Resenha: "Floresta Escura" de Nicole Krauss

Floresta Escura: Romance, Nicole Krauss, São Paulo: Companhia das Letras, 2018, 304 pág
Tradução: Sara Grünhagen
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Saudações Leitores!
Floresta Escura: Romance (Forest Dark: A Novel,2017) foi escrita pela norte-americana Nicole Kraus, também autora de A História do Amor (2006) e A Memória de Nossas Memórias (2012) já publicados no Brasil pela Companhia das Letras.

Confesso que nunca tinha ouvido falar da escritora, talvez por pura ignorância e desconhecimento não conheci os livros anteriores de Nicole, mas quando vi a divulgação de Floresta Escura e já sabendo que Nicole Krauss é apontada pela crítica como um dos destaques da nova ficção americana, resolvi não perder a oportunidade de ler.

"Para planejar coisas, é preciso se imaginar em um futuro que seja uma extensão do presente, e me parecia que eu tinha parado de imaginar isso; se por falta de capacidade ou desejo, não saberia dizer."
Floresta Escura é um livro bom, foi desenvolvido de forma incrível, traz uma cultura e um país pouco conhecidos por mim: sobre Israel, traz, também, reflexões pertinentes e incríveis para a vida, algo como contexto histórico e costumes, mas por alguma razão - talvez uma ressaca literária - a leitura não se desenvolveu como eu ansiava, foi arrastado, espinhoso e só consigo pensar que também posso ter lido este livro num momento todo errado e por isso não me envolvi, não me apeguei.

Quando não há envolvimento e apego a leitura se arrasta, é espinhosa, mesmo que eu também acredite que Floresta Escura é um daqueles livros que exigem um ritmo próprio para a leitura, mas eu não me apeguei.
Não consegui me apegar aos personagens e suas crises existenciais. As partes que achei melhores foi quando entrava em contato com a cultura judaica e com algumas teorias bem interessantes e reflexivas, mas nem isso fez com que a leitura não fosse um fiasco.

Aqui vamos acompanhar intensamente os personagens Jules Epstein (de 68 anos) e Nicole,  que não se conhecem, mas ambos estavam vivendo crises existenciais intensas em relação suas vidas e decisões tomadas.
"Eu não conseguia mais escrever um romance, assim como não conseguia me forçar a fazer planos, pois no fim o problema com meu trabalho e minha vida era o mesmo: eu passara a desconfiar de todas as possibilidades de dar forma às coisas. Ou então eu tinha perdido a fé até de que era capaz de fazer isso."
Jules Epstein é um rico advogado aposentado que sumiu misteriosamente em Tel Aviv, mas antes ele já vinha tendo comportamentos excêntricos, pois estava doando todos os seus bens e dinheiro para instituições de caridade, num surto de filantropia.
Por outro lado, temos Nicole uma escritora nova iorquina presa em duas crises: seu casamento está desmoronando e está sofrendo um bloqueio criativo, sem conseguir escrever. No entanto, uma ideia não sai de sua mente: o Hotel Hilton de Tel Aviv e ela sente que precisa fazer essa viagem para começar a escrever uma nova estória.

Dito isso, em Floresta Escura iremos acompanhar a trajetória desses dois personagens que estão buscando se encontrar e vão descobrir muito a respeito de si mesmos e sua religião judaica durante essa viagem.
"Escrever sobre outras vidas pode, por um tempo, obscurecer o fato de que os planos que a pessoa fez para si a isolaram do desconhecido em vez de aproximá-la. No fundo eu sempre soube disso."
Não tenho ideia se os dois personagens chegaram a se conhecer ou mesmo se essa viagem que ambos fizeram foi simultânea, pois é uma narrativa um tanto confusa e vaga nesse aspecto, mas o fato é que são levantadas muitas teorias sobre a filosofia da vida, sobre Deus e a própria literatura que são intensamente interessantes e bastante profundas.

Realmente gostaria de ter me envolvido mais com Floresta Escura mas não consegui, sinto que li a obra num momento errado e pretendo reler num futuro, quando eu sentir que é o tempo certo e assim poder apreciar bem mais as reflexões propostas.

Sem dúvida Floresta Escura é um livro bem escrito, bem fundamentado, mas é de difícil leitura, pois não existe momentos de ação que deixem o leitor ansioso ou realmente preso ao que está sendo contado, trata-se de um livro mais filosófico e reflexivo, e isso pode se torná-lo cansativo, arrastado e entediante em vários momentos.


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