Resenha: O Natal de Poirot - Agatha Christie

quinta-feira, outubro 15, 2020

O Natal de Poirot. Agatha Christie. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2016, 227 págs.
Tradução: Vânia de Almeida Salek
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Saudações Leitores!
O Natal de Poirot (Hercule Poirot's Christmas, 1939) é, provavelmente, um dos livros mais famosos de Agatha Christie, e para mim, trata-se de uma releitura que fiz dentro do #PJLendoAgathaChristie2020 o que quer dizer que, quando você estiver lendo esse veredito, já terá saído o bate-papo dele no canal, então por favor, confiram!

Se não me engano, esta é a terceira vez que leio O Natal de Poirot, além do mais, esse foi o livro que me apresentou Agatha Christie, ou seja, foi o primeiro livro dela que li na minha vida, numa edição antiga que tinha na biblioteca da escola.
É incrível lembrar como amei essa história e que foi a partir dela que li muitos outros livros de Agatha Christie, portanto, além do enredo do livro, que acho genial, tenho essa história pessoal e até emocional com O Natal de Poirot.

Tenho também recordações vívidas, como onde lia o volume: deitada em uma rede na varanda daqui de casa, tomando café na sala de jantar com o livro sobre a mesa, deitada no meu quarto. Bons tempos! Mas antes de falar sobre o enredo e o que achei dessa releitura, preciso dizer que, como faz bastante tempo que li eu não lembrava de nada dessa história a não ser, claro, que é um caso de Poirot, então foi uma experiência bem "inédita".

"O mal não está apenas na cabeça das pessoas. O mal existe! Você parece não ter consciência do mal que existe no mundo. Eu tenho. Posso senti-lo. Sempre o senti... aqui nesta casa..."


Em O Natal de Poirot vamos acompanhar a história de uma grande família que, encorajada por seu patriarca Semeon Lee, já idoso, mas que tem punhos de ferro para liderar todos, decidem se reunir em sua propriedade para passarem o Natal juntos.

Simeon Lee, tinha quatro filhos e sua única filha morreu, mas deixou-lhe uma neta, chamada Pilar. Então, Simeon Lee, reúne seus filhos e as esposas do mesmo: Alfred e Lydia; George e Magdalene, David e Hilda e Harry, o único solteiro e tido como o filho pródigo já que ele foi embora muito cedo, por não concordar com a tirania de Simeon Lee. Além dos filhos reunidos para o Natal, o Sr. Lee chama sua neta filha de sua filha com um espanhol, e além dele aparece uma visita de surpresa: Stephen, o filho de um conhecido de Simeon que acaba se instalando na casa.

"Acho que o presente é o que importa, não o passado! O passado tem que sumir. Se tentamos manter vivo o passado, acabamos, penso eu, por distorcê-lo. Nós o o vemos de maneira exagerada... é uma perspectiva falsa."

Podemos dizer que a família Lee está toda reunida de forma desconfortável e contra sua própria vontade, apenas por acharem que Simeon Lee está idoso e talvez queira se reconciliar com todos, porém, logo nos primeiros momentos de todos na casa, percebem que a intencionalidade do velho tirano é bem outra: por ainda mais lenha na fogueira e deixar todos os parentes uns contra os outros.

A preparação para o Natal beira ao fiasco e o que deveria ser um momento de paz, reconciliação e feliz reunião familiar - propostas da época natalina - torna-se algo sádico e obscuro, como se fosse um jogo para Simeon Lee. Portanto, um cenário propício para um crime está montado.

Com toda a tensão no ar durante os dias que antecedem o Natal, não surpreende nada quando Simeon Lee é assassinado de uma maneira brutal e com direito a uma cena de crime chocante e com muito, muito sangue.


Como Hercule Poirot estava em Londres no Natal e calhou de acontecer esse crime com um homem rico e conhecido, o Superintendente Sugden e Poirot além da força policial local se unem para tentar solucionar o mistério.

O Natal de Poirot é um clássico livro de Agatha Christe, pois temos um ambiente fechado, um crime e uma família cheia de problemas e desavenças, além do mais o histórico do próprio Simeon Lee e sua personalidade tirana faz com que todos ali reunidos acabem tendo algum motivo para querer matá-lo, afinal ele não se importava em ser cruel, calculista com os membros de sua família.

Poirot sempre calculou que esse é o típico crime que para ser solucionado é necessário conhecer a personalidade e o caráter do morto, ou seja de Simeon Lee, o que é bastante difícil afinal ele estava morto, e todos concordavam com uma coisa: era um homem cruel e ardiloso que fez muita gente sofrer, além do mais não era honesto, o que leva a crer que sua herança também é fruto de desonestidade, portanto, fez muitos inimigos na vida.

"_ Mon cher, todos mentem. Às vezes é necessário. É importante separar as mentiras inócuas das mentiras vitais."

Agatha Christie trabalha muito bem com todas pistas que vai deixando de maneira sutil, mas o grande 'golpe de mestre" da dama do crime é reconstruir o caráter e a personalidade do morto, bem como de todos os integrantes da família. Esse aspecto é primordial para entender o que levou Simeon Lee à morte e como esse crime aconteceu.

Poirot faz uma reconstituição do crime de maneira incrível que até mesmo sendo uma releitura me surpreendi, afinal eu lembrava de vários aspectos do enredo e consegui lembrar de outros tantos na medida em que lia, mas honestamente, a resolução desse crime tinha sido completamente apagada da minha memória e eu fui, sim, pega de surpresa. 

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