer um hambúrguer. É nesse momento que ela vai "esbarrar" em Jack.

Porém antes do encontro entre Jack e Lucky, Maurene Goo já tem nos apresentado Jack, pois a narrativa de Um Lugar Só Nosso é alternada entre capítulos na perspectiva de Lucky e Jack.

Então já sabemos que Jack é um aspirante a fotógrafo, que atualmente faz "bico" como paparazzi para um tabloide de Hong Kong, sendo que faz isso apenas por amor a fotografia, embora saiba que para seguir sua paixão deverá enfrentar seus pais que, supostamente, não o apoiariam se soubesse o que ele deseja fazer da vida.


Nesse ínterim, Jack se dá conta de quem é Lucky e acaba decidindo que irá conseguir o "furo do ano", ao passar o dia com a famosa K-pop Lucky. Lucky acaba decidindo usar uma identidade falsa, na tentativa de não ser descoberta e poder "aproveitar" o dia ao lado de Jack.

O fato é que Lucky e Jack vão passar um dia completamente inusitado, cheio de conversas, exemplos e reflexões sobre a vida, a família, o trabalho, os sonhos, as expectativas, cultura americana, cultura asiática, mundo e exigências do K-pop e inúmeros outros aspectos, porém, ambos estarão falando a verdade e mentindo um para o outro sobre suas identidades e é claro que isso virá à tona em algum momento, não é mesmo?

Quando se é beijada assim, depois que um cara diz, em uma voz sussurrada, que você é maravilhosa, é muito difícil manter o controle.

Mas antes de tudo ser revelado, nós leitores, iremos passear por vários pontos turísticos de Hong Kong, saborear várias comidas com os personagens (é incrível a quantidade de comida que esses dois conseguem consumir durante o dia inteiro. Fiquei CHOCADA) e, claro, acompanhar os clichês tradicionais de romances jovens: descobertas, medos, anseios, atração física, primeiro beijo, primeiro amor, decepções, descobertas, etc.

Um ponto que vale a pena ressaltar é que Um Lugar Só Nosso proporciona uma visão bem densa dos pensamentos, anseios e sentimentos de Lucky e Jack, justamente por conta dos dois serem narradores em seus capítulos respectivos, então conseguimos visualizar esses personagens e ver a profundidade deles.


O mais legal? Nossos personagens não são dramáticos e mimizentos (características comuns em personagens de livros jovens), o que deu para respirar aliviada nesse livro, nenhum dos dois querem atuar como vítimas e tão pouco como vilões, conseguimos realmente ver a transformação desses personagens e como eles mudam seus pré-julgamentos e pré-conceitos.

Não vou dizer que Um Lugar Só Nosso é um livro perfeito, porque não é, aliás mesmo tendo amado o livro não é algo que possa dizer que me marcou profundamente, mas posso afirmar, categoricamente, que é muito gostoso e deixou um quentinho no meu coração.

Amei a profundidade de Maurene Goo para falar sobre sonhos, sobre a coragem necessária para correr atrás daquilo que queremos e que não é fácil chegar onde almejamos, mas que nada é impossível quando se quer realmente e se tem coragem para seguir, sabendo também reconhecer quando nossos sonhos mudam no decorrer da vida.

O que era uma vida boa? Estabilidade? Paixão? Eu ainda não estava certo quanto aos detalhes. Mas sabia uma coisa: uma vida boa envolvia se preocupar com as pessoas. Ser bom com elas. Ser bom para elas, e não só para si mesmo. Familiares. Amigos. Namorada.

Outro ponto que me deixou feliz é o livro ser ambientado em Hong Kong, confesso que quando Lucky e Jack estavam conhecendo pontos turísticos ou passando por ruas eu dava um Google para conhecer o local, bem como quando se falava os nomes de comidas eu "corria" pro Google para ver a "cara" delas.

Pra finalizar, Um Lugar Só Nosso é um livro fofo, com personagens cativantes, narrativa viciante, ou seja, dá para ler as 336 páginas tranquilamente em um único dia e se divertir bastante durante a leitura. Uma delícia!

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2 comentários

  1. Oi, Mila! É bom quando não temos expectativas e o livro surpreende, né?! De vez em quando também me arrisco em leituras assim, cheias de clichês e de leitura fácil. Não dá pra ser profundo o tempo todo!

    Beijos, Entre Aspas

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    Respostas
    1. Uau, adorei isso "Não dá pra ser profundo o tempo todo!"

      É exatamente assim mesmo. Tem vez que eu procuro uma leitura mais leve só pra distrair, não pensar muito... Então quando me deparo com livros "surpresas", acho super digno de nota.

      Obrigada por seu comentário, seja bem-vinda!

      xoxo
      Mila F.

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Muito obrigada pelo Comentário!!!!