Um Conto do Destino foi cheio de altos e baixos, isto é nem amei e nem odiei
Saudações, Leitores!
Um Conto do Destino (Winter's Tale, 1983) é um romance do escritor norte-americano Mark Helprin, que pelas minhas pesquisas costuma misturar realismo com fantasia de maneira bastante singular e pela experiência lendo este volume, isso é verdade (rsrs).
Neste volume, somos apresentados a Peter Lake, um ladrão órfão que, durante uma tentativa de assalto, conhece Beverly Penn, uma jovem gravemente doente por quem acaba se apaixonando. A partir desse encontro, a história se expande em diversas direções, atravessando diferentes épocas de uma Nova York quase mítica, onde cavalos voadores, personagens misteriosos, gangues, anjos, milagres e forças sobrenaturais coexistem em uma narrativa marcada pelo realismo mágico e pela fantasia.
Mais do que uma história de amor, Um Conto do Destino aborda temas como destino, esperança, bem e mal, tempo, morte, redenção e a eterna busca humana por um milagre. Os personagens surgem e desaparecem em uma estrutura pouco convencional, enquanto o próprio cenário da cidade ganha importância quase como um personagem. O livro aposta muito mais na atmosfera e no simbolismo do que em uma narrativa linear, fazendo com que o leitor precise se entregar completamente à proposta do autor, mas isso exige muito e confesso que nem sempre "comprei" a história.
Minha experiência com a leitura foi bastante irregular. Houve momentos em que fiquei completamente encantada com a beleza da escrita de Mark Helprin, com suas descrições quase poéticas e com a grandiosidade das imagens que cria, bem como com os personagens. Em outros, porém, senti a narrativa excessivamente confusa, dispersa e difícil de acompanhar. Foi uma leitura de muitos altos e baixos: ora envolvente e fascinante, ora cansativa e distante emocionalmente. Talvez essa seja justamente uma característica do livro, que parece menos preocupado em contar uma história convencional e mais interessado em construir uma grande metáfora sobre o tempo, o amor e a esperança, além de nos colocar diante de várias reflexões sociais, filosóficas, espirituais e políticas. Ainda assim, acredito que algumas escolhas narrativas tornam a experiência menos fluida do que poderia ser e em vários momentos da leitura pensei em abandonar o volume... Mas sempre quando eu tomava essa decisão algo acontecia na história que voltava a me empolgar e eu dava uma nova "chance".
Como foi cheio de altos e baixos, isto é nem amei e nem odiei, fica difícil encontrar um público para indicar Um Conto do Destino, mas acredito que o volume possa funcionar para leitores que apreciam realismo mágico, fantasia e romances contemplativos, especialmente aqueles que gostam de obras carregadas de simbolismos e interpretações abertas. Talvez não seja uma boa escolha para quem busca uma narrativa objetiva ou linear.
Antes de finalizar, quero ressaltar que o livro recebeu uma adaptação cinematográfica em 2014 e de acordo com o que vi na web embora o filme tenha dividido opiniões tanto quanto o próprio romance fiquei com muita curiosidade para conferir a película. Caso eu consiga assistir, devo fazer uma postagem a respeito.
Espero que esta resenha tenha ajudado você a conhecer um pouco mais desta obra tão peculiar. Muito obrigada pela leitura e até a próxima postagem!
| FICHA TÉCNICA |
| Título Original: Winter's Tale Autor: Mark Helprin Tradutor: Ivar Panazzolo Júnior Gênero: Ficção. Fantasia. Editora: Novo Conceito Ano: 1983-2014 | 720 págs. País de Origem: Estados Unidos Classificação: +15 Aviso de Conteúdo: Morte. Sofrimento Animal. Anjos. Demônios. Luto. Morte. Exumação. Guerra. Tuberculose. Minha avaliação: ⭐⭐⭐ (3/5) |

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