Resenha: "Fraude Legítima" de E. Lockhard

Fraude Legítima, E. Lockhard, São Paulo: Seguinte, 2017, 280 pág.
Tradução: Flávia Souto Maior
COMPRAR: Amazon, Saraiva

Saudações Leitores!
Genuine Fraud no Brasil: Fraude Legítima é mais um livro de E. Lockhard publicado no país, precedido por O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks (2013) e Mentirosos (2014). 

Quando a Editora Seguinte divulgou que lançaria Fraude Legítima fiquei absurdamente eufórica, pois minha experiência lendo E. Lockhard não poderia ter sido melhor. Pequeno detalhe: esse livro tem previsão de lançamento para o dia 29 de setembro, mas já se encontra em pré-venda em várias livrarias online.

Nesse lançamento vamos acompanhar Jule West Williams - que é uma garota capaz de se adaptar há qualquer coisa e isso vale para tudo - e Imogen Sokoloff - uma herdeira milionária que está fugindo de suas responsabilidades e curtindo a vida de luxo que seu dinheiro pode pagar. O que essas duas tem em comum? Basicamente nada além do fato de serem órfãs e de já terem estudado no mesmo colégio e após anos sem se verem se reencontram e desenvolve uma grande amizade, porém, perigosa e cheia de mistérios, segredos, inveja.
"Não tinha mais certeza de onde traçar a linha entre elas. Jule usava perfume de jasmim como Imogen, falava como Imogen, amava os livros que Imogen amava. Aquelas coisas eram verdadeiras. Jule era órfã como Immie, uma pessoa que se inventou sozinha, como um pássaro Misterioso. Havia tanto de Imogen em Jule, e tanto de Jule em Imogen."
Essas duas jovem passam os dias viajando e curtindo o luxo e o privilégio que Imogen pode pagar, mas várias coisas começam a ficar estranhas, sobretudo com o trágico suicídio de Imogen que Jule tenta esquecer e tocar sua vida para frente.

Fraude Legítima é um livro muito louco, começando pela narrativa fragmentada, cheia de fashbacks e muitas referências literárias e cinematográficas - a própria E. Lockhard afirma que seu romance é construído de camadas sobre camadas de referências - além disso uma das peculiaridades e mágicas desse livro está na narrativa contada de trás para frente, isto é aparentemente o primeiro capítulo é o último e o último capítulo é o primeiro. 
Em outras palavras, começamos a ler o livro pela parte final e no decorrer da leitura oscilamos entre o passado e o presente para irmos conectando os pontos, costurando a trama e montando o esquema em nossa cabeça, uma prova disso é que o livro mesmo começa pelo capítulo 18 e termina com o capítulo 19, mas antes dele temos o capítulo 1 onde podemos dizer que tudo começou... A narrativa singular e fantástica me deixou eufórica.... mas exigia uma leitura atenta para conectar todos os fatos com as datas (presentes nos capítulos) e os fatos já narrados ou que ainda poderiam ser mencionados.
"Se pelo menos pudesse voltar no tempo, poderia ser uma pessoa melhor. Ou uma pessoa diferente. Seria mais ela mesma. Ou menos. Não sabia o quê, porque não tinha mais certeza de qual era a forma do seu verdadeiro eu. Talvez não existisse nenhuma Jule, mas sim uma série de personas que ela apresentava em diferentes contextos.Jule não sabia se era capaz de amar seu próprio coração, estranho e deformado. Queria que outra pessoa fizesse aquilo por ela, que o visse batendo atrás das costelas e dissesse: Posso ver quem você é de verdade. Está aí, e é algo raro e valioso. Eu te amo."
O fato é que mesmo com essa narrativa fragmentada não vi fios soltos, tudo foi bem resolvido, exceto o final que foi impactante e que E. Lockhard deixou por conta de nossa imaginação, como já é de praxe em seus finais de livros. Um ponto a favor da escritora é que ela não duvida da capacidade de seus leitores, tipo ela não perde muito tempo explicando minunciosamente as coisas e nem descrevendo demais, ela deixa a nosso cargo, ela também não vitimiza e nem condena seus personagens, como se deixasse para nós, também, a opção de julgá-los e entendê-los. Nossa.... sem palavras, é fantástico!

Outro ponto favorável para que o leitor fique preso à leitura de Fraude Legítima é que além dos mistérios e da narrativa fluída e envolvente, os capítulos são subdivididos em partes e estas partes são bem pequenas e acabamos lendo rápido.
A princípio, Fraude Legítima pode parecer um livro confuso e de difícil leitura, mas logo também fica claro que estamos diante de uma colcha de retalhos e isso nos estimula a ler e tentar descobrir cada peça do quebra-cabeça, assim sendo, nos acostumamos a narrativa e nos apegamos ao mistério loucamente. Para completar E. Lockhard é direta e não nos pouca alguns detalhes chocantes e é bom preparar o coração para várias bombas, porque por mais que esperemos jamais imaginamos como vai acontecer, não é?
"Não é uma amizade de verdade, Jule. Não é uma amizade de verdade se eu pago tudo, você pega tudo emprestado e ainda assim não é o suficiente. Você quer todos os meus segredos, depois dos usa contra mim. Tenho pena de você, de verdade. Gosto de você, mas na maior parte do tempo você é, tipo, uma imitação de mim."
O final pode até deixar um pouco a desejar para vários leitores, afinal você já sabia mais ou menos o que iria acontecer, portanto, não tem muita ação acontecendo, apenas soluções dramáticas, sabe? Obviamente, quando terminei o livro, fiquei com a mesma sensação e quando termino a leitura de um livro dessa escritora: choque, revolta, inquietação, vontade de soltar spoiler, de falar palavrão, de conversar com alguém sobre o livro, e o principal: aquela relação de amor e ódio que faz com que a leitura tenha valido a pena.

Nem preciso acrescentar que indico o livro, não é? Apenas se joguem...


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