Casa de Sal e Lágrimas é uma fantasia gótica, porém rápida e leve.
Saudações, Leitores!
Sabe quando você recebe um livro e, ao olhar para a capa e ler a sinopse, acha que a leitura vai ser só OK? Foi isso que pensei de A Casa de Sal e Lágrimas (House of Salt and Sorrows, 2019) escrito pela americana Erin A. Craig e talvez isso tenha acontecido porque nunca tinha ouvido falar da autora e sequer este livro estava no meu radar, sem contar que este volume é o primeiro da duologia Irmãs do Sal e, meu propósito deste ano é dar continuidade as séries, trilogias e duologias que já tenho iniciadas. Não me passou pela cabeça começar mais uma, então, confesso que iniciei a leitura carregada de ceticismo. No entanto, o que era para ser apenas mais um título na estante acabou se tornando uma surpresa que devorei em poucos dias, provando que, às vezes, ir com as expectativas lá embaixo é o segredo para uma boa experiência.
Em A Casa de Sal e Lágrimas temos a releitura do conto de fadas "As Doze Princesas Dançarinas", porém com uma atmosfera gótica e sombria que é delineada de forma sutil, mas impactante. A trama nos leva até Highmoor, a mansão isolada da família Thaumas, onde acompanhamos a protagonista Annaleigh.
O primeiro impacto que temos na história é o fato da família Thaumas estar mergulhada em um luto interminável: das doze irmãs, quatro já morreram em circunstâncias estranhas, e o povoado sussurra sobre uma maldição na família. O que movimenta o enredo é a busca de Annaleigh pela verdade, enquanto isso, ela e as irmãs descobrem uma porta secreta que as levam para bailes mágicos e encontros com o que podem ser pretendentes.
Ao acompanharmos Annaleigh e suas irmãs, como a decidida Camille ou a pequena Verity, vamos nos deparando com uma narrativa que evoca um mistério sobrenatural envolvente, a ponto de começarmos a desconfiar de todos os personagens, sejam porque eles não aprecem confiáveis e bons ou porque podem não estar sãos. As descrições dos bailes luxuosos e o clima de "quem será a próxima irmã Thauma a morrer?" dão um tom de urgência que faz a leitura fluir muito bem.
De certo modo, Casa de Sal e Lágrimas é um volume que dá uma nova roupagem aos contos clássicos, conversando com o público que gosta de uma pegada mais dark e melancólica. Deixem-me desabafar: me surpreendi por ter gostado já que anos atrás eu li várias releituras de contos de fadas e realmente nunca gostei muito delas. Sempre acabava frustrada.
Sem dúvida Casa de Sal e Lágrimas é uma leitura rápida e leve, apesar da temática de morte. Porém, como nem tudo são flores, preciso tecer algumas críticas necessárias. Senti que falta de profundidade nas relações entre os personagens. Mesmo com tantas páginas, parece que não houve espaço para que eles ganhassem tridimensionalidade; muitos parecem planos demais, como se fossem apenas peças para mover o tabuleiro do mistério e isso deixa o enredo como se estivesse faltando alguma coisa, sabe? O próprio interesse romântico de Annaleigh , Cassius, carece daquela densidade que nos faz suspirar ou temer por ele, apesar do mistério envolvendo o personagem eu não posso dizer que o conheço, porque ele não foi trabalhado com profundidade.
Outro ponto que percebi é o excesso de diálogos. Embora eles tragam fluidez, em certos momentos enfraquecem a narrativa, pois o mundo mágico, os deuses e a própria ambientação de Highmoor ficam em segundo plano. Senti falta de descrições mais ricas que me fizessem "tocar" o cenário ou entender melhor a mitologia desse universo. É como se a autora priorizasse o que os personagens dizem em detrimento do que o mundo ao redor deles representa e o xis da questão, o desenlace tem muito haver com o universo, os poderes e isso simplesmente não foi aprofundado, sabe?
Essa questão da estrutura narrativa é algo a se observar. Casa de Sal e Lágrimas se sustenta como uma boa leitura porque é dinâmico, mas está longe de ser perfeito. Acredito que o fato de eu ter começado a ler esperando algo apenas Ok ajudou muito na minha recepção ao volume; acabei focando no entretenimento e no mistério, que são de fato os pontos fortes desse volume.
Por fim, a Casa de Sal e Lágrimas é um livro que merece ser lido por quem busca um escape rápido e gosta dessa estética gótica marítima. Não é uma obra intensa, mas cumpre o papel de entregar um mistério curioso. Pode agradar muitos leitores pela leveza, mas pode frustrar quem busca uma construção de mundo mais robusta e personagens com mais camadas psicológicas. Mas para vocês terem ideia de como gostei já estou com o segundo volume em mãos e aguardem que em breve vou ler e trazer minha opinião para vocês.
| FICHA TÉCNICA |
| Título Original: House of Salt and Sorrows Autor: Erin A. Craig Tradutor: Gabriel Araújo Gênero: Ficção. Young Adulto. Fantasia Gótica. Editora: Record Ano: 2019-2025 | 392 págs. País de Origem: Estados Unidos Classificação: +15 Aviso de Conteúdo: Mortes. Luto. Alucinações. Assassinatos. Abordos. Incêndio. Minha avaliação: ⭐⭐⭐ (3/5) |

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