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Na Companhia das Estrelas - Peter Heller (resenha)

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

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Na Companhia das Estrelas foi uma boa leitura e fico feliz por ter conhecido o livro

Saudações, Leitores!

Quando eu era parceira da Editora Novo Conceito, há anos atrás, recebi o volume de Na Companhia das Estrelas de Peter Heller, mas acabei dando de presente sem o ler pois na época não me interessei, mas recentemente soube que o livro ganhou uma adaptação para o cinema e como vocês sabem, eu adoro conhecer o livro antes de assistir à adaptação, então resolvi aproveitar a oportunidade para finalmente ler a obra. Ainda não assisti ao filme, portanto não posso dizer nada sobre a adaptação, mas já posso contar o que achei da história que deu origem a ela.

E aqui temos um detalhe importante sobre Na Companhia das Estrelas, ele foi publicado originalmente em 2012, muito antes da pandemia de COVID-19, e já apresentava um mundo devastado por uma pandemia causada por um vírus. E confesso que ler isso depois de tudo o que vivemos torna a experiência um pouco diferente. No livro, uma gripe extremamente letal praticamente dizima a população mundial e aqueles que sobrevivem precisam aprender a viver em um mundo completamente transformado. É ficção, claro, mas algumas situações acabam ganhando um peso diferente quando nós, leitores, já experimentamos algo parecido, ainda que em proporções muito diferentes e não tão drásticas como as mostradas no volume - graças à Deus não chegamos a isso.

Na Companhia das Estrelas a história é narrada por Hig, um piloto que sobrevive à pandemia e passa a viver em um pequeno aeroporto abandonado no Colorado, acompanhado de seu cachorro Jasper e de Bangley, um homem armado, desconfiado e bastante diferente dele. Os dois formam uma espécie de parceria improvável: Bangley é extremamente pragmático e está sempre preparado para o pior, enquanto Hig ainda tenta preservar alguma sensibilidade e humanidade em meio àquele mundo destruído. Hig também sobrevoa a região em seu avião, procurando sinais de sobreviventes e tentando manter alguma conexão com aquilo que existia antes.

É interessante porque o livro não é apenas sobre sobrevivência. Existe muita solidão, saudade, medo e memória. Hig perdeu a esposa e precisa conviver com as lembranças de uma vida que não existe mais. Jasper acaba sendo muito mais do que um cachorro: é companhia, afeto e uma das poucas relações que ainda dão algum sentido aos dias de Hig. E Bangley, apesar de toda a dureza, também representa uma forma de sobrevivência. Os dois são muito diferentes, mas dependem um do outro para continuar vivos.

A trama ganha outro rumo quando Hig capta uma transmissão de rádio. Aquela voz é suficiente para despertar nele uma esperança que parecia adormecida: talvez exista alguém do outro lado, talvez ainda haja alguma possibilidade de contato, de encontro, de futuro. E é justamente essa transmissão que o faz ultrapassar os limites do pequeno mundo que construiu e partir em busca de respostas. A partir daí, o livro deixa de ser somente sobre permanecer vivo, mas passa a abordar o que estamos dispostos a fazer para cultivar a esperança num mundo destroçado.

Gostei do livro, mas preciso ser honesta: não foi aquele “NOOOOSSA!”. A história é interessante, tem uma proposta muito boa e algumas reflexões que gostei bastante, mas eu esperava talvez um pouco mais de ação, menos descrição, mas aventura, coragem e o que está acontecendo no mundo. Talvez porque tenha ido para a leitura já pensando na adaptação e esperando encontrar algo absolutamente extraordinário. Não encontrei. Encontrei uma história competente, melancólica, com uma atmosfera interessante e bons personagens, mas que não chegou a me impactar.

Também preciso contar que fiz a leitura em áudio do próprio e-book, utilizando a Alexa, e acho que isso interferiu um pouco na minha experiência. Em alguns momentos me perdi na narrativa e precisei retomar mentalmente onde estávamos ou o que estava acontecendo. Como a história é narrada em primeira pessoa e possui momentos bastante introspectivos, além de algumas mudanças e fragmentações na maneira como Hig conta suas experiências, acredito que teria aproveitado melhor lendo diretamente no livro ou mesmo lendo no kindle e não com o suporte da Alexa.

Ainda assim, gostei de acompanhar essa jornada e principalmente da relação entre Hig, Jasper e Bangley. É curioso perceber como, depois de uma catástrofe dessa dimensão, as relações humanas continuam sendo aquilo que pode dar algum sentido à existência. Mesmo em um mundo praticamente destruído, Hig ainda procura outras pessoas, outras vozes, alguma possibilidade de futuro. Talvez porque sobreviver sozinho não seja exatamente o mesmo que viver.

E foi impossível não pensar na nossa própria experiência com a pandemia. Peter Heller escreveu essa história anos antes de o mundo enfrentar a COVID-19, imaginando um vírus capaz de mudar completamente a sociedade. Hoje, depois de termos vivido isolamento, medo, notícias sobre mortes, preocupação com familiares e a necessidade de reaprender pequenas coisas do cotidiano, algumas passagens inevitavelmente soam diferentes. É curioso quando a ficção parece ganhar novos significados porque a realidade mudou depois que ela foi escrita.

No fim, Na Companhia das Estrelas foi uma boa leitura e fico feliz por ter conhecido o livro. Não foi uma história que me arrebatou ou que entrou para a lista das minhas favoritas, mas certamente tem seus méritos, principalmente ao trabalhar sobrevivência, solidão, esperança e a necessidade humana de encontrar algum motivo para continuar. 

Espero que tenha gostado da resenha, obrigada por ler e até a próxima postagem!

FICHA TÉCNICA
Título Original: The Dog Stars
Autor: Peter Heller
Tradutor: Rosana Watson Martins Pereira
Gênero: Ficção Científica. 
Editora: Novo Conceito
Ano: 2012-2013 | 403 págs.
País de Origem: Estados Unidos
Classificação: +15
Aviso de Conteúdo: Pandemia. Morte. Assassinato. Morte de Cachorro. Solidão. 
Minha avaliação: 
⭐⭐⭐ (3/5)
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