Resenha: "Os 13 Porquês" de Jay Asher

Saudações Leitores!
Há muito tempo eu queria ler Os 14 Porquês assim como faz bastante tempo que tenho um exemplar e me dei a oportunidade de o ler recentemente (foi minha primeira leitura de 2016) e gostei da experiência apesar de ter sido um livro forte e doloroso, ou seja, não consegui ler tão rápido quanto eu esperava, mas tirei grandes lições para a vida.

Os 13 Porquês, Jay Asher, São Paulo: Ática, 2009, 256 pág.
Traduzido por José Augusto Lemos

Thirteen Reasons Why (2007) foi escrito pelo americano Jay Asher, também coautor de O Futuro de Nós Dois. Os 13 Porquês tem ganhado uma atenção maior após a divulgação que a Universal teria comprado os direitos para a adaptação cinematográfica e que Selena Gomes estaria num dos papeis principais, mas até agora o filme ainda não saiu.
É um pouco difícil de falar sobre esse livro porque não se trata de uma leitura fácil, pelo contrário ela é cheia de tensão, mistério e em vários momentos é angustiante, até porque o tema central abordado no livro é bastante sério e aperta e comove o coração do leitor.
"Às vezes temos pensamentos que nem mesmo a gente entende. Pensamentos que nem são tão verdadeiros - que não são realmente como nos sentimos -, mas que ficam rondando nossa cabeça porque são interessantes de pensar." (p.150)
Em Os 13 Porquês, acompanhamos a história de Hannah Baker, uma adolescente que tinha tudo para ter um futuro brilhante se não estivesse tão deprimida a ponto de tirar sua própria vida, mas antes de cometer o suicídio ela gravou fitas cassete contando os 13 porquês do seu suicídio.
É claro que isso envolve pessoas, porque pessoas se relacionam com pessoas e existem 13 indivíduos que tiveram sua parcela de ‘culpa’ no ato de Hannah e ela vai fazer questão de que todas essas pessoas saibam, desse modo, as fitas cassetes vão passando de pessoa a pessoa.
"Se você escuta uma canção que te faz chorar quando você já está cansado de lágrimas, não a escuta mais.
Mas não dá para fugir de si mesmo. Não dá para tomar a decisão de deixar de se ver para sempre. Não dá para tomar a decisão de desligar aquele ruído dentro da sua cabeça." (p.153)
Passamos a acompanhar a história quando Clay, um adolescente que tinha uma paixonite por Hannah recebe as fitas e é a partir daí que vamos conhecendo a história dela e ao mesmo tempo a dele que vai sendo alternada, quase como um diálogo ou intromissões enquanto Clay ouve as fitas.
Devo salientar que essas alternações de narrador num mesmo capítulo no principio do livro me deixaram confusa, mas depois desencanei e apreciei a leitura.
Confesso que apesar do livro não ser volumoso, sua densidade é tão grande que não conseguia ficar horas seguidas lendo, eu tinha que pausar, respirar e tentar assimilar a história, porque eu queria sentir o que os personagens estavam ‘falando’ entender o psicológico e não julgar os atos, mas compreendê-los e isso foi bem doloroso, porque além de lidar com o tema suicídio, que em si já nos remonta ao psicológico de alguém que está no fundo do poço, pedindo ajuda e não conseguiu, tive que lidar com outro tema forte o bullying que aparentemente está tão banalizado que pode soar como algo inofensivo, mas que tem uma vertente tão devastadora para quem está sofrendo e, muitas vezes, são pequenas coisas que não consideramos bullying que realmente são do tipo mais agressivo.
"Vocês não sabem o que estava se passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser na de vocês. E quando estragam alguma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não dá para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga uma parte da vida de alguém, você estraga a vida inteira da pessoa." (p.172)
O bullying que Hannah sofria somado com a solidão, a falta de amigos, a falta de interesse dos pais e da escola, além de fofocas e boatos tornaram a vida da personagem devastadora e pesada demais para alguém tão sensível que sutilmente mostrou em diversos momentos que estava pedindo socorro, mas ninguém viu.
Os 13 Porquês é um livro fabuloso, mas dolorido, tem que ter uma preparação para o que se vai ler, porque por mais que tenha sido escrito para jovens o autor não poupou detalhes desse sofrimento, dessa doença e das consequências das ações humanas. Cru, real, uma lição de vida e uma forma de dizer “Fiquem atentos” “Ajudem”.

4 comentários:

  1. Oi Mila!
    Faz um tempinho que venho guardando vontade de ler esse livro. O motivo principal é o fato de ele ser tão sofrido :/ não estou pra leituras dolorosas no momento, de dor já bastam meus ships ASHUHUSAHUASUHAUHAHUA
    Gosto quando a narrativa te faz conectar a esse ponto com as personagens. É um tipo de escrita bem forte, ainda mais quando você consegue sentir o que a protagonista tá passando.
    Adorei a resenha!

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    http://www.queriaestarlendo.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ola Denise,

      Obrigada pela visita e comentário. Realmente "Os 13 Porquês" é um livro bem denso e aborda temas bastante polêmicos e sérios. Vale a pena, quando você se sentir inclinada, conhecer esse livro.

      xoxo
      Mila F.

      Excluir
  2. Oi, Mila! Tudo bem? <3

    Já que você gostou de "Os 13 Porquês", é mais um motivo para conhecer "O Último Adeus". O livro será publicado no começo de junho pela DarkSide Books. Fica a dica :) http://www.darksidebooks.com.br/o-ultimo-adeus/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Nilsen... assim que vi a DarkSide divulgando já coloquei na minha wishlist... adorei a proposta do livro. Necessito!!!

      xoxo
      Mila F.

      Excluir

Muito obrigada pelo Comentário!!!!