Resenha: "O Ladrão do Tempo" de John Boyne

O Ladrão do Tempo, John Boyne, São Paulo: Companhia das Letras, 2014, 568 pág.
Tradução: Henrique de Breia e Szolnoky
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Saudações Leitores!
O Ladrão do Tempo (The Thief of Time, 2000) é, cronologicamente, o romance de estreia do escritor irlandês John Boyne, mas foi publicado no Brasil apenas em 2014, após a publicação de outros livros que se tornaram bastante populares em nosso país. Aqui no blog temos resenha de vários livros do escritor AQUI.

Aqui vamos acompanhar a vida de Matthieu Zéla que tem mais de 250 anos e é o ladrão do tempo, a narrativa é contada por este próprio personagem que vai relatar fatos de sua infância, adolescência e alguns anos de vida adulta, além de contar também sobre seu tempo atual em 1999 quase beirando a terceira virada do século de sua vida.
"Acredito há muito tempo que a aparência é a mais enganosa das características humanas e fico feliz por ser a prova viva da minha teoria."
Todas as suas histórias narradas por Matthieu tem uma ligação importantíssima para os fatos relatados no ano "atual" de 1999. E vamos ligando cada ponto e viajando no tempo com o próprio Matthieu  por dois séculos, em vários momentos ficaremos cheios de curiosidade, pois Matthieu viveu grandes coisas e já fez muita coisa nessa vida.
"O problema dos jovens de hoje, eu disse, não é eles fazerem coisas ruins para si mesmos, como a maior parte da mídia gosta de acreditar. E eles não saberem fazer essas coisas direito. Vocês estão tão ansiosos para ficar chapados que não pensam que podem sofrer uma overdose e que, para ser bem franco, podem morrer. Vocês bebem até os fígados explodirem. Fumam até os pulmões entrarem em colapso de tanta podridão. Criam doenças que ameaçam acabar com todos vocês. Divirta-se como bem entender. Seja devasso, é sua obrigação. Mas seja esperto. Exagere em tudo, porém saiba o que está fazendo, é tudo o que eu peço."
Mas o fato é que em O Ladrão do Tempo o escritor utiliza-se do personagem para nos fazer refletir sobre a importância das amizades, da família e o peso de cada uma das nossas escolhas, que sempre irão repercutir no futuro e, às vezes, de forma irremediável.
Aqui vemos que  Matthieu Zéla está disposto a ajudar o atual sobrinho Tommy (tatatatatatara-sobrinho), pois vê que ao longo dos anos está negligenciando a vida de todos os antepassados que sempre vem cometendo os mesmos erros e morrendo muito jovem.  Matthieu vai passar por uma empreitada para tentar salvar o sobrinho e na medida que isso acontece vamos conhecendo seu passado.
"A epifania foi esta: eu faria uma coisa que deveria ter feito há muito tempo. Iria salvar um dos Thomas. Para ser mais específico, iria salvar Tommy."
A cada capítulo vamos acompanhando cada vez mais o desenrolar dessa história e nos chocando com várias revelações, além de, claro, ficarmos ansiosos para saber os motivos "sobrenaturais" de Matthieu Zéla não envelhecer e não morrer nunca.  Mas aqui jaz o mistério que você só irá descobrir quando ler o livro.
Sem sombra de dúvida, meu coração está feliz após a leitura de O Ladrão do Tempo eu estava um pouco receosa por ser algo diferente do que o escritor é acostumado a escrever, mas sua essência consegue ser a mesma, acreditam? Pois ao longo da narrativa e da vida do personagem, Boyne relata fatos da história mundial: guerras, quebra da bolsa de valores, etc.... No fundo, vemos que a veia pesquisadora e de alta qualidade da narrativa do escritor está presente em todas as suas obras inclusive na sua obra de estréia, que já é de alta qualidade.

Nada mais natural do que o autor ter se tornado conhecido e aclamado em todo o mundo.
"Em 1793, quando a Revolução Francesa estava no auge, comecei o processo que me transformaria em um ladrão do tempo."

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