Resenha: “Quarto” de Emma Donoghue

Saudações Leitores!
Já faz um bom tempo que comprei e tenho Quarto na minha estante, mas até então tinha um certo receio em ler por conta do tema tão 'doloroso', mas como essa foi uma das leituras sugeridas pelo CDL Cookies & Borrões (do qual faço parte) e também por conta do filme (que pretendo assistir em breve) resolvi abarcar essa leitura...


Quarto, Emma Donoghue, Campinas, SP: Verus, 2011, 350 pág.
Traduzido por Vera Ribeiro

Room, no Brasil Quarto, foi escrito pela irlandesa Emma Donoghue e se trata de um dos livros mais conhecidos dela, além de ter sido finalista do Booker Prize, além disso, recentemente ganhou uma adaptação cinematográfica intitulada de “O Quarto de Jack” pela Universal Pictures e indicação ao Oscar.
Nesse livro temos uma narrativa em primeira pessoa pela criança de 5 anos, Jack, que vive com sua mãe num quarto. A criança narra sua história e descoberta com incrível sensibilidade, com olhos de quem vê o mundo pela primeira vez e está tentando conhecer o que desconhece.
"Eu achava que os humanos eram ou não eram, não sabia que alguém podia ser humano só um pedaço. Então, os outros pedaços dele são o quê?" (p.153)
A mãe de Jack foi sequestrada e é mantida num quarto pelo velho Nick, que sempre aparece para abusar dela, enquanto essas visitas acontecem Jack é mantido, por sua mãe, dentro do guarda-roupa. Durante o dia ele e a mãe inventam formas de passar o tempo e, para evitar a curiosidade e os questionamentos de Jack, a mãe cria um mundo fictício e fantástico.
Nesse ínterim, a mãe começa a bolar um plano de fuga, mas tem que contar com Jack, e ele não consegue entender os motivos da mãe, pois a vida que leva é a única que conhece e acha natural.
"No Quarto eu ficava seguro e o Lá Fora é que assusta." (p.241)
Quando conseguem fugir, uma avalanche de emoções e problemas começam a aparecer. Jack não consegue entender nada desse mundo novo e se assusta por ele e por sua mãe constantemente.
Quarto é um livro forte, muito triste e bastante angustiante, porque através dos olhos inocentes de Jack vemos o sofrimento enorme pelo qual sua mãe tem passado e que a criança acha natural, pois não conhece nada além daquilo. É assustador!
"Quando eu tinha quatro anos, eu achava que tudo na TV era só TV, aí eu fiz cinco e a Mãe desdizeu que uma porção de coisas eram só imagens do real e falou que o Lá Fora era totalmente real. Agora eu estou no Lá Fora, mas acontece que um monte dele não tem nada de real." (p.302)
O grande trunfo de Emma Donoghue foi escrever a narrativa sob a perspectiva de Jack, pois se tornou ainda mais angustiante e em muitos pontos delicada e não tão forte e detalhista, mas emocional, inocente.
Definitivamente, é um excelente livro – em alguns pontos cansativo, mas em geral, a obra é fabulosa – e uma ótima leitura para quem gosta do tipo de livro angustiante que tem potência para nos fazer ficar com lágrimas nos olhos.


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