Resenha: Hora Zero - Agatha Christie

segunda-feira, setembro 07, 2020

Hora Zero, Agatha Christie. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2016, 218 págs.
Tradução: Eliane Fontenelle
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Saudações Leitores!
Hora Zero (Towards Zero, 1944) escrito pela inglesa Agatha Christie é mais um livro que li dentro do cronograma do #PJLendoAgathaChristie2020 e, portanto, já tem vídeo no canal com o bate-papo sobre o volume, confira!

Essa foi a primeira vez que li Hora Zero e me vi fisgada logo nas primeiras páginas com a trama, os personagens e como a própria escritora foi absolutamente criativa ao conduzir a narrativa seguindo todo o conceito de hora zero, proposto no livro.


Desse modo, acho importante mencionar que conceito é esse para conseguir explicar melhor minhas impressões e o enredo desse livro: no prólogo de Hora Zero temos alguns personagens conversando sobre crimes e romances policiais, uma forma que Agatha C. utiliza muito para "brincar" sobre o gênero que escreve. Nessa conversa um dos participantes fala que os romances policiais geralmente iniciam com um crime, porém o crime não é o início, mas o fim de todo uma história que culminou no homicídio.

_ Gosto de um bom romance policial, mas, como se sabe, sempre começam do ponto errado! Começam do assassinato. Entretanto, o assassinato é o final! A história começa muito antes disso: algumas vezes anos antes, com todos os motivos e fatos que trazem certas pessoas a certos lugares, numa certa hora e num certo dia.


O que é elencando nesse prólogo é que o crime em si é a hora zero, porém, ele é o fim do ato e não o começo, de modo que, para se entender um homicídio é necessário observar que ele tem início, meses e até anos antes da hora zero e pode se dar em decorrência de inúmeros motivos, no entanto, a Hora Zero é o momento que levou determinadas pessoas a determinados locais e hora de um crime acontecer.

É diante desse conceito que Agatha Christie estrutura sua narrativa, pois o homicídio desse volume acontece lá na metade do livro (e não no começo, como é comum nos romances policiais) e isse conceito também repercute no estilo da narrativa, que é um tanto fragmentada, para acompanharmos os personagens principais principais de maneira separada ao longo de vários meses antes dessa "hora zero".

Então, em Hora Zero, vamos acompanhar um grupo de pessoas que estão planejando ir para a casa de veraneiro da viúva lady Camilla Tressillian, cuja mansão Gulls Point fica ao lado de um penhasco, porém, esse grupo de pessoas apesar de se conhecerem, tem relações bem complexas e algumas nada amistosas, de modo que quando todos combinam de se reunirem em Setembro na mansão, lady Tressillian fica preocupada com as energias negativas e tensões que podem ocorrer nesse período entre os visitantes.

Sempre fui boa em planejar coisas. Nada acontece sem que preparemos o acontecimento. Às vezes você me chama de tola, mas a meu modo sou até bem esperta. Faço com que as coisas aconteçam. Algumas vezes planejo com bastante antecedência.


Todo esse cenário de tensão ocorre porque Nevile Strange, um famoso esportista, largou sua esposa Audrey para se casar com Kay, gerando uma verdadeira onde de desentendimentos, inveja e ciúmes entre essas duas mulheres, no entanto, agora ele gostaria de fazer as pazes com a ex-esposa e que sua atual esposa também se tornasse amiga dela. Obviamente nem tudo vai sair como o esperado, certo?

Além dessa tensão tão grande por conta do triângulo amoroso, também vamos acompanhar o "universo" dos outros personagens, seus atritos, medos, segredos e sentimentos não revelados. A trama de Hora Zero é extremamente envolvente por conta dessas tretas familiares, segredos e triângulo amoroso.

É espantoso o número de mal-entendidos que pode existir, mesmo entre duas pessoas que discutam um certo assunto com bastante frequência, cada uma delas entendi o que melhor lhe convém, sem que o outro desconfie de qualquer disparidade de pensamento.

Para completar, como o crime de Hora Zero acontece na mansão de Gull's Point, ou seja, um ambiente fechado, obviamente todos os que estão presentes na casa tornam-se possíveis suspeitos, assim o superintendente Battle, juntamente com seu sobrinho o inspetor James Leach, ficam responsáveis para conduzir as investigações e descobrir quem é o assassino dentro daquele grupo de pessoas.

O que irá tornar ainda mais difícil na resolução desse caso é a atmosfera de tensão, os segredos e as inúmeras pistas deixadas pelo assassino que podem conduzir a investigação para um "denominador" completamente equivocado.


Honestamente, achei Hora Zero um dos livros mais geniais de Agatha Christie, muito embora - para quem costuma ler a escritora - tenha várias receitas utilizadas pela autora, o que torna mais fácil conseguir "matar a xarada" do livro, no entanto, ainda assim tem uma reviravolta bem incrível e devo dizer que até os últimos momentos fiquei bem dividida entre dois suspeitos e, embora uma das minhas suspeitas tenha se confirmado, ficar dividida não é descobrir o assassino, certo? Então, floppei na tarefa, mas me diverti demais durante a leitura.

Eu tenho um grande respeito pela verdade. Entretanto, descobri que existem coisas mais importantes.

Uma das grandes surpresas de Hora Zero, para mim, também foi o fato das investigações terem sido conduzidas pelo superintendente Battle, pois eu achei esse caso extremamente a cara de Hercule Poirot, tanto é que Battle utiliza muitos dos métodos "Poirotianos" para solucionar o caso e em decorrência disso, devo admitir, que fiquei esperando que o icônico personagem aparecesse em algum momento do livro, mas isso não aconteceu.

De qualquer forma, Hora Zero, foi um livro brilhante, viciante e que me deixou tão envolvida que praticamente não conseguia largar o volume, então, já deixo aqui minha recomendação.

A propósito, se você já tiver lido me fala o que você achou e se descobriu o assassino! Caso ainda não tenha lido me diz se ficou interessado(a)...

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