Hamnet é uma história sobre formas de amar, sobre perda e como cada um lida com ela de uma forma diferente
Saudações, Leitores!
Hoje trago minha opinião sobre Hamnet (2020) que tem ganhado destaque sobretudo por estar bem próximo de sua adaptação, além disso o volume arrebatou prêmios importantes como o Women's Prize for Fiction (2020) e National Book Critics Awards (2020). Esse é o primeiro livro que leio da autora norte-irlandesa Maggie O'Farrell e posso dizer que achei um bom livro, mas confesso que talvez até pudesse ter gostado mais, pois minha experiência de leitura ficou totalmente comprometida devido uma ressaca literária que entrei, porém como eu queria ler antes de ver a adaptação segui lendo mesmo com ressaca literária.
Em Hamnet temos uma história bem interessante, pois Maggie O'Farrell faz algo bem ousado ao reimaginar a vida doméstica de William Shakespeare, mas em nenhum momento, durante a leitura, o autor é chamado por seu nome, aqui ele é mencionado apenas como "o tutor", "o filho", "o marido", "o pai". O foco de Hamnet é totalmente voltado para as figuras que a história muitas vezes deixou nas sombras, de modo que a própria autora relata que é difícil obter informações tão precisas.
Desse modo, a história se passa na Inglaterra do século XVI e é centrada em Agnes (uma interpretação da Anne Hathaway histórica), uma mulher mística, ligada à natureza e às ervas medicinais, e seu marido, um jovem professor de latim em busca de destino. O casal tem três filhos: Susanna e os gêmeos Hamnet e Judith.
A narrativa salta entre o início do romance de Agnes e o "marido" e o fatídico verão de 1596. Além disso também traz na narrativa detalhadamente a forma como a peste negra chega até a casa dos Shakespeare em Stratford, a agonia do pequeno Hamnet ao ver sua irmã gêmea, Judith, definhar pela doença; e o sacrifício desesperado que ele faz para tentar salvá-la.
É um livro que explora o luto devastador de uma mãe e como essa perda mudaria para sempre a vida daquela família e a própria história da literatura, servindo de inspiração para uma das peças mais famosas do mundo: Hamlet.
Para ser franca preciso dizer que o estilo de escrita da Maggie O'Farrell é simplesmente primoroso. É uma prosa poética, rica em detalhes históricos e sensoriais que nos fazem sentir o cheiro das ervas de Agnes e o frio das casas de pedra da época. As temáticas de maternidade, perda e o papel da mulher na sociedade vitoriana são abordadas com uma profundidade rara e conseguimos imaginar todo o cenário da época, as emoções e os sentimentos de cada personagem.
No entanto, sendo bem sincera com vocês, achei a história apenas OK. Apesar de toda a beleza técnica e da carga emocional, em alguns momentos senti que o ritmo se arrastava (como na parte da peste negra chegando na cidade, apesar de interessante, foi monótono) e que a trama não me prendeu tanto quanto eu esperava pelo hype. É um livro belíssimo, mas que, para mim, funcionou mais como um exercício de escrita contemplativa do que como uma história verdadeiramente arrebatadora, mesmo que ao fim da leitura eu tenha ficado tão reflexiva.
Mesmo achando o enredo apenas mediano, o universo criado é tão visual que agora estou super curiosa para conferir a adaptação que vem por aí.
Se você gosta de ficção histórica com uma escrita impecável e não se importa com um ritmo mais lento e introspectivo, Hamnet é uma leitura que vale a pena pela experiência estética.
Obrigada por lerem até aqui e até o próximo post!
| FICHA TÉCNICA |
| Título Original: Hamnet Autor: Maggie O'Farrell Tradutor: Regina Lyra Gênero: Ficção Histórica. Romance. Editora: Intrínseca Ano: 2020 - 2021 | 384 págs. País de Origem: Irlanda do Norte. Classificação: +16 Aviso de Conteúdo: Morte Infantil. Luto. Abuso infantil.. Minha avaliação: ⭐⭐⭐(3/5) |

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